O governo decidiu por uma primeira flexibilização da quarentena desde segunda-feira, 13 de abril, em relação ao setor da construção civil. Essa medida implica, na prática, em suspensão quase total da quarentena com base na quantidade de trabalho mobilizada pelo setor. Assim como do restante da cadeia produtiva e do comércio que é mobilizado com ele; estamos falando de cerâmicas e olarias, empresas que fornecem materiais de construção, lojas de ferragens e lojas que fornecem alimentos para trabalhadores do ramo, envolvendo também a regulamentação do transporte público para garantir as atividades mencionadas.

Por: PT-Paraguai

Por outro lado, a extensão do período de quarentena para o restante da população, decretada pelo Governo até 19 de abril, será insuficiente até que se tenha a infraestrutura hospitalar relacionada às UTI, respiradores suficientes e suprimentos para a realização dos testes para quando a curva de contágio inicie sua subida mais acentuada, que, com certeza, não se sabe com a devida precisão quando isso aconteceria. Existem estimativas de que o pico começaria no final de maio e duraria até o final de junho aproximadamente .

Seria uma loucura completa flexibilizar a quarentena e expor milhares de trabalhadores à aglomeração desde o transporte público até os locais de trabalho. O cumprimento das medidas de higiene sanitária não seria suficiente para impedir o crescimento de infecções no contexto de uma flexibilização que não considere ter capacidade de resposta suficiente do ponto de vista da saúde, ainda mais levando em conta que por causa da época do ano as doenças respiratórias são mais comuns.

A outra face da crise

O governo não responde ao outro problema que traz a crise da saúde, a crise socioeconômica. Milhares de empregos foram perdidos, milhares de trabalhadores suspensos que ainda não têm acesso ao seguro-desemprego, aos quais deve ser acrescentada a ineficiência de subsídios a trabalhadores informais, assim como o fornecimento de alimentos básicos para milhares de famílias em uma situação vulnerável.

Em relação à ineficiência da gestão governamental em atender à população mais vulnerável, deve-se notar que os valores e prazos estabelecidos pelo governo para cobrir os efeitos da crise são absolutamente insuficientes. Os montantes estabelecidos para os programas “Ñangareko” e Pytyvõ são absolutamente insuficientes em termos de subsídios e o mesmo vale para o seguro-desemprego que equivale somente a metade do salário mínimo. Até agora, essas três formas de assistência social estavam previstas apenas para cobrir 2 meses, ou seja, dois desembolsos insignificantes.

Os programas de assistência do governo, no mínimo, devem garantir o salário mínimo, atualmente defasado em 30% devido aos preços da cesta básica da família.

Onde estão os 1,6 bilhões de dólares?

 Por outro lado, do endividamento aprovado pelo governo com a Lei de Emergência, são desconhecidos o valor executado e os objetivos investidos de acordo com os destinos estabelecidos na referida lei.

Não é possível que até o momento a reivindicação dos profissionais de saúde continue sendo a provisão de insumos básicos para atendimento, que não se saiba o número de suprimentos comprados para testes não, o número de respiradores comprados, assim como a quantidade de funcionários contratados, etc.

Além disso, o mais grave é que parte importante do empréstimo será destinada ao pagamento de vencimentos de parte da dívida externa contraída em anos anteriores. Em outras palavras, diante de tal crise, o governo não pensa na inviabilidade de continuar pagando a dívida nas precárias condições financeiras do país. A moratória do pagamento é uma medida mínima para tentar lidar com a crise da melhor maneira possível. Mas, para Benigno López, seria uma heresia apresentar tal proposta aos credores internacionais.

Se o Estado continuar encontrando obstáculos do setor privado para garantir o fornecimento de alimentos aos setores mais afetados pela fome, deve proceder ao confisco de alimentos e de produtos de necessidades básicas de grandes supermercados e distribuidores para evitar transbordamentos e contágios em massa.

Em resumo, como estamos hoje, não há condições de flexibilizar a quarentena até que sejam obtidos meios suficientes para proteger suficientemente o sistema de saúde e para ajudar a população que não pode mais suportar a incompetência do governo para enfrentar a situação de fome que vivem milhares de famílias trabalhadoras.

Tradução: Tae Amaru