Nesta campanha eleitoral – segundo a consultora Etellekt – foram assassinados 88 candidatos ou aspirantes a candidatos. A violência se concentra nas disputas municipais. O Presidente López Obrador diz que “alguns meios de comunicação ‘ aumentam’ os atentados e assassinatos de candidatos a fim de ‘complicar’ o ambiente para as próximas eleições”. Ao expressar “condolências” aos seus familiares, Andrés Manoel López Obrador (AMLO) declarou: “Procuremos todos viver em paz, para que ninguém seja agredido e para que haja ética na mídia, menos sensacionalismo, ainda quando haja divergências, podemos resolvê-los com argumentos, com debate, nos respeitando”.

Por: CST-México

Outros, como o Instituto Nacional Eleitoral, se perguntaram “Democracia em perigo?” E a consultora Etellekt alertou no início de maio: “a violência política é um ataque à democracia e compromete a integridade, independência e autonomia das futuras autoridades”.

Acreditamos que tanto o presidente quanto os consultores ou institutos eleitorais agem com hipocrisia e eles ocultam intencionalmente a verdadeira realidade e suas causas. A violência política que sofremos – tanto por causa de parte das instituições, como o crime organizado – mais do que um ataque a uma suposta “democracia” hoje inexistente, é parte integrante deste regime de “democracia dos ricos e os criminosos” e do sistema político e eleitoral mexicano, existente há muitas décadas. Esses fatos revelam mais uma vez a falsidade, repetida insistentemente por AMLO, de que o “antigo regime ficou no passado e que tudo já mudou”.

O presidente é desmentido por sua própria Secretária de Segurança Pública

Rosa Icela Rodríguez, informou que acompanhou 398 casos de candidatos e candidatas que participam do presente processo eleitoral, dos quais 187 receberam ameaças, 101 relataram algum tipo de agressão e 11 foram sequestrados. Afirmou que foram atendidas 250 denúncias, a maioria concentrada em sete estados: Oaxaca, San Luis Potosí, Jalisco, Estado do México, Veracruz, Tamaulipas e Guerreiro. A participação da máfia em campanhas eleitorais, apresentando seus próprios candidatos e assassinando outros não é novidade no México. Em grande parte dos municípios de todo o país, os candidatos são “apadrinhados” por grupos regionais de poder, vinculados ao crime organizado. E os prefeitos estão na mira dos narcotraficantes. Porque visam controlar a polícia municipal, a mídia, o transporte local, bem como o controle das informações sobre a renda dos setores sociais passíveis de serem extorquidos.

Particularmente chocante foi o assassinato de Alma Barragán, candidata a prefeita da cidade de Moroleón, estado de Guanajuato, no centro do país. “Juntos, fazemos melhor”, dizia ela com entusiasmo, convidando seus seguidores para um ato. Logo depois, estava em uma maca crivada de balas. Não se sabia de antemão, de qualquer ameaça contra ela. No entanto, sua cidade natal está em um estado especialmente sitiado por grupos de mafiosos. Seu assassinato, em plena luz do dia durante um ato de campanha eleitoral, é apenas um dos muitos em uma espiral de violência política: no mesmo dia, houve um ataque contra um candidato a prefeito em um Balneário de Acapulco.

Pouco antes, três candidatos morreram em Puebla. Em Jalisco, o candidato a prefeito recebeu uma cabeça de porco como ameaça. O nível de assassinatos de candidatos é proporcional ao nível de violência no país, nesses três anos foram os mais violentos da história, 85.000 homicídios dolosos no total. A taxa de impunidade para assassinos é de 98%.

As Forças Armadas: instituição estrela do governo AMLO

As chamadas “forças da ordem”, para as quais foram recrutados mais 150.000 membros da Guarda Nacional, com 161 quartéis espalhados pelo território, além dos do Exército e da Marinha, mostram que mais que uma solução para a violência é parte do problema, cujo centro está no poder político. Uma enorme evidência é o caso do general “padrinho” Cienfuegos, ex-secretário de defesa de Peña Nieto, em que o presidente e o chanceler pactuaram com Trump o “resgate urgente” dos tribunais dos Estados Unidos, para que a Procuradoria Geral da República do México rapidamente “engavetasse” o caso e declarasse que não há nenhuma evidência consistente para acusá-lo.

A campanha cheira mal, porque esse regime está podre.

Política é economia concentrada: os assassinatos são apenas a ponta do iceberg. A ação da máfia menos visível é o financiamento de campanhas: uma enxurrada de dinheiro ilegal continua entrando nas campanhas para comprar votos e candidatos. A influência dos cartéis e seu controle, de fato, em algumas regiões são evidentes.

Com maior ou menor número de assassinatos, sequestros ou ameaças, de acordo com as regiões e estados, esta campanha mostra que a decomposição do regime continua e não mudou para melhor. Governistas ou opositores são indistinguíveis em seu estado de putrefação. Vale tudo para esses “chapulines[1], que saltam de um partido a outro para obter uma candidatura ou para apoiar outra em troca de um bom pagamento. Além disso, entre os candidatos, não há apenas muitos representantes diretos dos narcotraficantes, mas uma predominância avassaladora de ricos empresários, comerciantes ou antigos burocratas sindicais e seus parentes, alguns dos quais cultivavam uma “imagem de respeitáveis” ou com “sensibilidade social”. A maioria são senadores hoje e estão concorrendo a governadores ou deputados estaduais e almejam a deputados federais … Todos esses supostos “representantes populares” desmentem a indignante falsidade do repetido slogan presidencial “pelo bem de todos, primeiro os pobres”. Porque essa elite de políticos com muito e mal ganhado dinheiro, recruta para as suas campanhas os que ficaram “órfãos”, sem candidatura, oferecendo-lhes um “ossinho” em caso de vitória.

Por isso, mais uma vez, apelamos a não validar, com o voto dos trabalhadores,  o imperante chiqueiro dos ricos. Vamos votar contra todos eles! Vamos riscar a cédula inteira!

[1] Personagem que salta de um cargo público para outro sem qualquer rubor ou compromisso https://www.milenio.com/opinion/tomas-cano-montufar/para-leer-politica/nueva-especie-de-chapulines

Tradução: Vitor Jambo