CSP-Conlutas se solidariza com as mobilizações populares, indígenas e a Greve Geral na Bolívia
A CSP-Conlutas, central sindical e popular do Brasil, que reúne organizações sindicais, populares e indígenas comprometidas com a luta antiimperialista da classe trabalhadora, vem a público expressar sua mais firme solidariedade aos trabalhadores, povos originários campesinos, às comunidades populares e a todo o povo boliviano em luta.
Diante do estopim deflagrado em 1º de maio de 2026 – data símbolo da resistência operária mundial – a Greve Geral Indefinida na Bolívia é uma resposta heroica às políticas de entrega do presidente Rodrigo Paz, lacaio do imperialismo estadunidense. A liberalização dos preços dos combustíveis, o encarecimento brutal do custo de vida e o arrocho salarial desencadearam uma explosão social legítima. O que começou com a exigência de 20% de reajuste salarial transformou-se, diante da intransigência patronal e estatal, na clara demanda popular pela saída de um governo empresarial e subserviente aos interesses ianques.
A CSP-Conlutas repudia energicamente a repressão assassina imposta pelo regime tirânico de Rodrigo Paz. A violência sistemática contra grevistas, indígenas, mineiros, camponeses e bairros populares revela a atualização da Doutrina Monroe de Trump como peça central da contraofensiva imperialista na América Latina. Denunciamos também a brutal repressão do Estado boliviano contra os manifestantes mobilizados nas ruas e estradas do país, marcada por detenções arbitrárias, perseguição política e crescente criminalização das organizações populares e sindicais.
Repudiamos ainda os pedidos de prisão, ameaças judiciais e tentativas de intimidação dirigidas contra lideranças do movimento popular, sindical e indígena, em especial contra o dirigente da Central Obrera Boliviana Mario Argollo, numa clara tentativa de desarticular pela força a greve geral e sufocar o legítimo direito de organização e luta do povo boliviano.
Saudamos especialmente a participação decisiva dos povos indígenas e das organizações comunitárias na construção da greve geral, unificando a luta contra o despojo extrativista, a criminalização da resistência e a transformação de nossos territórios em zonas de sacrifício. A dignidade dos povos originários bolivianos, historicamente protagonistas na derrubada de governos entreguistas, brilha mais uma vez como farol da resistência continental.
Exigimos:
· O fim imediato da repressão, das execuções extrajudiciais e da perseguição política na Bolívia;
· A suspensão de todos os processos, pedidos de prisão e medidas judiciais contra dirigentes sindicais, indígenas e lideranças populares, incluindo dirigentes da COB;
· A liberdade de todos os presos políticos e líderes sindicais e indígenas detidos;
· A saída do governo Rodrigo Paz e o respeito à autodeterminação popular;
· Fora imperialismo da América Latina.
A classe trabalhadora boliviana, seus povos indígenas e sua juventude demonstram que a dignidade popular não se compra, não se vende – constrói-se e se defende com luta coletiva e internacionalista.
São Paulo, 20 de maio de 2026
CSP-Conlutas – Brasil




