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Pisoteando uma vez mais a autodeterminação dos povos chimanes, yuracarés e moxeños e, com a desculpa de “estabelecer a soberania e proteger o meio ambiente com a presença do Estado”; o governo de Evo Morales hipocritamente decidiu instalar um regimento “ecológico”, embora o Ministro Quintana afirmasse poucos dias atrás: "não existe nem existirá intenção, ações ou estratégias para militarizar o TIPNIS [Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Sécure: Área de proteção criada como Parque Nacional em 1965 e declarada Território Indígena em 1990 graças às lutas indígenas da região. Está localizada entre os departamentos de Beni e Cochabamba, ndt.]” (hoybolivia.com 13/8/12).

Militariza-se o TIPNIS para impor pela força a consulta

A verdadeira intenção de governo é evidente: ante a heroica e tenaz resistência dos povos indígenas à consulta enganosa, pretende impô-la pela força [O governo pretendia construir uma estrada que cortaria a área, mas foi impedido pelo movimento, agora pretende realizar uma consulta para tentar retomar o projeto, ndt]. O governo aprofunda assim sua política de criminalização do protesto social como a sua resposta à luta dos trabalhadores e do povo contra a sua política a serviço das transnacionais, dos latifundiários e dos grupos econômicos capitalistas nacionais. O Governo não tem intenção alguma de proteger os Parques Naturais. Do que se trata é de controlar os recursos que estes espaços guardam para oferecê-los numa bandeja de prata às transnacionais saqueadoras e ao imperialismo (neste caso ao brasileiro). Não por acaso existem três concessões para a exploração petrolífera no interior do TIPNIS.

O governo utiliza as forças armadas para defender os interesses da OAS [Empreiteira brasileira], Petrobras e Petroandina.

Nos anos 80 e 90 os governos neoliberais entravam com suas tropas e com a DEA [Agência dos EUA de combate as drogas] na região do cochabambino, semeando sangue e mortes, mas sem poder instalar uma base militar na zona. Agora, este governo supostamente “indígena e popular” que se apoderou da rebelião de 2003, se apoia nas forças armadas para levar adiante sua política entreguista. As mesmas forças armadas que massacraram o povo boliviano nas jornadas de outubro e que no momento massacravam os cocaleros em Chapare.
 
O governo combina força com engano

Este regimento ecológico é na realidade um fortalecimento de sua política de força e amedrontamento, já que o TIPNIS está militarizado desde o princípio do ano, quando contingentes militares ingressaram para repartir “presentes” nas comunidades e controlar as entradas do território. Com esta nova força militar busca tomar o controle total do território e submeter pela força às comunidades rebeldes.

Mas sua táctica principal é o engano mediante a consulta, e como a pesar de todos “presentes” e difamações contra os legítimos dirigentes da CIDOB, ainda não logra impor seu objetivo, decidiu prolongar esta consulta ilegítima por mais 90 dias, até conseguir argumentos (ainda que falsos) para indicar que “os indígenas de TIPNIS querem a estrada”.

Lutar pelo TIPNIS é lutar contra as transnacionais

A luta pela defensa de TIPNIS, enfrenta-se com enormes interesses econômicos nacionais e multinacionais assentados no Brasil e no Chile, com os quais o governo do MAS tem compromissos que quer cumprir a qualquer custo. Luta que tem que integrar-se à luta contra a política entreguista dos recursos naturais bolivianos que o governo vem desenvolvendo como temos visto em Mallku Quta, Colquiri e Mina San Cristóbal.

Que a COB não seja cúmplice do governo entreguista

A aliança burguesa, antioperária, anti-indígena, antipopular e pró-imperialista que desenvolve o governo é muito forte. Por isso consideramos que é muito difícil que os povos indígenas possam alcançar a vitória por si só. Para triunfar é necessária a mais ampla unidade e coordenação dos setores populares que hoje se enfrentam isolados com a política do MAS. E neste caso a maior responsabilidade toca as direções do movimento operário. A COB em especial, lhe corresponde fazer efetivo o apoio ao movimento indígena em defensa do TIPNIS, como foi votado em seu último congresso. A atual atitude passiva da COB a faz cúmplice da política de governo. A COB deve romper esta passividade recuperando a independência política e sindical, e preparando a luta seriamente, o que implica a participação efetiva e democrática das bases em sua organização.

Ante estes fatos nós individualmente e nossas organizações e grupos que lutamos pela defensa do TIPNIS, sabendo que esta representa uma batalha anticapitalista que envolve a cada mulher e a cada homem consciente da histórica luta dos povos indígenas e a defesa de nossos recursos naturais ante o saque transnacional.

Manifestamos:

Não a consulta, ilegítima e manipulada!

Fora as tropas militares de TIPNIS!

Viva a resistência indígena!

Não a estrada pelo interior do TIPNIS!

Viva a autodeterminação dos povos indígenas!

Fora as transnacionais do TIPNIS e da Bolívia!

Unidade e coordenação dos setores em luta para derrotar os ataques do governo.

Organizações firmantes:

Agenda Revolucionaria; Tesis 11; Lucha Socialista-LIT.