Seguir o exemplo do povo colombiano

A alta do preço do pão, em meio à segunda onda da pandemia, constitui um novo ataque às condições de vida da classe trabalhadora e dos pobres, que já estão gastando o que não têm para comprar cilindros de oxigênio e enchê-los diariamente, em uma corrida desesperada e custosa para salvar nossos entes queridos.

Por: PST-Peru

Não é suficiente para a patronal e seu governo nos expor à Covid. O resultado do “salve-se quem puder” que a Confederação Nacional das Instituições Empresariais Privadas (ONFIEP) tanto exigiu e que Sagasti aplicou sem remorso, resultou em milhares de mortes durante uma “segunda onda” que mais parece uma avalanche sem fim, morrendo por falta de atendimento médico e oxigênio. Os mortos continuam saindo dos pobres e trabalhadores do país!

Agora, querendo punir o desejo de mudança da população pobre e trabalhadora do país, os patrões e o governo deixaram correr a alta do dólar e, com ela, de produtos básicos como o pão. Não contentes com a doença, eles nos entregam à fome!

A este novo ataque somam-se as demissões e dispensas coletivas (a Telefónica acaba de colocar 844 trabalhadores na rua), a suspensão perfeita do trabalho[1], a não resolução das listas de reivindicações e a imposição de jornada ampliadas em benefício exclusivo das empresas. Todas são medidas endossadas pelo governo para garantir os lucros das empresas.

Por isso, o Partido Socialista dos Trabalhadores, sustenta que o caminho que os trabalhadores devem seguir é o traçado pelos irmãos colombianos: tomar as ruas contra os ataques dos patrões e do governo, em defesa do saúde, do pão e do trabalho.

Esta é a primeira tarefa que os trabalhadores, trabalhadoras, estudantes, camponeses e camponesas e nossas organizações de base devem enfrentar!

É essa tarefa, aliás, a única que pode derrotar definitivamente o empresariado e toda a reação que se agrupa por trás da candidata Fujimori, herdeira da ditadura assassina e corrupta liderada por seu pai e pela qual o empresariado e o imperialismo iniciaram o recente saque do país, e destruiu os direitos conquistados pela classe trabalhadora em décadas de luta.

Nós, os/as companheiros/as do PST, vamos votar em Castillo porque é a única ferramenta concreta no campo eleitoral, para enfrentar Fujimori e companhia. Assim entenderam a vanguarda operária e popular e assim o entendemos também. Mas, como dissemos desde o início da corrida para o segundo turno, isso não é suficiente.

Os trabalhadores e trabalhadoras só devem confiar em nossa organização e mobilização para impor nossas demandas urgentes.

Castillo tem um programa diferente daquele da classe trabalhadora, que coincide com os patrões na abertura econômica apesar da pandemia, que não reconhece direitos importantes das mulheres e da população LGTBIQ. Um programa que, aliás, tem se moderado dia a dia para se tornar digerível pelos capitalistas, aos quais já ofereceu “segurança jurídica” para seus negócios, ou seja, nada vai mudar.

VAMOS FAZER COMO O POVO IRMÃO DA COLÔMBIA!

Do Chile ao Equador, Paraguai e agora a Colômbia, os povos vêm conquistando suas reivindicações com sua mobilização.

Os/as companheiros/as do PST sustentam que os/as trabalhadores/as de nosso país precisam seguir o exemplo do irmão povo colombiano, que derrubou o pacote do governo Duque pela força da mobilização.

Precisamos derrotar os ataques do empresariado, que nos joga na miséria com demissões e aumento de preços, bem como a morte de Covid.

Para isso, devemos realizar assembleias e votar um plano unificado de luta, no qual o voto do dia 6 de junho é um pequeno passo, condicionado ao fortalecimento da organização e da mobilização.

80 dias nos separam de 28 de julho. Se não retomarmos a luta, continuaremos morrendo aos milhares, sendo jogados nas ruas aos milhares… não podemos esperar mais!

[1] A suspensão perfeita do trabalho implica a cessação temporária da obrigação do trabalhador de prestar o serviço e do empregador de pagar a respectiva remuneração (ndt.).