Boletim Eletrônico



Unamos as lutas com a nossa cólera, derrubemos o governo Monti! PDF Imprimir E-mail
ITÁLIA
Dom, 19 de Fevereiro de 2012 20:36

Publicamos aqui o panfleto distribuído pelo PdAC para a IV Jornada da Cólera. Manifestação em Milão, no dia 11 de fevereiro, foi promovida pela Cub (Confederação Unitária de Base) e pelo Comitê dos Imigrantes,  que contou com uma consistente participação do PdAC (único partido presente na praça).
As soluções “realistas” praticadas pela Cgil, Cisl, Uil[1], através da aceitação de contratos com perdas e manobras devastadoras sobre a pele dos trabalhadores, produziram, e estão produzindo, os seus frutos envenenados, transformando a vida da classe operária e das massas populares que vivem neste país em um pesadelo. As soluções “realistas” se revelaram como aquilo que sempre foram: soluções aceitáveis para os exploradores e inúteis e danosas para os explorados. Explorados que estão desorganizados e se vêem abandonados pelos sindicatos e organizações de esquerda, à ganância do capitalismo em crise.
 
O ataque aos velhos e jovens proletários, aos trabalhadores e aos imigrantes
 
Toda uma geração, de homens e mulheres, que começou a trabalhar muito jovem se vê hoje roubada do direito a aposentadoria e continuará trabalhando até os 70 anos: uma geração que em essência não conhecerá o significado de uma vida na qual os tempos não sejam marcados pelos turnos de trabalho, uma geração que foi constrangida a entregar toda a sua existência em proveito do capital.
 
No capitalismo, a divisão em classes, e a divisão no interior das próprias classes, é um dogma e uma necessidade; se uma geração tem o seu direito a aposentadoria roubado, a outra geração, aquela dos jovens, não pode sentir-se roubada de nada porque nada foi concedido ou prometido, porque direitos, seguridade e aposentadoria são palavras que nunca fizeram parte da vida dos jovens. Palavras e conceitos que não foram protegidos por quem tinha a tarefa de fazê-lo e que, ao contrário, se curvaram às “soluções realistas” com vantagem para o capital. E assim foi aprovada a lei Treu[2], aquela Biaggi e assim por diante, num crescendo de “soluções realistas” justificadas pelos sindicatos conciliadores e dos seus partidos de referência, inclusive a Refundação Comunista que votou a lei Treu, que foi pioneira no trabalho precário dos jovens.
 
Além dos “velhos” e dos “jovens” proletários italianos, uma outra parte do proletariado é golpeada ainda com maior força. Os trabalhadores imigrantes com as suas famílias, sobre quem se abate a demagogia e o racismo da Liga Norte[3] e a cumplicidade dos partidos como o Pd (Partido Democrático) e Sel (Esquerda e Liberdade de Vendola) que, hipocritamente, tagarelaram nos programas televisivos sobre igualdade e anti-racismo fingindo-se diferentes dos outros, mas os quais representam no parlamento, junto com aqueles da Refundação Comunista, votaram, durante o governo Prodi, aumento das despesas militares e dos Cpt (Centros de Permanência Temporária) hoje Cie (Centros de Expulsão e Identificação), os assim chamados “campos de concentração para imigrantes”. Sobre os trabalhadores imigrantes se desencadeia ainda a ganância do capitalismo em crise, que, com a nova taxa sobre os vistos de permanência, se junta um outro anel à longa corrente de exploração sofrida por estes trabalhadores que representam a parte mais frágil e exposta da classe proletária.
 
Precariedade, demissões, desemprego, pobreza: respondamos com a luta e com a unidade de classe
 
O governo Monti, com a ajuda dos grandes sindicatos , está salvando os lucros dos patrões e dos banqueiros e ao mesmo tempo faz os trabalhadores pagarem pela crise; enquanto isso acontece, seja o Sel de Vendola seja a Refundação Comunista, se preparam para uma futura aliança de governo com o Pd (Partido Democrático), isto é, com um dos partidos que está sustentando o governo Monti e as burocracias da Cgil, Cisl e Uil e fazem de tudo para enfraquecer a luta e dividir a classe trabalhadora: proclamam greves separadas de poucas horas para uma só categoria. Mesmo a Fiom[4] de Landini abandonou, de fato, a luta e se alinhou às posições da Cgil, como expressou no último Comitê Central e como expressou cada dia mais na realidade das fábricas.
 
É urgente que o sindicalismo de base responda ao vazio sindical, e à traição da burocracia sindical da Cgil e Fiom, organizando comitês de luta unitários contra o governo Monti, criticando entre os trabalhadores, não apenas a Cgil, mas também a Fiom de Landini que não rompe com a Cgil e a timidez de Cremaschi que não rompe com a direção da Fiom. É urgente, ao mesmo tempo, que o sindicalismo de base se coloque como promotor da máxima unidade das lutas entre todos os trabalhadores, ainda que de diferentes organizações sindicais, faça um apelo aos setores mais avançados da Fiom e Cgil para a construção de uma greve geral prolongada que unifique todas as reivindicações, aquelas sobre aposentadorias, aquelas sobre o artigo 18[5], para rejeitar, não com o recolhimento de assinaturas, mas com a luta até o fim, o pagamento da dívida para com os trabalhadores. Uma plataforma sindical para a retirada das leis racistas, para a ocupação das fábricas que fecham e demitem, pela palavra de ordem: trabalho para todos, trabalhar menos!
 
Unidade do sindicalismo de base e de todos os trabalhadores! Greve por tempo indeterminado!
Derrubemos o governo Monti! Por um governo dos trabalhadores!
 
Nota da redação: A manifestação também contou com a solidariedade aos moradores do Pinheirinho (ver foto).


[1] Cgil – Confederação Geral Italiana do Trabalho, Cisl – Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores, Uil – União Italiana do Trabalho.
[2] Lei Treu-Biaggi - prevê a flexibilização do trabalho, o trabalho temporário, part-time, na Itália, e enumera as circunstâncias em que esse trabalho se torna permanente.
[3] Liga Norte – Partido de direita e xenófobo, participou do governo Berlusconi.
[4] Fiom – Federação dos Empregados Operários Metalúgicos.
[5] Lei do Estatuto do Trabalhador – determina que a demissão só possa acontecer por justa causa ou motivo justo. É alvo da reforma trabalhista do governo para a flexibilização dos direitos trabalhistas.
 
Tradução: Nívia Leão

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