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Milhares de docentes, estudantes e médicos hondurenhos sustentam uma luta heróica há mais de um mes em defesa da saúde e da educação pública.

Por PT-Costa Rica

As características do processo

Esta greve é um enfrentamento direto contra o governo ditatorial de Juan Orlando Hernández (JOH) e as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para cortar a saúde e a educação. O governo hondurenho vem preparando uma ofensiva neoliberal que busca privatizar a saúde e a educação, para reduzir seu orçamento e usar esses fundos para o pagamento da dívida externa.

O processo tem já uma vitória parcial ao conseguir deter a ratificação dos decretos de reestruturação, produto das mobilizações de abril.

A luta tem uma direção clara, independente dos partidos de oposição e elegeu o caminho correto: a luta e NÃO as negociações e os diálogos infrutíferos com o inimigo.

Rapidamente converteu-se em um movimento que se sustenta a partir da participação massiva das bases, dando pouca margem para que os dirigentes manobristas levem adiante políticas divisionistas, ou tentativas de sentar-se para negociar com uma ditadura que não respeita minimamente as leis, nem os direitos, e muito menos as demandas dos trabalhadores.

As mobilizações e ocupações conseguiram incorporar a juventude, sendo determinante a participação nos protestos dos estudantes secundários, a UNAH, a UPNFM e o INFOP.

A Assembleia Nacional em Defesa da Saúde e Educação Pública

Com a presença das Plataformas Departamentais dos 18 departamentos e alguns movimentos sociais e populares, em 28 de maio desenvolveu-se em Tegucigalpa a Assembleia Nacional em Defesa da Saúde e Educação Pública, na qual há um ânimo de luta que não se detém nem com as ameaças do governo. Ademais, o processo alcançou níveis de organização regional que permitiu realizar mobilizações e ocupações por todo o país. A política de dividir e negociar por parte de alguns dirigentes dos magistérios foi derrotada pelo ímpeto das bases, que desautorizaram qualquer dirigente negociar com o governo. As bases foram claras: REVOGAÇÃO SEM NEGOCIAÇÃO.

Avançar na unidade e aprofundar a Paralisação Nacional

Convocou-se uma paralisação em 30 e 31 de maio, as quais tiveram êxito ao longo de todo o país e ante as quais o governo respondeu com uma forte repressão. Ainda assim, os trabalhadores e estudantes continuaram a luta em todo o país, com amplas mobilizações, ocupação das principais rodovias, interrupção de ruas, bloqueios, ocupação de pedágios e o incêndio da Embaixada dos Estados Unidos. Em sinal de apoio os pais de família e estudantes fecharam os centros educativos para combater a política antisindical do governo.

Depois desta importante jornada, é fundamental avançar na realização de uma paralisação nacional com todos os setores em oposição à ditadura. Até o momento, a Plataforma de Luta em Defesa da Saúde e Educação Pública converteu-se em uma referência para os trabalhadores. Não estamos somente ante a possibilidade de conformar um polo de reagrupação da classe trabalhadora, mas também ante a oportunidade histórica de conformar uma direção independente e revolucionária.

No interesse da unidade, é preciso que todos os setores se unam à luta convocando uma Grande assembleia Nacional de Lutadores e Lutadoras, um espaço que sirva para discutir a incorporação de todas as demandas, sob um acordo programático que reflita os interesses dos bairros que lutam contra os altos custos da energia elétrica, os estudantes universitários que lutam pelo pagamento de bolsas, as comunidades que lutam contra a mineração e os projetos hidroelétricos, os trabalhadores que enfrentam as patronais em defesa dos contratos coletivos, as mulheres que exigem um cessar da violência  e dos feminicídios, a diversidade sexual que luta contra a discriminação.

Uma grande assembleia para dar lugar à Frente de Defesa da Classe Trabalhadora que lute contra os ataques da ditadura e da patronal.

Contra os ataques dos governos da região aos serviços básicos: solidariedade e luta dos povos centro-americanos!

Por um programa e plano de luta unitário contra a ditadura!

Tradução: Lilian Enk