A 11 anos do NEM UMA MENOS
A luta contra a violência de gênero é parte essencial da emancipação da classe trabalhadora.
A violência contra as mulheres e dissidências aumenta com Milei e Trump e suas políticas de saqueo, fome, negacionismo e misoginia de nosso país.
Desde que começou o ano já são mais de 80 vítimas fatais por violência de gênero segundo o observatório “Agora que sim nos veem”, embora o governo tente invisibilizar os problemas das mulheres, nega a desigualdade de gênero em cada discurso e recorta brutalmente em matéria de gênero e em políticas públicas que afetam diretamente o setor. Mas só no mês de maio foram registrados 10 feminicídios (segundo Lavaca.org), incluindo o caso de Agostina Vega uma menor de apenas 14 anos, que comoveu a todos. Tudo isso às vésperas do 3J, dia da não violência contra as mulheres, nosso famoso NI UNA MENOS.
Recordemos que fechou o Ministério de Gênero e Diversidade Nacional e desmantelou a subsecretaria de proteção contra a violência de gênero, desarticulando programas de assistência jurídica e psicossocial, aplicando um corte de até 89% no orçamento para combater essa desigualdade, esvaziamentos em programas especiais como é o “Acompanhar” e a linha 144 limitando sua capacidade operativa por seu corte de verba, descontinuidade na entrega de insumos essenciais, anticoncepcionais, leite em fórmula, afetando também os programas de saúde sexual integral e saúde materno-infantil.
Com candidatas mulheres da Libertad Avanzan que respaldam e aprofundam ainda mais o machismo como Lemoine que levantava em suas propostas leis como a de renúncia à paternidade, que permitiria que os pais não se responsabilizassem pela pensão alimentícia, ou o projeto apresentado por Carolina Lozada, senadora, que busca defender os homens nas “falsas denúncias“, busca penalizar quem denuncia para proteger a “honra dos homens”; quem está por trás deste projeto com seu apoio direto? Diego Clementi ginecologista condenado a 14 anos de prisão por abuso sexual reiterado contra 11 de suas pacientes, Nicolas Marquez biógrafo amigo de Milei, que foi denunciado em 2008 por abuso à sua filha menor de idade, causa arquivada por ser amigo do promotor, mas além disso vinculado com Laurta fundador de Homens Unidos, duplo feminicida por assassinar sua parceira e ex-sogra além de ter material de abuso infantil.
Todo isso somado aos discursos negacionistas e de ódio às mulheres e dissidências por parte do presidente Javier Milei, que lembramos que afirmou no discurso de Davos, que o feminismo radical é uma distorção do conceito de igualdade e que, segundo ele, a “igualdade” perante a lei já existe no ocidente, que tudo o mais seria uma busca por privilégios. Além disso, expressa que não há dados que nos mostrem a desigualdade de gênero, e até chega a desenvolver uma crítica à figura dos feminicídios.
Um relatório recente dos Ministérios Públicos analisou mais de 8 milhões de causas penais em 17 jurisdições do país. O relatório determinou que as falsas denúncias representam apenas 0,09% do total de causas.
Todo isso ocorre em meio a uma profunda crise econômica que atinge diariamente milhões de famílias. A queda do salário e a perda do poder aquisitivo obrigam a enfrentar diariamente decisões que forçam a escolher entre pagar dívidas, garantir alimentos ou sustentar gastos básicos do lar. Nesse cenário, são principalmente as mulheres quem absorvem grande parte das tarefas de cuidado, sustentam a organização familiar e muitas vezes também os espaços comunitários que tentam responder a necessidades que o Estado deixa sem resolver.
Há 11 anos do primeiro Ni Una Menos, continuamos enfrentando uma realidade marcada pela violência de gênero, os feminicídios, a discriminação e a desigualdade. As conquistas alcançadas através da luta do movimento de mulheres e diversidades são importantes, mas ainda se mostram insuficientes diante de um sistema que reproduz cotidianamente diferentes formas de opressão. Por isso, é fundamental que neste 3 de junho, devamos nos organizar em cada lugar de trabalho e estudo para sair às ruas e visibilizar nosso descontentamento e exigir soluções de fundo. Já que não podemos esperar nada das direções de centrais sindicais, os sindicatos, as direções de mulheres e as organizações sociais; não organizam nem convocam greves, mobilizações ou atividades de rua, estão deixando Milei governar na expectativa de uma solução eleitoral de 2027.
O PSTU, entende que esta luta não poderá ser resolvida plenamente dentro de uma sociedade baseada na exploração e na opressão.
A desigualdade de gênero não existe isolada das relações econômicas e sociais que sustentam este sistema. Por isso, sustentamos que a luta pela emancipação das mulheres e das diversidades está intimamente ligada à luta da classe trabalhadora por transformar a sociedade.
Também acreditamos que a solução não passa por enfrentamentos de mulheres contra homens. A violência machista, a discriminação e a desigualdade não são problemas que possam ser resolvidos unicamente pelas mulheres. São problemas sociais que devem ser enfrentados pelo conjunto do povo trabalhador. Precisamos construir a mais ampla unidade de quem sofre a exploração e as injustiças, independentemente de seu gênero.
A experiência demonstra que pertencer a um determinado gênero não garante uma posição política favorável aos direitos das mulheres. Já vimos que existem mulheres que ocupam cargos de poder como Lemoine, Lozada, e inclusive a própria Cristina que se proclamou em seu momento contra o Aborto legal entre muitas outras e defendem políticas que aprofundam as desigualdades, da mesma forma que existem homens que participam ativamente das lutas pela igualdade. O verdadeiro limite não passa pelo gênero, mas sim pelos interesses sociais e de classe que cada setor representa.
Por isso te convidamos a fazer parte do PSTU para dar esta luta junto ao restante dos trabalhadores e trabalhadoras para acabar com este sistema e assim transformar esta sociedade.




