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Patricio de La Cruz Marcos, um jovem de 25 anos da fábrica  Autoliv, foi assassinado. Seu corpo sem vida foi encontrado no sábado, 30 de março. A mídia local e redes sociais que apoiam os trabalhadores espalham a notícia, entrevistando seu irmão Fredy e outros membros da família, que pedem ajuda para juntar 35 mil pesos que eles têm que pagar para levar o corpo à Veracruz, sua terra natal.

Por: CST-México

Várias testemunhas, que dizem ter visto quando ele foi espancado pela polícia estadual, não se atrevem a fazer a denúncia. Patricio e Fredy chegaram há alguns anos para trabalhar nas maquiladoras. Fredy e sua família se aproximaram do acampamento de grevistas da Coca-Cola, hoje um centro de reunião e difusão  da resistência do ativismo em luta, para apelar para a solidariedade do povo trabalhador matamorense. Juan Luis Gaitan, porta-voz e líder da greve da Coca-Cola expressou a necessidade de organizar a autodefesa operária para evitar esses ataques ante a total desconfiança de que vá prosperar as “investigações das autoridades”.

Este assassinato é parte da repressão liderada pelo governador Cabeza de Vaca, para defender os interesses e ditames dos patrões imperialistas instalados neste estado, na fronteira. Mas é claro que esta fúria assassina está relacionada com a brutalidade que mostraram os gerentes e chefes da Coca-Cola  e também das fábricas Mecalux, FluxMetals, Agroquímicos e  Avanços Científicos por parte de um exército de polícia estadual e de choque para impedir violentamente os piquetes dos operários. Uma das empresas expressou que estava disposta a aceitar a reivindicação. Mas o pacto entre patronal e governo foi mais forte e se recusaram a assiná-lo.

Não temos dúvidas de que esse complô antioperário não é apenas em nível estadual, mas também em nível federal. E que o governo está mais preocupado com o interesse dos “investidores” e a “paz trabalhista” a qualquer preço do que pela justiça das reivindicações dos operários. Há indícios sobrando: reuniões privadas do presidente com o chefe máximo da CTM, viagens da Secretaria de governo para se reunir com o carrasco governador Cabeza de Vaca, desconhecimento das greves e a indiferença e passividade diante das cerca de 5.000 demissões de operários, por parte das Secretarias de Trabalho Local e Federal … O que mais é necessário para ver de que lado eles estão?

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São lutas heroicas que duram mais de 70 dias, surgidas das bases, superando os burocratas sindicais vendidos. Propõem-se a uma organização sindical independente. Os operários de Matamoros são uma chama que marca o caminho para o resto da classe operária mexicana. É por isso que a classe capitalista e os governos que a servem, incluindo o governo que se diz da “Quarta Transformação”, querem liquidar o mais cedo possível este movimento que é um pesadelo para os donos de poder e do dinheiro em ambos os lados da fronteira com os Estados Unidos. Porque os operários em sua luta heroica estão apontando pouco a pouco para o que é a verdadeira Transformação necessária e qual é o governo que o México precisa.

Por todas estas razões, a partir da CST do México e da LIT-QI, apelamos a toda as organizações nacionais e internacionais a solidariedade moral, política e material com os operários de Matamoros neste momento crítico. Repudiamos o covarde assassinato de Patricio de La Cruz e a brutal repressão da polícia do estado.

Exigimos que o governo mexicano e seu presidente AMLO, que não continue em seu silêncio cúmplice, enquanto tentam esmagar um movimento genuíno de uma parte do povo que votou nele e confiou em ​​suas promessas.

Tradução: Lena Souza