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Venezuela

Não à entrega e ao saqueio do petróleo venezuelano. Rejeitemos os acordos Delcy – Trump em matéria petrolífera

Leonardo Arantes - UST / Venezuela

setembro 11, 2026

Em 28/08/2026, o presidente ultradireitista norte-americano Donald Trump anunciou ter firmado um acordo com o governo ditatorial e ilegítimo de Delcy Rodríguez, por meio do qual os Estados Unidos assumirão o controle de 65 bilhões de barris das reservas provadas de petróleo venezuelano. Isso representa mais de 20% das reservas provadas de petróleo bruto do país (equivalentes a 300 bilhões de barris) e implica a entrega aos EUA de 17 campos petrolíferos estratégicos (greenfields ou campos verdes/novos) e 8 novos blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco.

Essas negociações, lideradas por Marco Rubio e Pete Hegseth, secretários de Estado e de Guerra dos EUA, respectivamente, concederão a Washington, segundo as próprias declarações de Donald Trump, o controle já descrito por um período de cem anos (vinte e cinco anos, renováveis, segundo Delcy Rodríguez), e incorporariam uma enorme quantidade de petróleo às atuais reservas estratégicas provadas de petróleo dos Estados Unidos (mais que as duplicando), atualmente estimadas em aproximadamente 46 bilhões de barris, seu nível mais baixo desde 1983.

Empresas privadas participam ativamente do acordo.

O governo venezuelano entreguista e colaboracionista, por meio de contratos nos quais a estatal petrolífera PDVSA fica com uma participação acionária minoritária (45%), concedeu tais concessões à North American Blue Energy Partners (NABEP, 55%), uma empresa petrolífera privada que é a segunda maior produtora privada de petróleo venezuelana (depois da Chevron), de propriedade de Alejandro Betancourt, um boliburguês corrupto (bolichico -boliburguês jovem,ndt, – primo do opositor burguês Leopoldo López), agora protegido pelo governo norte-americano e principal envolvido nos negócios fraudulentos com as usinas termelétricas durante a crise elétrica de 2010, além de acusado de lavagem de dinheiro na Suíça e na Espanha.

A NABEP (North American Blue Energy Partners), por sua vez, concedeu ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA, que opera a partir do Pentágono, uma participação de 35% em sua empresa controladora, o que representa centenas de bilhões de dólares em valor e dividendos para os Estados Unidos.

Além disso, concede ao Departamento de Estado norte-americano o direito de comprar, a preço de custo de produção, 20% garantidos da extração de todos os campos atuais e futuros que a NABEP operar, garantindo um fornecimento estável de petróleo de baixo custo para facilitar o reabastecimento da Reserva Estratégica de Petróleo norte-americana (SPR, por sua sigla em inglês).

Também concedeu ao Departamento de Estado dos EUA o direito de preferência para adquirir os 80% restantes de sua produção, o direito de veto sobre a nomeação de qualquer membro do conselho de administração, além de estabelecer que a maioria dos membros do conselho de administração da NABEP sejam cidadãos norte-americanos, assim como os auditores, advogados e assessores da empresa. Por fim, a empresa deverá ser regida pela legislação norte-americana e estará submetida à jurisdição dos tribunais daquele país.

Milhões de barris da produção venezuelana de petróleo serão processados em refinarias norte-americanas e bombeados por meio de plataformas e infraestrutura dos Estados Unidos, sem custos para os EUA. Estima-se uma produção de 11 bilhões de barris nos primeiros vinte e cinco anos.

Nesse contexto, durante o desenvolvimento dessa produção nos primeiros 25 anos, a NABEP pagará aproximadamente 200 bilhões de dólares em royalties e impostos, o que equivale a cerca de 8 bilhões de dólares por ano, uma receita fiscal relativamente baixa quando comparada às receitas fiscais que a Venezuela obteve no passado com níveis semelhantes de produção. Além disso, todas essas receitas passarão previamente por uma conta supervisionada pelos EUA, que finalmente decidirão quanto será destinado à Venezuela.

Tais concessões respondem à nova Lei de Hidrocarbonetos da Venezuela, recentemente reformada na Assembleia Nacional por iniciativa dos interesses dos Estados Unidos, estabelecendo a possibilidade de empresas privadas, nacionais ou estrangeiras, operarem com o petróleo venezuelano, ou seja, extraírem, produzirem, distribuírem e comercializarem, sem a supervisão da PDVSA (Petróleos de Venezuela) em representação do Estado venezuelano, avançando assim na privatização do setor petrolífero do país.

Uma operação de espoliação e saqueio

Em definitivo, trata-se de uma operação de espoliação e saqueio dos recursos petrolíferos e da soberania nacional quase sem precedentes na história do país, sendo necessário remontar à época da ditadura de Juan Vicente Gómez para encontrar exemplos semelhantes de entreguismo.

São bastante significativas as declarações de Donald Trump, publicadas em sua conta na rede social Truth, nas quais classifica o acordo como: “o melhor acordo já feito” e afirma que se trata de “um presente da Venezuela ao povo dos Estados Unidos”. Também são ilustrativas as declarações de Elliott Abrams, ex-representante especial de Trump para a Venezuela e o Irã, afirmando: «Este é um acordo terrível. [Delcy Rodríguez] entregou 20% do patrimônio nacional em troca de nada», «Acho que está simplesmente cumprindo as exigências de Washington». Além disso, acrescenta: “os termos são tão unilaterais que constituem uma espécie de desvario sobre o que significa o colonialismo”.

Tais declarações, mas principalmente os termos e condições apontados anteriormente, deixam claro o caráter profundamente entreguista do acordo, firmado com o total colaboracionismo do governo ditatorial de Delcy Rodríguez. Além disso, é preciso acrescentar que, desde o início da relação de tutela norte-americana sobre o país, no período que vai de janeiro a julho de 2026, teriam sido faturados 15,9 bilhões de dólares com as exportações de petróleo venezuelano, dinheiro que permanece retido em contas e sob a tutela dos EUA, enquanto fontes oficiais afirmam que, durante esse período, apenas 725 milhões de dólares teriam ingressado no país em royalties. Outras fontes elevam para cerca de 5,6 bilhões de dólares o valor recebido.

Mas, para além dos números, o que fica evidente é a relação colonial imposta pelos EUA à Venezuela, com o colaboracionismo de Delcy Rodríguez, bem como a magnitude do saqueio e da violação da soberania do país. As consequências e o custo dessa espoliação e desse saqueio acabarão sendo pagos pelos trabalhadores e pelo povo venezuelano, com mais miséria e precariedade.

A situação dos trabalhadores e das massas populares

Assim, enquanto a ditadura de Delcy Rodríguez e o imperialismo firmam acordos que ampliam o saqueio dos recursos petrolíferos e minerais do país, os trabalhadores e o povo humilde continuam suportando a aplicação de um ajuste capitalista brutal, que os mantém recebendo um salário mínimo miserável de menos de US$ 0,16 mensais. Além disso, seus direitos contratuais, trabalhistas e sindicais foram cerceados.

Os trabalhadores e o povo humilde são vítimas da carestia dos bens e serviços básicos, com uma inflação que, ao final do mês de agosto do corrente ano, acumula 202%, enquanto a inflação interanual (agosto de 2025 – agosto de 2026) chega a 641,35%. Os preços dos alimentos e dos serviços básicos, como gás, água, eletricidade, gasolina, internet, entre outros, aumentam todos os dias à medida que o bolívar se desvaloriza em relação ao dólar norte-americano. Este último está, na data de hoje, acima de 807 bolívares.

Mas, para além do aumento dos preços dos serviços, o pior é a deterioração dos próprios serviços. Atualmente, o governo submete a população a um plano de racionamento de energia elétrica que deixa várias regiões de quase todas as cidades do país sem eletricidade por períodos de cinco, seis e até doze horas, em horários diferenciados. O governo argumenta que esse plano responde a uma necessidade provocada pelo fenômeno natural denominado “Super El Niño”, mas a verdade é que isso se deve, por um lado, a anos de desinvestimento e falta de manutenção no setor e, por outro, à priorização do fornecimento de energia elétrica para a extração de petróleo pelas transnacionais que operam no setor petrolífero do país.

Da mesma maneira, cidades inteiras sofrem com a falta de água, sendo irregular o fornecimento do líquido vital em todo o país.

Por outro lado, a entidade patronal FEDECÁMARAS (principal organização patronal do país) insiste em sua proposta de bonificação do salário, algo que, na prática, já vem sendo aplicado pelo governo e pelas empresas privadas, bem como na reforma da Lei Orgânica do Trabalho para eliminar a retroatividade das indenizações trabalhistas e revisar conceitos como participação nos lucros, gratificações de fim de ano e férias. Alegam que a reforma dessa lei seria a única via possível para aumentar o salário mínimo e as aposentadorias/pensões. É um argumento que já utilizaram no final dos anos 1990, quando roubaram as indenizações trabalhistas dos trabalhadores, eliminaram sua retroatividade e, mesmo assim, os aumentos salariais nunca chegaram de maneira significativa.

A tudo isso, é preciso acrescentar a continuidade da repressão contra os trabalhadores e setores da população que se mobilizam e defendem seus direitos. Apesar da realização de algumas libertações (que não são liberdades plenas) de vários dirigentes políticos, muitos trabalhadores continuam detidos e encarcerados, como é o caso dos 120 trabalhadores da PDVSA que ainda estão presos.

O governo ditatorial tutelado defende e justifica o acordo

Diante das críticas e da indignação de diversos setores da população venezuelana com o acordo firmado, Delcy Rodríguez, principal representante da ditadura, saiu em defesa e justificativa do mesmo, tentando apresentá-lo como uma grande oportunidade para o país recuperar sua indústria petrolífera e sua economia em geral, pois, segundo seus argumentos, seriam atraídos investimentos da ordem de 100 bilhões de dólares e seriam gerados benefícios superiores a 200 bilhões de dólares nos primeiros vinte e cinco anos.

Além disso, Delcy Rodríguez argumenta, para justificar o acordo com os Estados Unidos, que não basta ter as maiores reservas de petróleo do mundo, sendo também necessários “investimento, tecnologia, infraestrutura, capacidade produtiva”; e isso seria fornecido pelos EUA no âmbito do acordo.

O que Delcy Rodríguez não diz é que esses supostos investimentos (que ainda precisam ser concretizados e cuja fonte de financiamento ainda precisa ser esclarecida) não vêm sozinhos, mas acompanhados de condições e planos de ajuste que descarregarão seus custos sobre os ombros dos trabalhadores venezuelanos, dos trabalhadores do setor petrolífero e de outros setores, que acabarão submetidos a condições de trabalho e salariais extremamente duras.

Além disso, também trarão exigências normativas e reformas legais que aprofundarão o processo de privatização da indústria petrolífera, o saqueio e a entrega dos recursos petrolíferos e minerais do país, a perda da soberania nacional e o cerceamento dos direitos salariais, trabalhistas, legais, contratuais e sindicais. Entre elas estão a já mencionada reforma da Lei de Hidrocarbonetos, a reforma de algumas leis que regulamentam o setor de mineração e a pretendida reforma da Lei Orgânica do Trabalho.

Quanto aos benefícios que supostamente serão gerados pelo acordo, já foi apontado que, com níveis de produção semelhantes, em períodos anteriores a Venezuela obteve maiores receitas fiscais em prazos mais curtos. No caso específico deste acordo, o fornecimento ou venda de petróleo aos EUA a preços abaixo dos praticados no mercado (preço de custo de produção de aproximadamente US$ 3,20 por barril) priva o país de uma importante quantidade de receitas.

Para agravar a situação, deve-se destacar que, desde o início da tutela norte-americana (03/01/2026), o país não dispõe do controle direto de sua renda petrolífera, que é administrada e supervisionada pelos EUA, inicialmente por meio de contas no Catar, mas que agora, segundo informações, seriam transferidas para Nova York.

A respeito da necessidade de tecnologia, investimento e capacidade produtiva, Delcy Rodríguez não menciona que foi o próprio regime chavista que ela agora lidera que deixou de investir em tecnologia e manutenção e destruiu a capacidade produtiva do país. Além disso, não se trata de um argumento novo: o mesmo argumento foi utilizado nos anos 1990 para justificar a política privatizadora conduzida por Caldera, conhecida como “Abertura Petrolífera”.

Na realidade, esse acordo conduz a uma situação em que, além de avançar a passos largos na privatização da indústria petrolífera venezuelana, os EUA passam a assumir o controle direto das receitas, reservas, poços e jazidas de petróleo do país, tanto nas etapas de exploração, extração e produção quanto na distribuição e comercialização. Isso se traduz em um completo cerceamento da soberania nacional.

Por último, é pertinente destacar que a oposição burguesa ao governo, desde María Corina Machado até muitas outras expressões do mesmo setor, limitou-se a questionar o acordo com base em argumentos jurídicos, como sua inconstitucionalidade e a falta de legitimidade do governo que o assinou (elementos nitidamente verdadeiros), mas sem questionar profundamente suas implicações econômicas e a perda de soberania. Isso não é de se estranhar, pois, apesar de suas diferenças, trata-se de um setor burguês tão entreguista e pró-imperialista quanto aquele que hoje detém o poder. Sua disputa se limita a definir quem liderará a entrega, atuando como sócio minoritário do imperialismo norte-americano na mesma, e às nuances de como ela será realizada.

A reafirmação da Doutrina Monroe, a expulsão de rivais do hemisfério e a possível saída da Venezuela da OPEP

Com a publicação, em dezembro de 2025, do documento intitulado “Estratégia de Segurança Nacional”, o governo dos EUA, tendo Donald Trump à frente, deixou evidentes suas pretensões de recuperar e reafirmar sua hegemonia na América Latina, subcontinente que historicamente considera seu quintal; retomando a conhecida Doutrina Monroe: “América para os americanos” (onde os americanos são os gringos, evidentemente), agora temperada com o chamado “Corolário Trump” (Doutrina Donroe), que amplia a visão colonialista e hegemônica para todo o hemisfério ocidental.

O acordo recentemente firmado se insere nessa estratégia colonialista e hegemônica, pretendendo retirar de rivais incômodos no continente e no país, como a China e a Rússia, o controle e a operação de campos petrolíferos que anteriormente eram controlados ou operados por empresas russas e chinesas, que também saquearam os recursos da Venezuela, sem realizar investimentos significativos na infraestrutura produtiva do país.

Trump pretende ter o caminho livre para continuar e ampliar esse saqueio e essa espoliação de maneira segura, barata e duradoura, expulsando os imperialismos rivais de nosso entorno e garantindo que o domínio norte-americano sobre a América Latina e a Venezuela nunca mais seja questionado. O governo Trump pretende forjar cadeias de abastecimento seguras para abastecer as reservas estratégicas de petróleo dos EUA, impondo uma estratégia neocolonial que lhe assegure os recursos energéticos e o controle econômico, político, geopolítico e militar do continente e do hemisfério. Entre outras coisas, promovendo também todo um conjunto de governos ultradireitistas que garantam a aplicação de seus planos nos diferentes países. A decepção das massas populares e do movimento operário do continente com os governos populistas, até agora, vem facilitando essa tarefa.

Por outro lado, uma notícia publicada pela agência Bloomberg (27/08/2026) afirma que a Venezuela estaria avaliando cuidadosamente a possibilidade de abandonar a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Acreditamos que, caso essa medida seja adotada, isso ocorreria por iniciativa dos EUA, no âmbito da estratégia neocolonial hegemônica descrita anteriormente, com o objetivo de facilitar os planos e priorizar os interesses de Washington, evitando qualquer limite ou política de corte de produção que entre em conflito com esses interesses.

Como afirma a Bloomberg: “…a ideia de uma saída tem sido tema de conversas com funcionários norte-americanos, e ainda não foi tomada nenhuma decisão definitiva…”; mas, caso se concretize, seria um enorme passo no cerceamento de qualquer orientação minimamente soberana na condução de nossa política petrolífera e em direção a um rumo completamente colonial e entreguista ao imperialismo norte-americano.

Acreditamos que a visita a Caracas, em 02/09/2026, de Christopher Wright, secretário de Energia dos Estados Unidos, e sua reunião com Delcy Rodríguez apontam nesse sentido, além de impulsionar novos acordos petrolíferos; foram assinados em Miraflores novos contratos para exploração e licenças de prospecção para Chevron, Eni, Primavera e Aspect Energy. Avançando no processo privatizador e entreguista da indústria petrolífera e selando, além disso, acordos com a General Electric, com vistas à privatização do setor elétrico.

A reação da China

Passados alguns dias da assinatura do acordo com o governo norte-americano, reagindo às versões da imprensa que apontam que o acordo deslocaria as estatais petrolíferas Sinopec e CNPC, o governo chinês, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, fez declarações exigindo que sejam plenamente garantidos e respeitados os direitos e interesses econômicos chineses na Venezuela, argumentando que “…a soberania dos acordos anteriores se apoia em normas legais e que a cooperação entre as duas nações é regida por princípios de igualdade e benefício mútuo…”. E, embora tenha evitado confirmar diretamente a transferência de ativos, reiterou que a diplomacia asiática acompanha de perto a situação geopolítica.

É evidente que se trata de uma disputa pelo controle dos campos petrolíferos, na qual, obviamente, a China não quer perder sua fatia no saqueio dos recursos do país. Até agora, essa disputa se limitou a declarações, mas sua evolução estará diretamente associada às oscilações e à evolução da crise da ordem mundial e das negociações que possam ocorrer na divisão das áreas de influência e do saqueio.

Todo o repúdio ao pacto petrolífero Delcy – Trump

Da Unidade Socialista dos Trabalhadores, expressamos nossa mais categórica rejeição e repúdio ao acordo petrolífero firmado entre o imperialismo norte-americano e o governo ditatorial tutelado de Delcy Rodríguez, uma vez que se trata de um pacto draconiano que representa a entrega da soberania do país, permitindo o roubo e o saqueio descarados de mais de um quinto de nossas reservas petrolíferas pela principal potência imperialista do mundo. Afirmamos que nenhum pacto com os EUA, nem com qualquer outra potência imperialista, como China e Rússia, trará benefícios para os trabalhadores e para o povo venezuelano, nem resolverá os problemas do país.

É por isso que convocamos a organização e a mobilização para derrotar esse pacto, bem como toda a política capitalista, antioperária e antipopular do governo de Delcy Rodríguez, em aliança com o imperialismo norte-americano e com a patronal privada do país, principalmente a FEDECÁMARAS.

Consideramos que as organizações unitárias da classe trabalhadora existentes no país devem colocar em sua agenda de discussão a preparação de uma ação de mobilização unitária, tanto para exigir aumento dos salários e das aposentadorias/pensões até o nível da cesta básica, enfrentar os ataques aos direitos trabalhistas, contratuais e sindicais, enfrentar os ataques às liberdades democráticas, exigir a libertação dos presos políticos, quanto para derrotar o recente acordo petrolífero.

Acreditamos que é necessário preparar uma paralisação nacional para derrotar esse acordo leonino. Além disso, é preciso levantar um programa que exija a nacionalização de 100% da PDVSA, sem transnacionais nem empresas mistas, sem pactos que roubem nossas reservas petrolíferas, exigindo o fim da tutela imperialista no país e, portanto, o fim do controle dos EUA sobre a produção, distribuição e comercialização de nosso petróleo e sobre as receitas provenientes de sua exportação; pelo controle direto da Venezuela sobre sua renda petrolífera; por uma PDVSA sob o controle dos trabalhadores.

Além disso, deve-se exigir a revogação da Lei de Hidrocarbonetos e das demais leis que entregam nossa soberania, o fim dos contratos entreguistas firmados com as transnacionais, bem como o fim das sanções imperialistas.

O petróleo venezuelano e os recursos provenientes de sua exportação devem servir para garantir salários e aposentadorias/pensões iguais à cesta básica, serviços públicos gratuitos e de qualidade de saúde e educação, investimentos para recuperar a infraestrutura elétrica e os demais serviços básicos, produção e aquisição de alimentos, medicamentos, bens e insumos necessários à população, o que ajudaria a combater o flagelo da inflação e da miséria.

Em conclusão, é necessário unificar esforços para enfrentar o imperialismo norte-americano (e também os imperialismos rivais) e seus planos para o país, o continente e o hemisfério; defender a soberania nacional sobre a gestão de nossos recursos petrolíferos, energéticos, minerais e naturais. Essa luta deve estar inserida em uma luta global que inclua a derrota do genocídio israelense em Gaza contra a população palestina (avalizado e apoiado pelos EUA), a invasão do Irã, bem como os planos intervencionistas norte-americanos nesse país e no Oriente Médio como um todo, a invasão russa da Ucrânia e os planos expansionistas e hegemônicos do imperialismo em nível mundial.

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