No dia de ontem algumas centenas de jovens se dirigiram a Assembleia Nacional de Angola, em Luanda, onde a ditadura do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) tenta manter a fachada de um regime democrático.

Por: Antonio Tonga

Os manifestantes protestavam contra o que é chamado “diploma eleitoral”, projeto que tenta criar regras e condições mais proibitivas para as eleições no país. Os manifestantes exigem condições democráticas para participarem das eleições autárquicas que deveriam se realizar em 2022 (mas que estão prometidas de se realizar há vários anos).

Ao chegarem próximo da Assembleia Nacional, os jovens manifestantes se depararam com um extenso efetivo da polícia nacional que montou um cordão em todo o perímetro e locais adjacentes, incluindo efetivos antidistúrbios, brigada de cavalaria e agentes à paisana.

Embora realizassem um protesto pacífico, os manifestantes foram duramente reprimidos com golpes de bastões e cassetetes. Mais de 20 manifestantes foram presos.

A repercussão dessa repressão ditatorial do governo angolano foi imediata. Dentro e fora do país, várias organizações politicas e ativistas da juventude repudiaram essa repressão e prepararam uma grande campanha pela liberdade destes presos políticos.

Em Luanda já se estava convocando uma nova manifestação ainda maior para frente da Assembleia Nacional. Frente a isso, a ditadura libertou todos os presos ainda no final do dia.

Basta de ditadura! Basta de miséria!

A juventude angolana está cansada da miséria, do elevado custo de vida, e da repressão e autoritarismo que tem aumentado em meio à pandemia da COVID-19. Por isso têm crescido manifestações no último período em vários pontos do país exigindo saída do MPLA, eleições autárquicas livres, e contrárias à lei eleitoral e às mudanças na CNE (Comissão Nacional de Eleições).

Os companheiros e companheiras da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI) de Portugal e Brasil rapidamente manifestaram sua solidariedade inequívoca a esta manifestação da luta da juventude angolana e defenderam a liberdade dos presos políticos contra a ditadura sanguinária do MPLA. Não esquecemos os acontecimentos do início do ano em Cafunfo, onde a polícia nacional chacinou mais de 20 membros do Protetorado Lunda Tchokwe.

Fora JLO! Fora MPLA!

31/08/21

Assista ao vídeo direto sobre os protestos:

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