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Paraguai

Pactos com EUA: saqueio, ocupação e entrega cartista

Defesa da soberania paraguaia contra a subordinação energética e imperialista.

PT Paraguai

agosto 13, 2026

Com a assinatura do recente acordo de cooperação nuclear entre o Paraguai e os Estados Unidos, o governo de Santiago Peña consuma uma cadeia de pactos que configuram a cessão da soberania energética e a segurança do povo e do ecossistema. Do Partido dos Trabalhadores (PT) denunciamos que esses instrumentos consolidam um modelo de saque, dependência e submissão diante dos interesses das corporações transnacionais e do imperialismo hegemônico estadunidense.

O design de subordinação começou a se tecer com a assinatura do Acordo de Cooperação em Defesa –um virtual SOFA (Status of Forces Agreement)–, que concede imunidade a tropas americanas, permite a instalação de bases, facilita exercícios militares conjuntos e abre o território a operações encobertas sem controle soberano. O que foi vendido como “cooperação” é, na verdade, uma ocupação consentida do nosso território.

A esse primeiro elo se somou o memorando sobre minerais críticos e terras raras, que coloca o urânio e outros recursos estratégicos paraguaios à disposição dos gigantes tecnológicos e megamilionários do Vale do Silício. As reservas de urânio de Yuty e outras regiões passam a engordar o apetite insaciável das potências, sem garantias de industrialização local nem participação real das comunidades afetadas.

O acordo de cooperação nuclear assinado em Washington no dia 15 de julho de 2026 finaliza esta arquitetura de vassalagem. Sob o eufemismo de “usos pacíficos”, habilita a eventual instalação de reatores e a gestão de resíduos radioativos sob controle de corporações estrangeiras, convertendo o Paraguai em lixão e plataforma de experimentação. Tudo isso enquanto o povo carece de acesso a energia barata e de qualidade.

Marco Rubio e o “hub energético” para os países ricos

Este entramado ganha sentido à luz das palavras do próprio secretário de Estado, Marco Rubio, em março de 2025. Naquela oportunidade, Rubio explicitou a intenção de converter o Paraguai em um “hub energético”, por meio da instalação massiva de centros de dados e empresas eletrointensivas extrativistas. Grandes consumidores da eletricidade paraguaia que operariam com tarifas subsidiadas, enquanto exportam lucros, dados e matérias-primas sem processar, deixando apenas migalhas, degradação ambiental e nenhum encadeamento produtivo.

Não haverá desenvolvimento, mas uma nova forma de colonização digital e energética. As promessas de “emprego” são a desculpa de sempre para justificar um esquema que concentra a riqueza em um punhado de transnacionais e aprofunda a dependência tecnológica e financeira.

O preço das sanções: o feudo colorado de joelhos

A velocidade e a submissão total com que o governo de Santiago Peña entrega a soberania têm uma explicação nítida: a necessidade imperiosa de levantar as sanções que pesavam sobre o verdadeiro chefe do regime, Horacio Cartes. O ex-presidente, cabeça de uma estrutura mafiosa que monopoliza setores econômicos chave –tabaco, bancos, importação de combustíveis, meios de comunicação– e utiliza as instituições do Estado como instrumento de seus negócios, foi sancionado por corrupção significativa pelo governo dos Estados Unidos.

O cartismo precisava apagar essa mancha para legalizar seus capitais e recuperar pleno acesso ao sistema financeiro internacional. A solução foi a vassalagem explícita: em troca da suspensão definitiva das sanções, o governo colorado ofereceu o país em bandeja. A sequência é incontestável: primeiro se premia o chefe com a impunidade financeira, e logo em seguida se assinam os acordos que amarram o Paraguai como fornecedor de energia barata, recursos naturais e território militar a serviço de Washington.

O Paraguai de Cartes e Peña é o exemplo extremo de um bloco de governos de ultradireita de joelhos diante do imperialismo hegemônico, que competem para ver quem oferece maiores concessões. Com o Partido Colorado transformado em cartel político-empresarial, a política externa se reduz a proteger o feudo do chefe e a garantir que nenhuma instância internacional incomode o saque.

Pela recuperação da soberania

O Partido dos Trabalhadores convoca o povo paraguaio a despertar frente a este plano de recolonização. Exigimos a revogação imediata do acordo nuclear, do memorando de minerais e do convênio militar que fere nossa independência. Nenhum centro de dados, nenhuma mineradora extrativista pode se impor sem consulta popular e sem um debate nacional sobre o modelo energético e produtivo que queremos.

A energia paraguaia só estará verdadeiramente a serviço do povo trabalhador sob um Governo dos Trabalhadores, que planeje o desenvolvimento a serviço da industrialização, da soberania alimentar e do bem-estar das grandes maiorias, rompendo com a voracidade das corporações que pretendem converter o Paraguai em uma colônia energética do século XXI. Frente a projetos nucleares e extrativistas que colocam em risco a saúde do povo trabalhador e o equilíbrio do ecossistema, defendemos a transição para formas de geração de energia limpas, seguras e soberanas. Somente a mobilização independente e a luta do povo organizado nas ruas podem frear o saque, defender a vida e conquistar uma verdadeira soberania.

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