A Frente Guasu, sob a batuta de Lugo, porém com a partitura de Cartes e o Partido Colorado, continua seu caminho à adaptação ao regime político das classes dominantes.

O ex-presidente e senador eleito Fernando Lugo e o presidente eleito Horacio Cartes anunciaram, entre amplos sorrisos, que as agendas da Frente Guasu e de Cartes – Partido Colorado, têm “ampla coincidência”. Ambos se mostraram felizes durante a entrevista que concederam na residência de Lugo, promovida pelo amigo comum, o surrupiador de terras públicas, Juan Afara, vice-presidente de Cartes.

Porém, é possível que a agenda das esquerdas (Convergência Popular Socialista – Hugo Richer, Partido Comunista – Najeede Amado, o Movimento Patriótico Popular – Belarminio Balbuena), que integram a Frente Guasu, coincida com a do mafioso e multimilionário expoente do que há de mais conservador e reacionário, como é Cartes?

À luz dos fatos, a resposta é afirmativa. Primeiro, porque a agenda da Frente Guasu é sem substância, vazia e submissa ao regime, assimilável e acomodável pelo sistema capitalista, mesmo por suas expressões mais reacionárias; segundo, porque estas “esquerdas” se jogam hoje para serem “algo maior na realidade”, renunciando às suas agendas de esquerda, ainda que às custas de se desfigurarem por completo; terceiro, porque vivem de prestígio alheio, no sentido de que é Fernando Lugo quem tem “os votos” e por isso tratam de acomodar-se à sua sombra, respaldando todo seu entreguismo e a sua venenosa conciliação; e quarto, porque esta esquerda, há tempos que vem tomando um “novo rumo”, se dirigindo a posições oportunistas, ao reformismo, que se sintetizam na sua completa adaptação ao regime social e político do capitalismo.

Coincidência nas posições reacionárias

“Não faremos oposição irracional, não teremos motivos de fazer oposição por oposição” afirmou presunçoso o ex-bispo.

Afinal, senhor Lugo e companheiros da Frente Guasu: fazer oposição à burguesia e seu próximo governo colorado é um jogo de cena ou só uma pose simpática? Existe alguma possibilidade de que Cartes e todas as fracções burguesas, e a alta burocracia colorada que vem detrás dele, se tornem esquerdistas e venham a dar soluções reais ao desemprego, à pobreza, à exploração e opressão que castigam a grande maioria do nosso povo?

Nada disso. O que se passa realmente é que a agenda e a estratégia de Lugo e a Frente Guasu deram um profundo e categórico giro à direita. Como no passado, Lugo e seus seguidores da esquerda, vão terminar cozidos seu próprio azeite, com a estratégia de “cair bem” à burguesia rançosa.

Isso não seria o pior, já que fizeram por merecer. O pior é que esses irresponsáveis plantam e colhem: conduzem – uma vez mais – milhares de trabalhadores e trabalhadoras, que lhes têm confiança, a aprenderem a dança ao som da música burguesa, e assim os leva à desmobilização e desmoralização, à derrota, como já ocorreu no passado.

Lugo e seus “acólitos” da esquerda socialdemocrata, não param de envenenar a consciência de milhares de trabalhadores e camponeses, insuflando a confiança no caminho “do diálogo, do pacto e dos acordos” com a burguesia para supostamente “perturbar” e “enganar” os burgueses. O mesmo discurso de quando estavam no governo.

“Migalhismo” político como programa

O pior é que se contentam em tirar algumas migalhas. O “migalhismo” político se converteu no programa e na agenda da Frente Guasu. Dessa maneira, não é de se estranhar que tenham coincidência de “agendas” com Cartes ou com qualquer representante da burguesia.

Mario Ferreiro, Camilo Soares e companhia, não ficaram atrás. Se esforçaram e seguem se esforçando para serem os eleitos de Cartes e o Partido Colorado: e para isso só apresentam propostas que levem à coincidência de agendas.

Francamente é triste este desfile de oportunismo que nos dá esta esquerda luguista, tratando de cair nas graças de Cartes, que no período eleitoral era qualificado como a pior praga e o arqui-inimigo.

Cartes busca governabilidade, para que?

Cartes busca paz social e sossego político. E quem imaginava que Sixto, Lugo, Richer, Belarmino, Camilo, Roció, Karina e Carrilo Iramain, iriam postular ser seus principais colaboradores?

Porém, para que e para quem Cartes quer a governabilidade? A governabilidade que necessitam Cartes e o Partido Colorado é para que possam governar tranquilos enquanto seguem embolsando milhares de milhão de dólares. É a governabilidade que será garantida pelos parlamentares de Frente Guasu, com a aprovação do Orçamento Geral da Nação, com todos os cortes exigidos pelo Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial. É a paz social que requerem para governar para os sojeiros, os pecuaristas, os frigoríficos, as indústrias, o agronegócio, os grandes comércios, os bancos e financeiras.

É a tranquilidade que requerem para garantir que a economia do país está a serviço do capital, para beneficio absoluto de um punhado de capitalistas nacionais e do capital transnacional. É a necessidade que as lutas de protestos dos trabalhadores e o povo sejam contidas e desviadas para o ponto morto das contidas mesas de negociação.

Esta não é a governabilidade que o povo trabalhador do campo e da cidade necessitam!

Abaixo a governabilidade para as minorias!

Nosso máximo repúdio às políticas da Frente Gusu e “Avança País”!

Reorganização, coordenação e unidade das lutas

Os seguidores desses partidos políticos devem exigir que seus dirigentes deixem de ser os peão no tabuleiro de xadrez do Partido Colorado. Que abandonem seu “migalhismo” político e que se coloquem a serviço da reorganização e da luta, que é o caminho que o trabalhador deve seguir para encontrar soluções a seus problemas e necessidades.

Desde o Partido dos Trabalhadores (PT), denunciamos uma vez mais, a estratégia da conciliação de classes e da suposta “oposição responsável”, que não é outra coisa que a submissão ao poder e à riqueza crescente das minorias de nosso país.

Convocamos as e os dirigentes operários, camponeses e populares a trilharmos o caminho da unidade norteados por um programa básico, que coloque a estabilidade no trabalho e aumento salarial, a recuperação da jornada de trabalho de seis horas para o funcionalismo público, a reforma agrária que exproprie a terra, o imposto da exportação da soja e carne, o aumento do imposto aos ricos, às minorias proprietárias e aos latifúndios, entre os pontos centrais, e que iniciemos uma series de ações que apontem para o bem estar e para a vida digna que necessitamos os trabalhadores e o povo.

Tradução: Marco Antonio Oliva Monje