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O imperialismo, isto é, a dominação mundial dos monopólios cujas empresas sede estão nos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Japão e outros poucos países, garante seus lucros não apenas explorando diretamente os trabalhadores onde eles investem para produzir ou extrair riqueza (agroindústria, mineração, petróleo, indústria automotiva, siderurgia, etc.), mas utilizam também outros mecanismos, como a Dívida Pública.

Por: PSTU Argentina

De uma forma ou de outra, todo o lucro sai da produção material e é distribuído entre os diferentes patrões via preços. Tal é o grau de produtividade alcançado que se estima que há 15 vezes mais dinheiro no mundo especulando em finanças do que na produção de grãos, carros, etc. Algumas das formas mais comuns de alcançar esse desempenho são demitir e aumentar os ritmos de trabalho para produzir o mesmo ou mais com menos funcionários. Ou baixar salários através da inflação, com reajustes mais baixos e retirando conquistas de acordos coletivos.

Mas, a sede de lucros capitalistas não tem limites. E se a produtividade não continuar a crescer, as margens diminuirão. É por isso que, embora tenham conseguido passar uma parte da reforma previdenciária, foi um duro golpe para eles que, em 18 de dezembro de 2017, a reforma trabalhista que Macri e a CGT já tinham acordado permanecesse estancada.

A luta de classes explica em grande parte a aceleração da crise e a intenção do governo de sair do “gradualismo” no ajuste. Eles vêm com tudo. Nos oprimem para que aceitemos mais flexibilidade trabalhista, chegando inclusive a importar o que antes produzíamos.

Desde que Cavallo, presidente do Banco Central no final da última ditadura militar, estatizou as dívidas privadas de empresários como Macri (Grupo SOCMA), todos os governos patronais reconheceram essa fraude e fizeram todos os trabalhadores pagar, por gerações. Mas precisamente como é uma fraude, quanto mais pagamos juros ganaciosos, mais estamos endividados.

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Os saldos favoráveis ​​do comércio exterior (a diferença entre exportações e importações) permitiram ter dólares para pagar esses juros, após a “inadimplência” (suspensão de pagamentos) e a brutal desvalorização de 2001 que reduziu nossos salários para um terço, estimulando as exportações. Cristina orgulhosamente disse que era “pagadora em série” com essas reservas. O Banco Central “refinanciou” emitindo novas dívidas através de notas promissórias ou títulos em pesos (Lebac) a taxas de juros cada vez mais altas que as taxas do Tesouro dos EUA (chamam essa diferença de “risco-país”).

Isso atrai especuladores interessados ​​em adquiri-los para fazer a “bicicleta financeira”¹, em vez de dólares, como aconteceu no final de abril com o fundo de investimento liderado pelo Morgan Stanley, acelerando a fuga de moeda estrangeira.

Nosso país basicamente exporta grãos e outras matérias-primas (“commodities”). É daí que vêm muitos dos dólares que o governo usa. Mas eles nem chegam a cobrir esses juros mais altos (45% anuais) quando vencem os prazos para pagar por esses títulos. Ou seja, é o caminho que eles querem evitar para um novo “default” (não pagamento da dívida). O governo já dispôs de 15 bilhões de dólares do FMI – com uma taxa de juros menor – para “trocar” esses títulos mês a mês até o final do ano.

Quanto mais pesos para pagar cada dólar, mais dívida em pesos será “coberta” por esses dólares. É por isso que o FMI limita o uso de seu “empréstimo” para conter “as corridas da taxa de câmbio”, “livre flutuação”, pelo menos até estabilizar um dólar alto que seja uma referência para os patrões. Além disso, essa desvalorização do peso e a consequente inflação que duplica o assinado nos acordos coletivos – como já vimos- diminuem nossos salários aumentando os lucros disputados pelos patrões.

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¹ “Bicicleta financeira”- enorme operação de câmbio de dólares e pesos, tudo graças a um sistema cambiário flutuante e a possibilidade de tirar proveito de uma alta taxa de juros.

Tradução: Nea Vieria