Nas últimas semanas houve um importante debate na imprensa paraguaia, como ocorre em escala internacional entre o ativismo, sobre a situação e as tarefas que se colocam para a classe trabalhadora e a esquerda em Cuba, especialmente a partir dos protestos do passado 11 de julho .

O companheiro Ronald León Núñez, historiador e membro da LIT-QI, escreveu uma coluna na qual, a partir da elaboração histórica e recente de nossa Internacional, analisa a nova situação na ilha. Nesse sentido, o texto aprofunda o problema do caráter da economia, do regime e do Estado cubano, evidentemente, a partir de uma posição de apoio aos protestos populares contra a ditadura capitalista liderada pelo Partido Comunista Cubano. Consequentemente, expressa um forte rechaço à repressão e prisão de mais de 800 manifestantes.

O artigo provocou debates interessantes entre a vanguarda. De forma honesta, se expressaram várias opiniões, além de dúvidas, confusões e até desconhecimento sobre a realidade cubana. Acolhemos esses debates e acreditamos que é necessário e útil dar-lhes continuidade em diferentes espaços.

No sentido oposto, Alhelí Cáceres, membro do Comité Central do Partido Comunista Paraguaio (PCP), assumiu uma defesa incondicional, não dos interesses do povo cubano, mas do regime de Castro, que controla a ilha com punho de ferro. Como se poderá ver, ao longo do debate Cáceres não oferece uma abordagem sólida, pois se limita a repetir o discurso do regime. Nega fatos óbvios para justificar o injustificável: a repressão política e a entrega da economia cubana ao capital imperialista. Em suma, não refuta nada do que se propôs a “desmentir”.

Assim, sem argumentos válidos e fiel ao método estalinista, Cáceres recorreu a calúnias, insultos, acusações pessoais, amálgamas e mentiras que, com razão, causaram repulsa em um setor de militantes sociais e de esquerda no Paraguai. A resposta de Cáceres se contradiz a si mesma. Mostra por completo a baixeza política e a degeneração moral dos chamados partidos comunistas. Por isso, acreditamos que este debate pode ajudar a ilustrar, em outros países, o caráter nefasto desta prática.

A polêmica se desenvolveu nas páginas do Suplemento Cultural do jornal ABC color, sob a direção de Montserrat Álvarez. Ela não só demonstrou critérios democráticos e uma abertura generosa para veicular o debate no jornal, mas também participou pessoalmente do mesmo, condenando a degeneração do regime castrista e, nesse contexto, defendendo o direito de protesto do povo cubano[1] . A campanha do PCP foi tão brutal que, devido a esta atitude, dirigiu-lhe o mais rasteiro ataque difamatório, já que nem sequer citaram ou polemizaram contra nada do que Álvarez tinha escrito[2]. Os ataques à integridade moral de León e Álvarez desencadearam uma série de expressões de solidariedade de diversos setores que, mesmo sem concordar com suas análises de Cuba, condenaram o método da mentira e da desqualificação pessoal.

Por fim, é importante destacar que no meio do debate por escrito, León propôs um debate aberto e público, por meio da internet, para atingir um público maior e poder aprofundar a polêmica cara a cara. Mas nem Cáceres nem o PCP responderam. Com o silêncio demonstraram não só sua covardia, mas também seu desinteresse em aprofundar um debate mais amplo e dinâmico, atitude que se poderia esperar de quem se diz interessado em analisar, compreender e discutir qual é a solução política para o povo cubano[3].

A seguir colocamos à disposição dos nossos leitores os links para os artigos que compõem o debate entre León e Cáceres, no idioma espanhol.

La izquierda ante las protestas en Cuba (Ronald León): https://bit.ly/2WmXdIc

Los comunistas ante el proceso de construcción socialista en Cuba (Alhelí Cáceres): https://bit.ly/3kptsyR

Una vez más, acerca de Cuba (Ronald León): https://bit.ly/3zdPkmT

Desprestigiar la revolución cubana requiere de tergiversaciones y falacias (Alhelí Cáceres): https://bit.ly/3BHD1zQ 

 

Referências

[1] Sobre Cuba y el Gran Hotel Abismo: <https://www.abc.com.py/edicion-impresa/suplementos/cultural/2021/08/22/sobre-cuba-y-el-gran-hotel-abismo/>.

[2] Respuesta de Montserrat Álvarez al PCP: <https://www.facebook.com/montserrat.alvarezz/posts/10159603100499269>.

[3] Ver: <https://www.facebook.com/ronald.leonnunez.9/posts/538155840852979>.