Liga Operária e Socialista do Peru
Construindo a luta proletária contra o imperialismo: a necessidade de uma direção revolucionária global.
A LIGA OBRERA SOCIALISTA é uma corrente política de orientação trotskista aspirante à seção peruana da Liga Internacional dos trabalhadores LIT-QI.
MANIFESTO À CLASSE TRABALHADORA
Um punhado de homens e mulheres de diversas regiões do país está se organizando, dispostos a construir a ferramenta libertária que os trabalhadores e oprimidos do Peru e do mundo precisamos para nos livrarmos do jugo capitalista imperialista, com este supremo objetivo damos nascimento a uma nova organização nacional internacionalista enquadrada na necessidade de contribuir para a solução da crise de direção revolucionária mundial que aflige os trabalhadores e revolucionários do Peru e do mundo.
Estamos diante de uma situação mundial complexa e de conflito interimperialista
Com a restauração do capitalismo nos Estados Operários, a ordem mundial mudou. A partir de então, reinou a hegemonia norte-americana, no âmbito de uma curva ascendente capitalista, com a submissão das novas burguesias chinesa e russa e sua integração na nova divisão do trabalho mundial (globalização).
A curva descendente da economia está marcada pela grande recessão de 2007-09, toda a evolução do capitalismo desde então tem levado à disputa entre o imperialismo hegemônico e decadente (EUA) com o imperialismo emergente da China. O ataque brutal do imperialismo e das burguesias às condições de vida dos trabalhadores vem gerando uma polarização social e política, e conduz a uma crescente instabilidade política global que tende a agudizar a luta de classes.
Neste contexto se inscrevem as lutas de resistência do povo Palestino contra o estado sionista de Israel e a luta do povo ucraniano contra a invasão imperialista russa e a guerra iniciada pela aliança Israelense-americana, que representam os pontos mais altos da luta de classes a nível mundial.
A guerra iniciada pelo imperialismo norte-americano contra o Irã coloca em pauta o caráter bonapartista do imperialismo, ao querer ser a “polícia do mundo”, onde quem não obedece ao seu programa colonizador responde com guerras e invasões, como foi o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e que também ameaça hoje com uma invasão a Cuba
Entendemos também que não existe “Imperialismo ruim e imperialismo bom”, fazer a caracterização da China como país imperialista, é entender que a disputa entre os EUA e a China é uma disputa entre dois imperialismos, um dominante e outro emergente. A China, desde sua entrada na OMC em 2001, vem implementando uma política agressiva de exportação de capitais que é originada a partir da exploração da classe trabalhadora chinesa e com os novos oligopólios criados pela China que entram em países da África, Ásia, América Latina e outras partes do mundo, com o objetivo de implementar uma política de colonização ao “estilo chinês”, apoderando-se de extensões geográficas, infraestrutura desses países e recursos naturais, sem nem mesmo disparar um único tiro.
Afirmamos categoricamente que a classe trabalhadora não está derrotada, apesar da precarização da juventude e dos povos e setores oprimidos – mulheres, negros e LGBTI. Lutam, se sacrificam, derrubam governos e geram impactos de mudanças sociais qualitativas como vemos hoje o que está acontecendo com o povo boliviano, que está lutando contra um governo fantoche do imperialismo dos EUA, que se mobiliza e coloca em pauta a quem pertence o poder.
Por isso afirmamos que apesar de que há mais de um século e meio foi escrito o programa político da classe trabalhadora mundial e que inicia com estas sábias palavras: ¨A HISTÓRIA DA HUMANIDADE É A HISTÓRIA DA LUTA DE CLASSES”, esta premissa se encontra tão vigente que desde a Primeira Guerra Mundial e a maior experiência que a humanidade conheceu como transformação da sociedade, a Revolução de Outubro, começou o período de crise e agonia mortal do capitalismo.
A revolução proletária não conseguiu até agora pôr fim a esta agonia. Pelo contrário, não cessam de crescer os sofrimentos que esta acarreta ao conjunto da humanidade e em particular à sua parte mais valiosa e criadora, os trabalhadores. Em sua agonia, o capitalismo imperialista ameaça levar junto com ele a humanidade à tumba, uma prova disso é a guerra iniciada contra o Irã e a possibilidade de arrastar a humanidade ao holocausto da terceira guerra mundial. Ou, no melhor dos casos, afundar a grande maioria dela em um abismo sem fundo, de barbárie, miséria e degradação. No entanto, isso só será possível, se a revolução socialista mundial não conseguir reverter esse processo.
Esta confrontação aberta, entre revolução e contrarrevolução, a vivemos cotidianamente em todo o mundo, este período prolongado de guerras e revoluções nunca houve na história.
No entanto, este período marcado por revolução e contrarrevolução tem sido mediado por direções de conciliação de classes no seio da classe trabalhadora e, em muitos casos, se constituíram em verdadeiras barreiras contrarrevolucionárias que impediram o avanço de posições revolucionárias e, por essa via, novas revoluções triunfantes.
Esta constatação nos leva a nos questionar sobre a necessidade de contribuir modestamente para esse propósito de construir o estado maior da revolução socialista internacional que conduza triunfante as novas revoluções para nos livrarmos do jugo capitalista imperialista.
Ou seja, uma direção revolucionária mundial. A partir da Liga Operária Socialista do Peru, lutaremos para construir a direção revolucionária que os trabalhadores e o povo oprimido precisam em nosso país.
Somos conscientes de que nenhuma organização nacional tem destino se não cresce ao calor do debate e das orientações de uma direção internacional, por isso apostamos em construir a Liga Internacional dos Trabalhadores em nosso país.
Nossos princípios são:
- Independência de classe: Romper com a conciliação de classes e lograr a independência política dos trabalhadores frente à burguesia e ao imperialismo.
- Governo dos trabalhadores: A instauração de um governo dos trabalhadores e do povo, como passo prévio à construção do socialismo.
- Internacionalismo: A convicção de que a revolução socialista é um processo internacional, o que impulsiona a construção de organizações mundiais.
- O centralismo democrático: total liberdade na discussão e a ampla unidade na ação.
- Protagonismo das massas: Apoio militante às rebeliões populares, lutas operárias, movimentos sociais.
A situação política nacional
Consequentes com estas diretrizes, devemos abordar a situação política nacional, caracterizada pela assunção do governo de Keiko Fujimori, que chega auspiciado pelo grande capital das empresas transnacionais a quem representa e colocou seu governo a serviço deste setor da grande burguesia. Não podemos ser uma ilha no contexto da situação internacional. O novo governo nasce sob o auspício do imperialismo estadunidense. Seu principal objetivo será conter os investimentos agressivos chineses no país, com a finalidade de permitir o domínio norte-americano, para tal fim anunciou uma série de investimentos no terreno militar e portuário em contraposição aos investimentos chineses, propondo uma confrontação aberta entre esses dois países imperialistas. Semelhante ao conflito aberto pelos investimentos no canal do Panamá.
A implementação de seu plano de governo como está formulado exigirá um plano de ajuste contra os trabalhadores e os povos do interior que reclamam, com razão, ser atendidos frente ao abandono histórico, sobretudo os povos do sul do país. Esta política de mão dura proposta durante a campanha eleitoral aprofundará uma maior crise e polarização social entre os trabalhadores e o novo governo.
Este aprofundamento da crise social e instabilidade política que se abre com o novo governo será agravada pelos altos níveis de criminalidade e corrupção que imperam no país e suas instituições, que junto à delinquência, roubo com violência física, sicariato, extorsão, sem deixar de lado o maior flagelo, a CORRUPÇÃO, continuarão sendo o pão de cada dia na política nacional, o que contribuirá para a perda acelerada de seu protagonismo diante dos trabalhadores e do povo. A isso se somam as exigências que vêm sendo feitas pelos povos do interior, buscando ser atendidos em suas reivindicações ancestrais. Estamos convencidos de que a resposta a esses problemas por parte do novo governo será a política do porrete, como foi proposto em plena campanha eleitoral, ao afirmar que as leis que foram promulgadas pelo atual congresso referentes a benefícios econômicos para os trabalhadores serão submetidas à avaliação do Tribunal Constitucional, totalmente controlado pelo fujimorismo, para que seja o organismo que aprove se tais conquistas dos trabalhadores sejam consentidas e possa implementar o Ministério da Economia. Esses elementos serão a base para uma maior mobilização e desgaste do governo nos próximos 100 dias. Keiko chega ao governo com muita sede de vingança que deverá implementar desde o primeiro dia de iniciado seu governo. Não poderá esperar mais tempo devido à possibilidade de que possam ocorrer convulsões sociais ao pretender implementar seu plano de ORDEM E CONTROLE. Esses fatores serão um estímulo para o governo que merecem ser levados em conta. Neste contexto se inscreve o pedido de Faculdades Legislativas que espera que o congresso o aprove e durante o prazo de 120 dias emita as leis que favoreçam a implementação de seu plano Neoliberal e sua contra-reforma trabalhista anunciada e perfilada nesse requerimento ao congresso. No entanto, o controle da câmara dos Deputados não garante e terá que costurar muito fino para conseguir o acordo favorável a esse plano.
Isso requer que nossa organização, que nasce ao calor deste novo processo político, deve adequar suas forças para contribuir com a luta para enfrentar os planos de fome e repressão que estamos certos de que todo governo burguês irá implementar o governo de Keiko Fujimori. Os trabalhadores e o povo explorado não podemos ter nenhuma esperança nem confiança neste novo governo, de que será a favor da classe trabalhadora, muito pelo contrário, será de total submissão ao imperialismo estadunidense e à burguesia nativa, agente das transnacionais imperialistas.
A nível da vanguarda, ninguém duvida do caráter entreguista, pró-patronal e autoritário que terá o novo governo, no entanto, não ocorre o mesmo com a classe trabalhadora e setores populares que votaram nela como se fosse o “mal menor”. Importantes setores têm ilusões de que o governo de Keiko possa trazer soluções para seus inúmeros problemas de subsistência, sobretudo depois da decepcionante atuação da chamada “esquerda eleitoral” e ao mesmo tempo que perdeu a confiança na força da luta dos trabalhadores por culpa das direções burocráticas e conciliadoras, que por seu cálculo político preferiram a campanha eleitoral e não a mobilização das massas, apesar da arremetida do governo de Balcázar com normas legais contrárias aos trabalhadores do setor público e privado.
Precisamos ter claramente identificado que nosso inimigo principal é o governo e, portanto, temos a imperiosa necessidade de formular um plano alternativo que nos permita, desde o início, resistir a seus planos e buscar sua derrota em perspectiva, ligando-nos para isso à classe trabalhadora e aos povos do interior, como única forma de acompanhar as massas em seu desencanto com a ilusão do governo fujimorista. A única saída para os trabalhadores é derrotar o governo de Keiko ou este terminará nos derrotando em toda a linha a classe trabalhadora e aos povos do interior. O outro inimigo não menos importante são as correntes centristas e reformistas que atuam no seio do povo trabalhador, a quem devemos combater com a mesma força que faremos ao governo. O que implica manter em alta nossa independência de classe como única garantia de conduzir as massas em luta rumo ao triunfo.
A este propósito, colocamos à disposição dos trabalhadores, da juventude, da mulher trabalhadora, do campesinato e de setores empobrecidos da cidade e do campo esta nova ferramenta de luta política para nos libertar do jugo capitalista imperialista, fazê-la sua e juntos empreender este longo caminho pela nossa segunda independência política, social e econômica da classe trabalhadora e do povo pobre.
Iquitos, Agosto de 2026
COMITÊ EXECUTIVO NACIONAL




