Lá se vão os tempos em que uma Comissão Europeia definia diretamente o que se podia ou não fazer no orçamento português. Impuseram os cortes nos salários, nos direitos e nos serviços públicos. Impuseram o déficit orçamental e aumentaram a dívida do país. Não temos memória curta. Tudo isto foi com a subserviência do PS, não só do PSD. A Troika lá se foi e há quem diga que já não manda aqui. Viramos a página da austeridade. Agora são novos tempos e é preciso investir no país. Será?

Por: Em Luta – Portugal

Costa recusa-se a retirar as leis laborais dos tempos da Troika, não só porque se cansou de ter os partidos à esquerda como aliados, mas principalmente porque, para ser um bom aluno da União Europeia, é preciso fazer a lição direitinho, e não se pode recuar nas reformas estruturais que tanto desgaste político causaram.

A bazuca europeia e os fundos europeus não são para aumentar o peso do Estado Social gerando gastos permanentes, mas sim para garantir a retoma dos lucros dos patrões às custas da super-exploração dos trabalhadores. São incompatíveis com mais direitos, salários e serviços públicos.

Costa quer manter-se como bom aluno e o seu plano de retoma assenta no projeto europeu de um país periférico, que vende barato os seus recursos e tem baixos salários, subserviente aos interesses das multinacionais e do imperialismo alemão e francês, e contra os seus trabalhadores e população mais pobre. Achar que é possível conquistar direitos no marco deste projeto é utópico. A condição para o projeto europeu é acentuar a super-exploração, e não reverter a austeridade.

Nestas eleições, os partidos dos patrões – PSD e PS e seus satélites (CDS, Chega, IL) – preparam-se para mais ataques aos direitos dos trabalhadores. Por isso chamamos a não votarmos nos partidos dos patrões. Votemos criticamente no BE, PCP ou MAS para não fortalecer os planos neoliberais submissos ao poder de Bruxelas. No entanto, votar não basta. BE e PCP não tiraram as verdadeiras lições do que foi o governo da Geringonça, que salvou o PS e seguiu com a venda e destruição do país, e agora apontam como nova solução uma nova Geringonça, sem questionarem o projeto de país dentro da UE.

A grande batalha pelos rumos do país dá-se organizando a classe trabalhadora de forma independente dos patrões e preparando a luta contra a UE e o Euro, que acentuam a pobreza e a exploração. Defender consequentemente essas propostas é afirmar a necessidade de uma nova revolução em Portugal que coloque no poder um Governo dos trabalhadores, único Governo capaz de implementar as medidas necessárias para os explorados e oprimidos.