Atendimento urgente às vítimas e plano de reconstrução sob controle operário e popular
A reconstrução deve ser uma questão de direitos, não de lucro; é hora de organizar a solidariedade operária.
Nós do Partido Socialista dos Trabalhadores, expressamos nossa mais sentida solidariedade com as vítimas, por aqueles que perderam seus familiares, lares e viveram momentos de angústia.
Um sismo de 7.4 graus na escala de Richter, que se enquadra na categoria de sismo de grande magnitude, ocorreu na Colômbia em 10 de agosto, afetando cinco departamentos com suas capitais e dezenas de municípios. Ao redigir este comunicado, as vítimas fatais confirmadas superavam a centena, e estima-se que haja muitas mais sob os escombros.
O epicentro, e um dos departamentos mais afetados, foi o Chocó, que já sofre décadas de abandono estatal, saqueo de recursos naturais e déficit de infraestrutura em comunicações, vias e saúde. Também há graves afetados na cidade de Cali e em todo o Eixo Cafeteiro.
Este fato exige uma resposta imediata para resgate e atendimento às vítimas. Também necessita um plano para garantir moradia àqueles que a perderam.
O que é natural e o que não é
Um sismo é um movimento natural brusco e repentino causado pela liberação de energia acumulada nas placas tectônicas. O movimento da Terra é natural e imprevisível até certo ponto. Mas não é natural que as edificações colapsem como resultado desse movimento. Se colapsam, é porque estão mal construídas ou não receberam manutenção. Também não é natural que haja pessoas que morram sob os escombros porque os corpos de bombeiros e resgate são insuficientes e mal equipados, porque vivem em regiões sem estradas como o Chocó, ou porque o edifício colapsado é um hospital.
O perigo da corrupção pela ganância
Quando existe corrupção e está a serviço do lucro, o desastre é inevitável. Exemplos de edifícios levantados com corrupção por parte das construtoras e dos órgãos do Estado como cúmplices: em Medellín, as Torres Space, Continental Towers, Edifício Bernavento, Edifício Loli e Edifício Peru; em Cartagena o Edifício Blas de Lezo II e 16 edifícios com licenças falsas; outras cidades como Cúcuta e Bucaramanga também tiveram problemas desse tipo; Bogotá não fica para trás com o caso do edifício mais alto de Bogotá: o edifício Bacatá, não por problema estrutural, mas porque a construtora não garantiu os serviços públicos.
Em geral, são as moradias dos trabalhadores e setores populares, ou até mesmo da classe média, as que são afetadas. Isso porque os trabalhadores constroem sua moradia como podem com os recursos que têm; é impossível se endividar com um apartamento que cobram três ou quatro vezes seu custo, porque seu fim é o lucro para as construtoras e os bancos que “financiam”.
Assim, o Estado e as construtoras são responsáveis pelas mortes e pelas perdas materiais, e deveriam responder às vítimas.
Organização operária e popular para exigir e para gerir os recursos
Cada vez que um sismo deixa pessoas afetadas, sempre existe o reflexo de se organizar para reivindicar. Mas a luta é complexa e longa no tempo até que se esgotam sem receber ajuda concreta. No começo, os discursos e promessas não faltam, mas geralmente ficam apenas nisso.
Um exemplo: os afetados pelo terremoto de Popayán de 1983 receberam uma capacitação no Sena para que eles mesmos construíssem suas moradias (autoconstrução) com alguns créditos “flexíveis” e alguns poucos subsídios de habitação. No que se investiu foi nas edificações do Centro Histórico onde vivem as famílias tradicionais e nas igrejas.
É necessário acompanhar as vítimas, organizar comitês de trabalhadores e populares com os afetados para a gestão do desastre e a reconstrução, exigindo que se destine imediatamente todo o orçamento necessário para resgatar e atender às vítimas, entrega imediata e gratuita de alimentos, água potável, medicamentos, tendas, colchões e kits de emergência a todos os afetados, movimentação de toda a capacidade do Estado, celeridade na restauração dos serviços públicos e das comunicações.
A médio e longo prazo, exigir que a habitação deixe de estar a serviço do lucro. Também é necessária a anulação das dívidas hipotecárias e créditos das famílias afetadas.
Solidariedade operária e popular, que as centrais liderem
Não podemos confiar em Abelardo, seus ministros e todos os abutres que virão negociar a reconstrução; devemos exigir, mas sabemos que para eles o desastre é uma oportunidade para seu lucro e negócio. Também não podemos confiar em “aliados” como os governos de Israel ou Estados Unidos, responsáveis pelo genocídio palestino, com mais mortos do que qualquer tragédia causada por um terremoto.
Por isso a solidariedade operária deve ser organizada pelas centrais sindicais sob a liderança da CUT. Que centralizem uma grande campanha nacional de doações e insumos, para distribuir através dos sindicatos filiados. Igualmente, os sindicatos com presença nacional como a Fecode devem colocar sua estrutura a serviço da solidariedade. Se a solidariedade não é de classe, não será solidariedade, mas negócio e corrupção.
Habitação como serviço, estatal e gratuita
A habitação não deve ser uma mercadoria a serviço de gerar lucros, mas sim um direito fundamental garantido pelo Estado.
Que os edifícios que estejam vazios e os hotéis abriguem os desabrigados; que Abelardo não direcione os recursos do Estado para entregá-los às construtoras e aos bancos; que não concretize sua contrarreforma tributária de retirar impostos dos empresários, proprietários de terras e pecuaristas para aumentá-los aos pobres; que não se faça negócio com a tragédia humana; pela estatização da habitação, de qualidade, construída pelo Estado eliminando os intermediários; que por motivo de calamidade pública não se pague a ilegítima dívida externa e esses recursos sejam investidos na atenção das vítimas, e em saúde, educação, serviços públicos domiciliares e habitação.
Atendimento eficaz e material para as vítimas, com orçamento suficiente!
Não a mais mortes pela especulação imobiliária e pela corrupção da burguesia!
Que as grandes empresas construtoras e os monopólios financiem a reconstrução!
Plano de reconstrução sob controle operário e das organizações populares!
Solidariedade operária e popular, nenhuma confiança no governo do ADLE e seus ministros!
Partido Socialista dos Trabalhadores
10 de agosto de 2026




