Depois da vitória que foi a conquista do casamento entre pessoas do mesmo sexo, movimento LGBT português avança nas exigências, como a possibilidade de adoção.
 
No passado dia 19 de Junho, realizou-se, em Lisboa, a maior marcha LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) alguma vez realizada em Portugal. Entre 2 mil a 4 mil pessoas marcharam para celebrar as conquistas do último ano, mas, principalmente, para reivindicar tudo aquilo que falta. Para o dia 10 de Julho está agendada a marcha do Porto.
 
Governo tenta manipular
 
Mesmo antes de iniciar os ataques à classe trabalhadora com os PEC’s, o governo PS/Sócrates legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas impossibilitando a adoção, e, mais tarde, aprovou uma proposta do Bloco de Esquerda que permite aos homens bissexuais e homossexuais doarem sangue. Assim, o PS dá um rosto de esquerda para governar à direita.
 
Para, além disso, o governo tenta controlar e travar o movimento LGBT, principalmente através da Juventude Socialista, e neutralizar o descontentamento deste setor, que em tempos de crise tenta transformar numa muleta para disfarçar a sua impopularidade. Assim, apesar de vermos este último ano como uma vitória, não achamos que é tempo de celebrar.
 
Avanço nas exigências
 
Felizmente, a maioria das organizações presentes na marcha de Lisboa avança nas exigências: possibilidade de adotar, procriação medicamente assistida para todas as mulheres lésbicas ou heterossexuais, todas as questões referentes à parentalidade ainda vedadas a quem se casa com alguém do mesmo sexo ou a criação de uma lei de identidade de gênero.
 
Uma das organizações que se destacou foi o grupo de trabalho do SUP (Sindicato Unificado da Polícia) – Identidade XY – que combate os problemas que todos os da PSP que não são heterossexuais têm que enfrentar diariamente, tudo no âmbito do sindicato. Isto deve servir de exemplo para todos os sindicatos se juntarem a esta luta que é de todos os trabalhadores.
 
Mercado cor-de-rosa
 
Apesar de terem aumentado substancialmente, as marchas portuguesas estão muito longe das marchas de Madrid, Nova Iorque ou Rio de Janeiro, algumas delas com milhões de participantes. Estas, porém, estão subjugadas ao mercado capitalista e esvaziadas de conteúdo político, sendo o objetivo dos seus organizadores o lucro das empresas e multinacionais envolvidas. O PSTU, seção brasileira da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), foi expulso pela polícia da marcha do Rio em 2007, por estar a denunciar esta situação.
 
Mais ainda, estas empresas aproveitam e promovem a estereotipagem das pessoas LGBT (fúteis, vazias e consumistas) para lucrar no chamado “mercado cor-de-rosa”, novo nicho de mercado do capitalismo que já faz milhões, desde bares e discotecas à moda e consumo, deixando apenas as classes mais ricas acederem à verdadeira saída do armário e à vivência da sua sexualidade plena. Nada melhor para as empresas que intervêm no “mercado cor-de-rosa” que as marchas para se publicitarem.
 
Independência e liberdade
 
Não tendo as marchas de Lisboa e Porto sido ainda contaminadas pelo mercado, devemos todos combater a entrada de empresas ou organizações com fins lucrativos nas marchas, mantendo-as independentes e livres para serem reivindicativas e combativas na luta pelos direitos LGBT, com uma perspectiva de classe, pois não se pode afirmar que um gay rico é oprimido com a mesma intensidade que um gay pobre.
 
Todos os trabalhadores devem apoiar e participar nas marchas de Lisboa e Porto para combater a discriminação que divide e enfraquece a classe trabalhadora frente à burguesia, que facilita as demissões, precariza e isola os LGBT, porque a classe trabalhadora é uma só e só se emancipará realmente quando nenhum trabalhador for oprimido ou explorado.
 
Fonte: Jornal Ruptura no. 110, julho de 2010