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Mais de 200 pessoas, entre aderentes e amigos do Ruptura/FER, estiveram presentes no Mercado da Ribeira, em Lisboa, no dia 17 de Abril, para a festa organizada por esta corrente interna do Bloco de Esquerda.

Participaram da festa membros de comissões de trabalhadores, estudantes universitários e secundaristas, professores, operários e muitos outros ativistas que se opõem ao governo Sócrates/PS e lutam pelo socialismo. Estiveram presentes delegações de Coimbra, Braga e do Algarve.
 
As atividades no Mercado da Ribeira começaram às 17 horas, com uma palestra/debate sobre a situação do ensino universitário em Portugal, a quase inexistência de saídas profissionais para os jovens licenciados e a precariedade que atinge a classe trabalhadora, em especial a juventude. Integraram o painel de oradores a professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Teresa Alpuim e jovens trabalhadores precários do ensino, aeroporto e da PT. Para ilustrar o debate, foi montada uma exposição de fotografias sobre a precariedade.
 
Após o debate, realizou-se o jantar, seguido de música e discursos políticos. Apresentaram-se o duo Diana e Pedro, com música de intervenção, e a banda D’Age. Para representar a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI) falou Ángel Luis Parras, de Corriente Roja (Estado Espanhol). Em sua intervenção, o dirigente espanhol comparou a situação econômica e social que atravessa a Europa com a erupção do vulcão islandês que praticamente paralisou o continente com a interrupção dos voos nos últimos dias. “O vulcão social” que irrompeu na Grécia, com greves gerais e duros confrontos com a polícia nas ruas em protesto contra as medidas de austeridade impostas pelo governo “socialista” de George Papandreu e pela Comissão Europeia, foi apontado como o caminho a ser seguido pelo conjunto da classe trabalhadora da Europa.
 
Gil Garcia, pelo Ruptura/FER, começou a sua intervenção denunciando a hipocrisia do governo Sócrates/PS e do capitalismo português que permitem ganhos milionários aos gestores de empresas públicas e privadas enquanto impõem, através do Orçamento do Estado e do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), congelamento salarial para os trabalhadores, redução de benefícios sociais, cortes nos investimentos públicos, na saúde e na educação, e privatização de empresas públicas.
 
A seguir, ele denunciou também a falsa alternativa apresentada pela direita, PSD e CDS-PP, e a demagogia dos seus líderes, que criticam o PEC, mas querem um plano ainda pior, com redução salarial e cortes ainda mais profundos nos direitos sociais.
 
À esquerda, Gil apontou a necessidade da construção de uma alternativa para derrotar o governo, nas lutas e no plano político. O fim da maioria absoluta de Sócrates no Parlamento não bastou, como se vê hoje, quando a maioria dos “socialistas” é substituída pela maioria absoluta PS-PSD-CDS-PP para garantir a aprovação dos planos de ataque aos trabalhadores e ao povo. Para derrotar os planos da burguesia e desta nova “maioria” de direita, o dirigente do Ruptura/FER enquadrou as eleições presidenciais de 2011 como um momento importante desta luta. E criticou a opção do Bloco de Esquerda de apoiar Manuel Alegre, o provável candidato do PS/Sócrates. “Não devemos apoiar o mesmo candidato do governo”, disse Gil Garcia, que apontou como saída uma candidatura própria do Bloco ou de unidade da esquerda fora da área governamental.
 
Esta foi a segunda festa organizada pelo Ruptura/FER nos últimos dois anos. A anterior realizou-se no ano passado, também no mês de Abril, daquela vez a comemorar os 35 anos de existência da corrente que deu origem ao Ruptura/FER e o número 100 do seu jornal.
 
Fonte: site Ruptura/FER, 22/04/2010