Nesta causa houve mais de 100 testemunhas, a grande parte membros da Polícia, membros da Defensoria do Povo. No meu caso, a Procuradoria notificou que estava identificado no processo em janeiro de 2018, foi autorizado um acompanhamento de intervenção externa, telefônicas, a partir de abril de 2018, acompanhamentos por parte de membros da Polícia Federal que estiveram declarando neste julgamento durante meses e me detiveram nove meses depois dos fatos onde se afirmava que iriam provar acusações, inclusive mais graves do que no final apresentaram nesta audiência.

Sem estar neste tempo de debate, me ponho a refletir que todo esse gasto de dinheiro que foi usado, utilizado, não apenas no acompanhamento, mas também do Poder Judiciário de autorizar às empresas telefônicas, de que usar todas minhas chamadas, avisar as empresas de transporte aéreo, de todo meu monitoramento, e vejo ao mesmo tempo que todo esse dinheiro foi utilizado e que as provas que supostamente apareceriam, não apareceram. E ao mesmo tempo vejo que neste país temos quase 60% de crianças abaixo da linha da pobreza. Então, nessa parte é onde reflito sobre qual é a ação da justiça e  em particular o que me aconteceu.

Estive detido 13 meses e afirmamos que houve uma perseguição política. E durante este julgamento abriu-se outro processo judicial e não é o único processo judicial que tenho neste mesmo tribunal de Comodoro Py. Em outra Vara da justiça está em andamento um processo por espionagem ilegal do Governo anterior no qual membros do Serviço Penitenciário Federal estão envolvidos com provas, de que não somente faziam informes das minhas tarefas dentro da penitenciária, mas também gravavam minhas conversações telefônicas e informavam cada uma das minhas visitas, inclusive as que tinha com meu advogado. Isso está em outra parte, em outro tribunal, com provas de que houve uma perseguição política por parte de membros do Governo anterior. E neste sentido, entendemos porque a campanha midiática contra a manifestação, para mim tem um objetivo nesta reflexão, que tem a ver porque o Grupo Clarín colocou Sebastián Romero rapidamente como se fosse um terrorista e quando se explica porque, e se explica, e eu procuro entender porque, vejo que passaram-se os anos e está se sabendo a verdade e apareceram os Panamá Papers, apareceram a fuga de bilhões de pesos, e se vê que o Grupo Clarín é um dos que mais jogaram dinheiro, então, em benefício do saque, do acordo com o Fundo Monetário, do acordo com o Banco Mundial, e do acordo da fuga de capitais, os meios de comunicação cumprem um papel. E não é casual que o processo comece com uma foto de Sebastián Romero, não é casual, então, do meu ponto de vista, para refletir todo esse processo de que não houve uma questão independente para poder levar adiante este processo.

Então, muitas vezes nas quais foram me negando cada um dos pedidos de liberdade, afirmamos, está no arquivo e  pode ser lido, que nós dizíamos que  no máximo, ainda que fosse culpado do que nos acusam, seriam três anos, e cada uma das contestações das diferentes Procuradorias, a da Instrução que se deu neste Tribunal, nos Tribunais superiores, afirmavam que isso era não comprovável, e de onde tiramos esse número. E é o que o procurador nos propõe, uma condenação de três anos.

Então, nesse marco geral tive que comer durante 13 meses detido. Entendo que o objetivo pelo qual estava detido era que se alguma vez eu poderia falar ou o assédio para dizer onde estaria Sebastián Romero durante todo esse tempo, a recompensa de um milhão de pesos pela entrada de dados. E me mandam para uma penitenciária que estava com superpopulação carcerária, onde está denunciado em vários destes Tribunais aqui, onde levantaram a superpopulação carcerária, onde havia despachos da própria Justiça dizendo que por favor liberem um pouco a quantidade de presos que estavam em cada uma das penitenciárias e cárceres. Ainda assim tendo em conta esse risco da superpopulação, minha liberdade foi negada novamente.

Então, reflito nesse sentido, que acredito que há muito por que mudar. Não foi um processo justo. Mas também reflito que o que está sendo discutido aqui é se nós trabalhadores temos ou não o direito de nos defendermos de uma repressão. Então o que está colocado aqui é uma atitude nossa, mas em um contexto no qual as Procuradorias de Instrução têm tanto levantado. E eu não vou questionar a atitude dos diferentes procuradores que passaram por este processo porque em última instância, em última instância o que estão fazendo é levar adiante o Código Penal, um Código Penal que quero afirmar começou em 1921, um Código Penal onde as pessoas votavam e as mulheres não votavam, onde somente os ricos podiam fazer as leis e neste Código Penal onde os ricos fizeram as leis para seu grande benefício, para os ricos.

E nessa parte também temos que refletir, o que temos que mudar, por que digo isto? Porque vejam como é a chibata. Mauricio Macri, a família Macri, enquanto esteve a cargo do Correio está comprovado que roubaram bilhões de dólares do Correio, e não passaram nem um dia presa, a família Macri. E “Pepín” Rodríguez, é foragido da Justiça, dá coletivas de imprensa no Uruguai, é noticiado pelo jornal La Nación, que nos acusou de terroristas. E vejam, como é a questão? Quando Sebastián Romero enviou uma carta em seu facebook houve mandatos de busca, tudo foi movido, para ver se encontravam Sebastián Romero. Quando Sebastián Romero enviou um áudio saudando a Revolução Chilena, houve pedido de investigação para confiscar a saída das IP cada uma dessas questões. “Pepín” Rodríguez dá uma coletiva com um jornalista do jornal La Nación e não houve nenhum pedido de nenhum promotor dizendo porque não o buscam, se está foragido da Justiça. Então aí acredito, reflito que também há diferentes práticas com respeito aos trabalhadores, aos lutadores e com alguns membros de famílias dos ricos.

Então, considero que o que estava sendo discutido aqui, tem a ver com a questão da autodefesa e que temos o direito de nos defendermos ante uma repressão, porque o que está em jogo são bilhões de dólares, e aquele que é um trabalhador petroleiro, atualmente a Reforma Trabalhista está sendo discutida nos campos petrolíferos, para que vocês saibam o que vai acontecer e o que eu quero antecipar agora. A principal empresa de serviços petroleiros se chama San Antonio Internacional, que tem 3.400 trabalhadores em todo o país e está pagando em parcelas, afirmando para cada um dos sindicatos que está “sobrando” gente. Em Chubut somente “sobram” 200 trabalhadores porque são muitos os custos e a resposta dos trabalhadores será a organização e vão lutar, e quando lutarem terão que tomar as fábricas, terão que tomar os campos petrolíferos, para defender seu posto de trabalho, sua vida, para que sua família não caia no esquecimento, para que possam ter estudo. E quando isso ocorrer, certamente o Código Penal que é de 1921 vai julgá-los. E essa proposta a respeito de qual é o principal direito, acredito que seja o que está sendo discutido, foi discutido durante toda a audiência e é a culminação. Por isso eu entendo que tem que haver um castigo para nós, do ponto de vista desse Código Penal, tem que haver um castigo porque este exemplo que estou apresentando da empresa SanAntonio Internacional de 3.400 trabalhadores a nível nacional, quando todos sabemos que um barril de petróleo vale 80 dólares, quando pagam em pesos, essa Reforma Trabalhista tem que dar um recado. Que para aquele que se opuser a essa Reforma Trabalhista vai acontecer o que aconteceu aos que se opuseram a uma Reforma da Previdência, e entendemos que essa é a mensagem, porque isso é o que diz o Código Penal Processual.

E nós entendemos esse jogo, e entendemos que o devem fazer. Mas também quero fazer uma reflexão neste sentido: que foram a mobilização e a ação direta deste povo que mudaram grande parte das coisas. Se não houvesse mobilização e ação direta e autodefesa deste povo, que em 1806 expulsaram as forças inglesas, hoje estaríamos e continuaríamos como colônia inglesa. Se não tivessem feito a de 1810, se não tivessem alterado a ordem estabelecida, continuaríamos sendo coroa espanhola. Se os grevistas da Patagônia Rebelde não tivessem se manifestado, hoje teríamos as piores condições trabalhistas da história. Este povo a fez em 17 de outubro de ’45, quando fez paralisações e mobilizações pelos seus direitos, se não houvesse ocorrido isso, a ditadura de Onganía  nunca teria caído com o Cordobazo, se não  tivéssemos feito isso,  se nós trabalhadores não tivéssemos nos mobilizado em plena Ditadura de ’82 ainda teríamos uma Ditadura Militar, e se nós não tivéssemos feito isso, os demitidos nos anos ’90, ainda teríamos um governo entreguista como o de Carlos Menem. Então cada uma das mudanças que este povo fez foi justamente com a mobilização e a ação direta, e por isso nós a reivindicamos como parte do protesto social.

E por isso entendemos que nesta luta e nesta desigualdade há uma violência concreta. No que consiste esta violência concreta? Não apenas quando você vai trabalhar, que os patrões, chefes te fazem trabalhar mais para que você ganhe menos e nós queremos trabalhar e viver dignamente com melhores salários, e isso gera conflitos. E quando o conflito é gerado haverá paralisação, mobilização e eliminação de colaboração, e isso, quando aparece isso, aparece justamente o papel do Estado. Então também quero e me ponho a pensar que o que aconteceu comigo e o que está acontecendo conosco neste Julgamento tem a ver com isso, porque quando o Estado intervém, não é que o Estado intervém como alguém, como um árbitro neutro. Pelo contrário, apoia as grandes multinacionais, apoia os grandes empresários, e isto aconteceu novamente.

Então, cada situação de arbitragem que é realizada em cada conflito e para poder reverter isso, precisamos fazer ações cada vez mais diretas como a greve, a ocupação da fábrica. Uma ocupação de fábrica é punível pelo Código Penal, mas faz parte da nossa luta, faz parte da decisão dos trabalhadores fazerem assembleia e usarem os métodos que considerem necessários para seu objetivo, então me ponho a refletir.

E escutava o senhor Promotor em sua alegação quando apresentava a questão da manifestação, da defesa da liberdade de expressão e da liberdade de manifestar-se e que toda essa situação de caos ia tecnicamente contra essa proposição. Mas também se lê as sentenças da Promotoria, sobretudo do senhor García Elorrio com o processo da  Austral. Então houve um acidente, em fins dos anos ’90, onde morreu muita gente, e há que se lembrar de que a Austral nesses anos foi privatizada pelo Governo de Menem e a entregaram aos espanhóis que desinvestiram. Esse desinvestimento, falta de renovação, salários baixos, provocou que as condições de voo fossem cada vez piores, e então se quis julgar, os familiares pediram para julgar os diretores da Austral e uma das resoluções foi que não havia elementos suficientes para  condená-los e foram absolvidos. O próprio Promotor, e me parece um raciocínio no sentido da lógica que se não está provado, poderia estar. Foi o revés comigo, porém me ponho a pensar ao revés, se os trabalhadores da Austral, vendo o desinvestimento, vendo a redução dos salários, vendo que não estavam fazendo a manutenção, tivessem feito uma greve para pedir melhores condições, para evitar acidentes, o mais provável era que aí estaria todo peso da lei. Seguramente esses grevistas que estariam pedindo melhores condições de trabalho, melhores condições do serviço da Austral, seriam os que estariam sendo julgados e pagariam sim com a prisão, esses sim estariam sendo processados. Não tenho dúvidas nesse sentido e essa é a desigualdade que vejo.

Então hoje entendo que tenho que ser condenado, porque o Código Penal está me dizendo, que tenho que ser condenado. Mas esta desigualdade, a que tem a ver com os patrões e os trabalhadores e na luta de classes que existe, ninguém a inventou, não é uma ideia, é algo concreto, é algo concreto, você vê que essa desigualdade desse sistema de exploração é transferida para todas as opressões. Então muitas vezes você tem ,veja, eu tenho uma filha de 20 anos que quando estava preso, a única coisa que pensava era: ”que não a matem”, porque morre uma mulher por dia neste país e minha filha estava sozinha, eu estava preso; e muitas vezes você vê, se indigna com as sentenças de muitos feminicidas que saem livres.

Então me detiveram por 13 meses e então, aí entendo também a lógica da Justiça e das opressões. Vejo muitas vezes os companheiros senegaleses que estão com suas mantas e estão vendendo produtos, que tiram deles porque a lei ou pelo Código Penal tem que tirar deles. Vejo muitos imigrantes, com muitos assédios, os povos originários com muitos assédios, então, nesse sentido a opressão e a desigualdade com a comunidade travesti, vejo muitas questões nas quais não posso afirmar que haja um sentido de Justiça e de equidade em todo esse processo. Porque o vejo em meu bairro, o vejo nos bairros e o vi também na Penal de Marcos Paz, onde estava cheio de pobres e excluídos do sistema.

Então eu me ponho a refletir que o que me aconteceu e o que aconteceu a César, Sebastián Romero, é algo que acontece no conjunto da América Latina, porque em última instância o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, a União Europeia, fazem planos de ajustes e os povos se levantam e se rebelam. E a ação é a mesma, são presos, balas, repressão. Então hoje ainda há milhares de presos pela revolta no Chile contra os 30 anos de um sistema neoliberal, há presos na Colômbia, há presos em Cuba, há presos nos EUA. Então vejo que a mensagem para nós é que temos que aceitar as coisas como são, que esse é o verdadeiro sistema, que tenho que aceitar as coisas como são. E pela história deste povo, eu não posso deixar, aceitar as coisas como são. Neste sentido temos que pedir a liberdade de todos os presos políticos, os presos políticos, que hoje estão em Cuba, que estão enfrentando um sistema de fome que hoje está acontecendo ali.

Creio que esse é o caminho que nos resta hoje para cada um de nós, avançar nesse sentido. E nesse sentido não basta apenas nos manifestarmos, fazer greve, fazer piquetes, defender-nos da repressão, temos que conseguir uma coordenação internacional, assim como o fez San Martín, assim como o fez Bolívar, quando se libertaram do opressor, do império, da coroa espanhola. Fizeram com os povos irmanados, e essa é uma das principais reflexões que faço, que apesar do castigo dos 13 meses na prisão, acredito que se não conseguirmos uma unidade latino-americana, estaremos cada vez pior.

E, nesse sentido, para ir finalizando, creio que nossa proposição central é que nesta sociedade não é possível continuar vivendo mais. Temos que conseguir outro sistema e nós consideramos, eu considero que é necessário um sistema socialista, onde os trabalhadores e trabalhadoras, os pobres deste mundo passemos a controlar as principais alavancas da economia, para que haja desenvolvimento, para que haja futuro. Porque atualmente, sou de uma cidade onde esta desigualdade se nota diariamente e o afirmei quando intervi, quando esse julgamento foi iniciado, que somos uma cidade  que tem mais de 100 anos de saque desde o descobrimento do petróleo. E outro dia houve um temporal de vento, mais de 160 vizinhos perderam seus tetos, porque houve rajadas de 180 kilômetros. E eu pergunto a cada um de vocês que está presente, nem sequer uma empresa petroleira doou uma chapa para esses vizinhos, quando o petróleo está ali embaixo. Houve uma inundação, não há muito tempo saiu em toda a mídia nacional, não colaboraram com nada. Houve um incêndio na cordilheira da minha província, em Chubut, muitos vizinhos perderam tudo e ninguém dá nada para essa gente. E todos os recursos saem da nossa província. E então, nós, eu, creio que todos esses recursos têm que estar a serviço do povo para que exista o trabalho genuíno para que gerem milhares e milhares de postos de trabalho, para que haja universidade Comodoro, em cada um dos lugares, e que possamos ser felizes.

Então este Código Penal não foi feito para que a comunidade seja feliz. Foi feito para proteger uma propriedade privada e condenar aqueles que lutamos. Está escrito assim. Eu não vou mudá-lo hoje, mas confio na mobilização e por isso confio que quando existir outro sistema que supere o capitalismo e que se chama socialismo, possamos começar a instalar outro tipo de sociedade, onde todos possamos trabalhar e a partir do trabalho, sermos felizes.

Esse é o nosso principal objetivo, por isso lutamos todos os dias. Então podemos ter uma lei, podemos conseguir um aumento salarial, que a longo prazo sempre terminamos perdendo e que é bem vindo, mas em última instância o que propomos é que é necessária uma revolução social, neste país e na América Latina e este é o caminho. Parte disso, da ação dos povos, e foi o que foi refletido no 18 de dezembro, milhares e milhares de trabalhadores e trabalhadoras disseram não ao Fundo Monetário, não à renegociação da Dívida, não à fuga de capitais. Porque hoje tudo veio à tona, os que mais jogaram capitais são os empresários, as grandes empresas, estão na lista, a lista, poderia nomear um montão de empresas, Arcor, General Deheza, a lista é interminável . Mas esses estão livres, ninguém está preso.

Se os que queremos reverter a situação estamos presos, se passamos pela prisão, e creio que esse é o centro desta situação. Então não somente considero que os povos tem que se irmanar para lutar contra o inimigo comum, mas também construir uma organização. Eu faço parte do PSTU e também faço parte da Liga Internacional dos Trabalhadores e da Rede Sindical Internacional e creio que este é o caminho, estarmos organizados em escala internacional para lutar da melhor maneira contra os mesmos inimigos que atacam a cada um de nossos países.

E então para encerrar quero afirmar que olhando para trás, geralmente eu nunca olho para trás em minha vida, sempre trato de olhar para frente, mas hoje, neste dia, tenho que olhar para trás e quando olho para trás, tenho que dizer que não me arrependo de nada, que naquele dia tive que fazer o que tinha que fazer, que era defender-me da repressão policial, defender os direitos dos trabalhadores, aposentados e aposentadas,  que o caminho é a mobilização e que estarei sempre nesse lugar. E em honra aos 30 mil desaparecidos, aos mártires da classe operária em todo o país, Víctor Choque, Teresa Rodríguez, Rafael Nahuel,  Santiago Maldonado, que deram a vida para que se coloque na mesa a questão dos povos originários, o povo mapuche, os povos tehuelches  Então não posso ir embora daqui sem afirmar que meu maior orgulho é ter estado sempre mobilizado com os que sentem a dor como eu sinto, com os que sentem a dor de uma mulher que morre por dia por feminicídio, pela quantidade de fome que há. Outro dia passei pela Villa 31, houve um despejo ali e vi a enorme desigualdade, porque o principal porto que gera bilhões de dólares, está em Porto Madero e no Porto de Buenos Aires, de onde saem todas as riquezas. E a alguns quarteirões dali está a pobreza, e se poderia gerar milhares de postos de trabalho e poderia haver desenvolvimento; perguntei aos vizinhos e vizinhas dali e não tem sequer um hospital de alta complexidade na Villa 31, e vivem milhares e milhares. E depois vejo que todos os políticos vão e tiram fotos, porém nenhum em tantos anos lhes deu um hospital de alta complexidade a essa gente, uma escola, uma universidade para que não tenham que ir tão longe, gerar um posto de trabalho bem pago e genuíno.

E então eu, para encerrar e agradecer por me escutarem, para além de que é meu direito, mas é bom que especialmente me escutem, afirmo que não somente não me arrependo, mas que estou convencido que cedo ou tarde a classe operária, os setores populares vão se organizar, vão escrever o Código Penal Processual e quando isso acontecer, o que reinará será a felicidade; e quando isso acontecer os que terão que ir para a prisão são os que mais saquearam este país, os que provocaram acidentes de trabalho, não somente o da Austral, mas nos campos petrolíferos  e em cada um dos lugares, mas que vão para a prisão os que tenham que ir para a prisão. Então nesse sentido, quero agradecer-lhes este espaço e dizer-lhes que na próxima luta onde tivermos que estar, condenado ou livre, estarei sempre lutando pelos trabalhadores e trabalhadoras da Argentina e do mundo. Muito obrigado.

Tradução: Lilian Enck