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Há 50 anos, na Bolívia: Donas de casa fazem a história PDF Imprimir E-mail
OPINIÃO
Qui, 16 de Junho de 2011 06:01
Em 2011 as mulheres trabalhadoras têm uma data muito significativa para comemorar: há 50 anos, surgia na Bolívia o Comitê de Donas de Casa da Mina Siglo XX, uma experiência de organização de mulheres que entrou para a história da classe trabalhadora mundial como exemplo da força e capacidade de luta das mulheres, por mais oprimidas que estejam. Corria o ano de 1961, o país era obrigado a suportar o governo de Paz Estenssoro. Foi uma época difícil, de fome, miséria e desemprego na Bolívia.

“As mulheres não podiam ficar tranquilas, vendo todas as lutas do povo para melhorar sua condição”, conta Domitila Barrios de Chungara, nascida nos Andes bolivianos, esposa de um trabalhador mineiro, mãe de sete filhos e uma das dirigentes do Comitê de Donas de Casa da Mina Siglo XX.

No início, nós tínhamos a mentalidade em que havíamos sido educadas, de que a mulher foi feita para a casa, para o lar, para cuidar dos filhos e cozinhar, e não tem capacidade de assimilar outras coisas de tipo social, sindical ou político, por exemplo. Mas a necessidade nos levou a nos organizarmos. Fizemos isso com muito sofrimento e agora podemos dizer que os mineiros contam com um aliado a mais, um aliado que custou muito sacrifício, mas que se tornou um aliado bastante forte e que é o Comitê de Donas de Casa, a organização que surgiu primeiro na Siglo XX e agora existe em outras minas nacionalizadas.
 
A empresa que controlava a mina Siglo XX começou o ano de 1961 sem pagar os salários aos mineiros. Três meses se passaram e nada. Não havia mais comida, remédios, roupas para vestir. E os mineiros resolveram se organizar para fazer uma marcha até La Paz. “A marcha consistia em ir todos a pé, com suas esposas e seus filhos, até a capital. Era uma marcha muito longa, porque La Paz está bem longe (335 km). Mas o governo ficou sabendo de nossos planos e atacaram antes. Prenderam nossos dirigentes e os levaram para a cadeia, em La Paz. Então, suas companheiras foram, uma a uma, exigir que soltassem seus esposos. Mas em La Paz se comportaram de forma grosseira com elas e trataram de pressioná-las, de prendê-las, de abusar sexualmente delas. Cada uma que regressava, voltava desmoralizada. Reuniram-se no Sindicato e começaram a se queixar, contando o que havia ocorrido. E ali surgiu a ideia: ‘Se em vez de ir assim, cada uma por sua conta, nos unirmos todas e formos em conjunto reclamar em La Paz, o que vai acontecer? Talvez possamos nos cuidar mutuamente e conseguir algo’.
 
Foi o que fizeram. Todas se uniram, inclusive aquelas cujo marido não fora preso, pegaram seus filhos e tomaram o rumo da capital. Mas, uma vez em La Paz, não tinham ideia de onde e com quem reclamar. Ouviram falar que naqueles dias iria acontecer uma reunião de ministros e que um representante dos trabalhadores iria participar. E que elas deveriam aproveitar a oportunidade e apoiar o pedido do companheiro gritando: “Liberdade, liberdade para nossos esposos!
 
As “barzolas” aparecem

E assim foi. Mas no momento em que gritaram, uma surpresa. Outras mulheres da cidade começaram também a gritar, mas contra elas, e a agredi-las com tomates, ameaçando roubar seus filhos para intimidá-las. Depois ficaram sabendo que eram mulheres que apoiavam o governo, conhecidas como “barzolas”.

As “barzolas” constituem um capítulo triste na história da mulher na Bolívia. Eram mulheres que os militantes do MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário) organizaram e que assumiram o nome de Maria Barzola, mas não cumpriram o mesmo papel que ela quando pedia um tratamento justo para os operários. Maria Barzola era uma mulher do povoado de Llallagua. Em 1942, houve uma grande manifestação para reivindicar aumento de salários aos antigos donos das minas, e ela se colocou na linha de frente, com uma bandeira nas mãos. Quando se aproximavam de Catavi, onde ficava a gerência da mina, o exército chegou e atirou contra a multidão, provocando um terrível massacre. Maria Barzola foi a primeira a tombar, e por isso o lugar foi batizado de “a pampa de Maria Barzola”.

As “barzolas” do MNR não tinham nada a ver com Barzola e as outras mulheres que lutaram em 1942. Em 1961, elas se dedicaram a servir aos interesses de seu partido, que estava no governo, e ajudavam a reprimir o povo. Serviram como instrumento de repressão. Por isso, na Bolívia, há um sentimento de rancor contra as “barzolas”. Conta Domitila que em La Paz, quando havia um setor da classe trabalhadora que reivindicava algo, as “barzolas” os agrediam usando navalhas, facões, chicotes, e também atacavam as pessoas que apoiavam a manifestação. No Parlamento, elas ficavam de pé e, quando alguém falava contra o MNR, elas atiravam tomates e outros objetos para obrigar a pessoa a se calar.

Assim, em vez de servir para promover a mulher na Bolívia, esse movimento serviu apenas como um instrumento de repressão. Por isso, quando alguém se vende ao governo ou há uma mulher-agente, no povoado se diz: ‘Não se meta com ela, é uma barzola’. É uma pena que essa personagem histórica de nosso povo tenha sido tão deturpada, diz Domitila.

Depois do confronto com as “barzolas”, as donas de casa que estavam em La Paz se declararam em greve de fome. À noite, chegou San Román, o temido chefe de polícia que ninguém queria encontrar. Diante dele, uma das mulheres se levantou, encarou-o e disse: “O senhor sabe muito bem que não temos armas para nos defender de seus verdugos. Mas, se algo acontecer conosco, vamos voar para os ares todos juntos, no mesmo instante. (...) porque só dispomos de dinamite aqui”. Ela abriu a bolsa e pediu um fósforo. Mas, enquanto as companheiras procuravam o fósforo, San Román e seu grupo saíram correndo.

O apoio dos operários das fábricas
 
Depois daquela primeira vitória, veio a segunda: os operários das fábricas próximas declararam seu apoio às donas de casa e as levaram naquela mesma noite para descansar na Federação Operária. Elas continuaram em greve de fome, e escreveram um documento pedindo a liberdade de seus companheiros, o pagamento dos salários para os trabalhadores, o abastecimento das pulperías (armazéns onde os mineiros compravam alimentos) e medicamentos para os hospitais.

A greve de fome – conta Domitila – consistia em que as companheiras não podiam se servir de qualquer alimento. Somente líquidos. E fizeram isso durante dez dias. Algumas estavam com seus filhos.”A greve ficou tão forte e causou tanta comoção que levou os estudantes universitários a se unirem a elas, e também os mineiros de outras minas começaram a chegar a La Paz, para se solidarizarem com as donas de casa. Temeroso, o governo teve de ceder: libertou os mineiros presos, a empresa pagou os salários atrasados e encheu a pulpería de alimentos. Foi uma grande vitória.

Nasce o Comitê de Donas de Casa
 
As mulheres voltaram para a Siglo XX, mas não sossegaram, pois chegaram à conclusão de que era necessário se organizar para continuar lutando junto com seus companheiros. Fizeram propaganda pelas ruas, reuniram-se e fundaram o Comitê de Donas de Casa da Mina Siglo XX. Eram sessenta mulheres.

Mas (...) vocês tinham de ver as gargalhadas que, nesse momento, os homens jogaram na nossa cara! Diziam: ‘as mulheres se organizaram numa frente! Deixe que façam! Essa frente não vai durar nem 48 horas. Elas mesmas vão se encarregar de destruir essa frente!’ , conta Domitila. Mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário: a organização cresceu e teve um papel muito importante, não somente para as próprias mulheres, mas para toda a classe trabalhadora.

No princípio, não foi fácil. Na primeira manifestação que ocorreu na Siglo XX depois de seu retorno de La Paz, as dirigentes do Comitê subiram no palco do Sindicato para falar. Os homens não estavam acostumados a ouvir uma mulher nas suas assembleias. E começaram a gritar: “Volte pra casa! Vá cozinhar!”, e assobiavam. Mas havia elas estavam tão decididas e tinham tanto desejo de colaborar que não desistiram. Choravam de raiva e de impotência, mas seguiram em frente. E pegaram uma máquina de escrever e lançaram comunicados de apoio aos trabalhadores, que pressionavam para que fossem lidos nas emissoras de rádio dos mineiros, dando seus pontos de vista sobre a situação. Diziam, por exemplo, que como esposas dos trabalhadores, elas não estavam de acordo com aquele programa econômico implantado pelo governo e faziam um chamado a todos que pensassem nisso. Mandavam cartas ao presidente e os ministros, à Federação dos Mineiros e à COB (Central Operária Boliviana). Vigiavam a pulpería para ver se as pessoas eram bem tratadas, se havia os alimentos adequados. Visitavam as escolas para ver se as crianças estavam sendo bem atendidas, experimentavam a merenda escolar para ver se estava em bom estado. Passavam pelo hospital para ver como os doentes estavam sendo tratados, se havia remédios e algodão. Lembra Domitila:

Elas trabalhavam muito, eram incansáveis, mas também padeciam muito. Uma de nossas companheiras morreu na segunda greve de fome, que fizemos em 1963. Era a companheira Manuela de Sejas. Seus intestinos secaram muito; tiveram de fazer uma cirurgia e ela morreu, deixando oito filhos órfãos. Muitas companheiras abortaram em greves de fome. Outras tiveram filhos muito anêmicos.
 
Várias ficaram doentes pelo que sofreram, mas não abandonavam seu posto. O Comitê de Donas de Casa se encarregava das guardas noturnas, de cuidar dos bens do Sindicato, como a sede, a emissora de rádio e a biblioteca. “Algumas vezes pegavam o microfone da rádio sindical e nos faziam escutar a sua voz, nos orientando.
 
Repressão e machismo
 
Tudo isso chamou a atenção do governo, e quando Barrientos tomou posse, em 1964, a vigilância ficou maior. Em 1965, o dirigente da COB Juan Lechín Oquendo foi preso e deportado para o Paraguai. Em seguida, prenderam vários dirigentes mineiros, inclusive todos os que cuidavam da emissora de rádio e do jornal do Sindicato. E atacaram também o Comitê de Donas de Casa. Identificaram os mineiros que eram casados com as ativistas e os deportaram para a Argentina. E lhes diziam: “não estamos deportando-o por um problema sindical ou político, porque o senhor é um operário honrado e trabalhador, e estamos satisfeitos com seu trabalho. Mas não estamos satisfeitos com o fato de que o senhor tenha permitido que sua esposa se preste a interesses estrangeiros”. Depois de deportar o marido, expulsavam as mulheres das casas, e elas tinham que manter as famílias sozinhas.

Domitila, que entrara no Comitê em 1963, conta que, naquela época, elas não contavam com muita solidariedade dos demais, porque os homens não viam a importância da organização das mulheres, não queriam entender, parecia-lhes fora de lugar. O Comitê também sofreu discriminação por parte de outras organizações femininas, sobretudo das mulheres cristãs. Elas formavam um Movimento Familiar Cristão que odiava as Donas de Casa, chamavam-nas de hereges e procuravam desacreditá-las diante da sociedade. Cansada, Domitila foi falar com elas. “Eu perguntei a elas se por acaso, quando um governo massacrava o povo, era ou não era justo denunciar? E se elas estavam de acordo com aquelas medidas econômicas que o governo havia adotado. Ao final, perguntei se o governo dizia às cristãs: ‘bom, estas são cristãs, então temos de pagar-lhes um salário maior’, ou se as medidas econômicas nos afetavam a todos, igualmente. E se, por amor ao próximo, era justo ou não nos unirmos e lutarmos pelos direitos dos trabalhadores. Então, elas disseram que sim, que eu tinha razão e resolveram aderir ao Comitê.

Em relação aos homens, Domitila pensava que cerca de 40% ainda resistia a que suas companheiras participassem do movimento. Alguns por medo de perder o emprego, outros por medo de receber represálias, outros temendo que falassem mal de suas esposas. “Porque sempre, apesar de nossa conduta, apesar de que os companheiros que estão na direção nos respeitem, ainda há gente que fala mal de nós, especialmente aqueles que não compreendem, esses que são machistas, essa gente que diz que a mulher deve estar na casa e viver somente para o lar e não se meter em política. Essa gente antiquada sempre anda inventando histórias. Por exemplo, diziam que nós éramos amantes dos dirigentes, que nos metemos no Sindicato por estarmos vivendo uma aventura amorosa. Então, por temor a tudo isso, muitos companheiros não deixam que suas mulheres participem das manifestações, do Comitê, de nada, e nem que elas frequentem o Sindicato. Mas, para nós, o Sindicato é o local de reunião da classe trabalhadora, é mais que um templo, é sagrado. Nos custou muito sangue construir aquele edifício. E nós, no Sindicato, nos reunimos para tratar dos problemas da classe trabalhadora e nossos companheiros têm que nos tratar como suas companheiras, suas aliadas, no mesmo plano que eles, e não em outro plano.”
 
Domitila conta que algumas mulheres só participavam quando ocorria algo muito especial. Por exemplo, quando convocaram a manifestação para exigir aumento de salário em 1973, cerca de cinco mil mulheres participaram. E quando voltaram para casa, muitas foram espancadas por seus maridos, que diziam que elas eram donas de casa e não tinham nada a ver com política. A situação ficou tão grave que, finalmente, o Comitê resolveu falar na rádio: “Aqueles companheiros que agrediram suas esposas devem ser agentes do governo. Só assim se justifica que eles estejam contra que suas companheiras tenham pedido o que, por justiça, nos corresponde. E como é possível que tenham se irritado com um protesto que fizemos de forma conjunta e no qual todos saíram beneficiados?
 
Assim, o Comitê foi progredindo e conquistando autoridade no calor das lutas mineiras na Bolívia durante os anos 70. Em 1973, Domitila e outras duas mulheres foram eleitas delegadas do Comitê de Donas de Casa para participar do Congresso de Trabalhadores de Huanuni, onde se reuniram quinhentos mineiros. Mas, na última hora, as outras duas não puderam seguir viagem, e Domitila foi sozinha. “Vários de nós ficamos alojados em um único quarto, porque não tínhamos dinheiro para ter um quarto para cada um. Deram-nos uma sala em uma escola, com camas, e eu fiquei no canto que me correspondia. Todos meus companheiros, sem exceção, respeitaram minha condição de mulher casada e com filhos. Ali estávamos doze ou treze no mesmo quarto. Falamos dos problemas da classe trabalhadora, contamos alguns casos engraçados que haviam ocorrido conosco em congressos anteriores, e ninguém me faltou com o respeito. Meu companheiro sabia que eu iria estar nessa situação, mas não desconfiou de mim. E assim pude participar do congresso em nome do Comitê, levando ali a nossa palavra.”
 
1976 – “Lo que clama mi pueblo
 
O povo boliviano amargava o governo Banzer, que lançou um pacote econômico brutal, desvalorizando a moeda, arrochando os salários e aumentando o custo de vida. No Primeiro de Maio, ocorreu um Congresso em Corocoro com representantes de todos os sindicatos mineiros. O Comitê de Donas de Casa da Siglo XX enviou duas representantes, bem como o Comitê de Donas de Casa de Catavi. Nesse Congresso, foram repudiadas as medidas econômicas do governo e declarada solidariedade aos presos políticos e exilados. Exigiram melhores salários, pagamento de indenização para aqueles que adoeciam por trabalhar nas minas. As reivindicações das mulheres também foram incorporadas. As viúvas daqueles que morriam nas minas recebiam uma pensão somente até cinco anos depois da morte do marido, e perdiam-na caso voltassem a se casar. A exigência era de que a pensão não fosse retirada.

A participação das mulheres no Congresso de Corocoro foi muito importante. Já na primeira intervenção de Domitila, ela disse que as mulheres se sentiam felizes porque os operários puderam realizar o Congresso, mesmo proibido pelo governo. E que os homens deviam levar em conta que eles não estavam sozinhos nessa luta, “porque em cada casa somos todos explorados pelo patrão, porque todo o trabalho que fazemos na casa não é reconhecido e seria um erro pensar que somente o trabalhador assalariado é explorado; sua família também é.” E fez um apelo para que o Congresso votasse um documento que fosse bom para toda a classe trabalhadora, tanto para os homens como para as mulheres.

O discurso de Domilita foi transmitido pela rádio e ela foi convidada para fazer uma palestra em uma escola da região. Depois da palestra, os alunos decidiram que ela deveria falar com suas mães. “Eu aceitei e marcamos dia e hora, e quando cheguei lá estavam eles, com suas mães e seus pais. Foi uma reunião muito boa, em que se organizou o Comitê de Donas de Casa de Corocoro, cuja presidente era uma cholita. ”
 
Aliás, essa foi uma das propostas aprovadas no Congresso: a organização de Comitês de Donas de Casa em todas as minas. Mas, logo em seguida, o governo desatou uma repressão tremenda contra os trabalhadores, muitos dirigentes foram presos, outros deportados. O Comitê de Donas de Casa da Siglo XX foi ocupado pelas mulheres nacionalistas (defensoras do governo), que lançavam manifestos em seu nome e ofereciam bolsas de estudo para as crianças, como forma de destruir a luta. Inclusive algumas das secretárias do Comitê colaboraram com essas mulheres, que queriam transformá-lo em uma organização nacionalista para apoiar o governo. Assim, o Comitê de Donas de Casa da Siglo XX foi destruído. Ele chegou a ser uma forma de organização de mulheres para lutar. Quando a luta foi reprimida, a classe trabalhadora perdeu também o Comitê.
 
Essa experiência tão rica e que deixa tantas lições para as mulheres trabalhadoras está completando meio século. Mas parece que foi ontem, tão vivo é o relato de Domitila, uma das grandes dirigentes que a classe trabalhadora já teve e que serve de inspiração para todas as mulheres revolucionárias de hoje. O depoimento completo de Domitila, do qual foram citados aqui alguns trechos, encontra-se no livro de Moema Vizzer Si me permiten hablar, editado pela primeira vez em 1977. Encerramos este artigo de homenagem a Domitila com as palavras finais de seu depoimento:

Meu povo não está lutando por uma conquista pequena, por um pouquinho de aumento de salário aqui, um pequeno paliativo ali. Não. Meu povo está se preparando para expulsar para sempre do país o capitalismo e seus servos internos e externos. Meu povo está lutando para chegar ao socialismo. Eu afirmo isso. E não estou inventando. Foi proclamado em um Congresso da COB: ‘A Bolívia somente será livre quando for um país socialista’. E qualquer um que duvide disso, quando tiver a oportunidade de vir à Bolívia, vai se convencer de que é isto o que clama meu povo.
 

Hoje com 74 anos, Domitila vive em Cochabamba, em uma casa simples no bairro humilde de Hayrakasa, com quatro de seus sete filhos (os demais já faleceram). Em 1980, quando voltava da Dinamarca, onde participara da Conferência de Mulheres, foi proibida de entrar na Bolívia por causa do golpe de Estado de Garcia Meza. Passou todo o tempo em que esteve no exílio denunciando o regime militar no seu país e solidarizando-se com os trabalhadores. Sem ter a menor idéia do que havia ocorrido com sua família, ela retornou em 1982, e descobriu que seu pai e sua irmã haviam falecido.

 

Uma das mil mulheres que já foram propostas para receber o prêmio Nobel da Paz em 2005, Domitila, esposa de um trabalhador mineiro e mãe de sete filhos, nasceu em 27 de maio de 1937 na mina Siglo XX, em Potosi, na Bolívia. Enfrentando o machismo como mulher, a discriminação como indígena e pobre, ela soube dedicar cada minuto de sua vida à luta por um mundo melhor para os trabalhadores e pobres. “Com minha luta eu quero deixar para as futuras gerações a única herança realmente válida: um país livre e justiça social. A última informação que tivemos de Domitila era que estava internada em um hospital em Cochabamba.

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