Se você pensou que a pandemia estava controlada, pensou errado. Infelizmente essa tem sido a percepção de boa parte da população. Uma pesquisa do Datafolha, divulgada em 15 de julho último, mostra que 53% consideram a pandemia no Brasil parcialmente controlada, contra sensatos 41% que sabem que ela ainda está fora de controle.

Por: PSTU Brasil

Tal percepção é alimentada pelas baboseiras negacionistas de Bolsonaro, pela reabertura criminosa levada a cabo pelos governadores e prefeitos e também pela diminuição do número de casos e mortes. Em março, por exemplo, quando a pandemia chegou ao seu auge, alcançando mais de 3 mil mortes diárias, 79% opinavam que ela estava fora de controle. No entanto, é preciso destacar que o número de mortes segue altíssimo. Em 3 de agosto 1.238 brasileiros morreram por Covid, um a cada 70 segundos.

A falsa impressão de segurança pode ser o prelúdio para novas tragédias. Basta apenas olhar para os países centrais do capitalismo na Europa e os Estados Unidos para constatar que por lá as coisas estão fora de controle com a variante delta, surgida na Índia.

Uma nova onda surgindo

A variante delta é tão contagiosa quanto a catapora e muito mais contagiosa que os resfriados ou a gripe comum, de acordo com o relatório do Centers for Disease Control (CDC). Pesquisas realizadas na China indicam que a variante delta se replica muito mais rápido e gera mil vezes mais vírus no organismo, comparada à versão original da doença. Por isso, ela representa um grande perigo e inicia uma nova onda de contaminações.

Um exemplo da sua capacidade de contaminação acontece hoje no Vietnã. Até poucos meses, o país do Sudoeste Asiático era descrito como um exemplo de triunfo no combate à Covid-19. Com 100 milhões de habitantes, até maio deste ano, o Vietnã tinha registrado só 35 mortes pela pandemia, todas elas concentradas em pouco mais de um mês no ano passado. Mas tudo mudou com a delta; os casos explodiram, chegando a 6 mil por dia, e hoje o país soma mais de 1.300 mortes.

Outra situação preocupante é o que acontece nos EUA, onde a variante delta tem provocado disseminação rápida do vírus e, atualmente, é responsável por 83% dos casos. Aproximadamente 50% dos estadunidenses já receberam a segunda dose, mas esse nível não foi atingido ainda em cerca de dois terços das cidades do país. Há uma profunda desigualdade na vacinação nos estados em razão do negacionismo ideológico. Aqueles estados onde o negacionismo é mais forte, via de regra associado ao trumpismo, registram baixa imunização, tais como Alabama (34%), Arkansas (35%), Louisiana (36%), Mississippi (34%) e Wyoming (36%), que estão vivendo nova onda da Covid-19. A Louisiana, por exemplo, permitiu o fim do uso de máscaras em ambientes fechados e bateu, em seguida, recordes de casos de Covid-19. Teve que voltar atrás e novamente recomendar uso de máscara em ambientes fechados.

Os dados também indicam que a maioria das hospitalizações e mortes causadas pelo coronavírus nos EUA acontecem entre pessoas que não foram vacinadas. Novamente na Louisiana, cerca de 93% dos casos são entre quem não se vacinou.

No Reino Unido, o governo também resolveu abrir tudo precipitadamente, suspender a obrigatoriedade das máscaras e cancelar a proibição de aglomerações em bares e restaurantes, apesar dos protestos dos infectologistas e epidemiologistas das universidades mais importantes do país. Não deu outra, o aumento do número de casos no país não para de crescer, apesar de cerca de 68% dos britânicos já terem recebido a primeira dose e 52%, a segunda, números bem mais favoráveis do que os nossos. Na Alemanha foi anunciado que o país “entrou na quarta onda” da pandemia. Por lá, 49% da população tomou as duas doses.

Capitalismo é assim

Farsa do “fim da pandemia” é para os capitalistas lucrarem

Mas por que os governos falam em “fim da pandemia” ou da proximidade de seu fim? Isso é uma farsa do capitalismo imperialista para expandir e consolidar a “nova normalidade” que recupere plenamente seu funcionamento econômico, a exploração dos trabalhadores e a obtenção de lucros. Expressa também o desprezo dos capitalistas e seus governos pela vida dos povos do resto do mundo.

A reabertura que promovem vai ter consequências gravíssimas e é, de certa forma, estúpida. A ampla circulação do vírus torna inevitável o surgimento e a disseminação de novas cepas que se voltam como um bumerangue aos próprios países imperialistas. Basta considerar, por exemplo, que nos EUA vivem 10 milhões de imigrantes da Índia e na Grã Bretanha, 1,5 milhão, uma parte dos quais viaja para seu país de origem para ver suas famílias ou é visitada por elas, apesar das restrições vigentes. Por esse motivo, a delta é a variante predominante.

Delta chegou

Com poucos imunizados, Brasil vai enfrentar nova onda da pandemia

A situação no Brasil será pior do que a vista na Europa e nos EUA hoje. Até 2 de agosto só conseguimos administrar a primeira dose para 47,96% da população. Apenas 19,89% receberam a segunda dose, necessária para completar a imunização. Adolescentes e crianças ainda não vacinadas formam um reservatório suscetível de pelo menos 50 milhões de indivíduos. E com a livre circulação do vírus, as vacinas se tornam menos efetivas para pessoas cujos sistemas imunológicos tenham sido comprometidos, especialmente as mais velhas.

Alguns supõem que a variante gamma, a P1 que surgiu no Brasil, se alastrou ao longo do ano contaminando e matando tanta gente que seria pior do que a delta. Errado. Os dados mostram o contrário. No México, por exemplo, a gamma tinha presença muito forte entre os casos confirmados de Covid-19. Depois da chegada da delta, já é a mais prevalente no país. O mesmo deve acontecer por aqui.

A gamma, por enquanto, é predominante no Brasil, mas especialistas acreditam que a delta provavelmente tomará este espaço em breve, pois já está em transmissão comunitária. “Corremos o risco, sim, de ela ultrapassar a gamma. A pessoa contaminada passa o vírus mais facilmente, porque a delta é mais transmissível do que qualquer outra variante. Ela tem mutações inéditas, que a tornam menos reconhecível para os anticorpos e pode até diminuir a eficácia das vacinas”, alerta o virologista Bergmann Morais Ribeiro, da Universidade de Brasília (UnB).

O problema é que sua disseminação aumenta as chances de escape de vacinas. “A delta é um problema, mas a gamma também está evoluindo, adaptando-se ao corpo. Quanto mais tempo deixarmos o vírus circulando, maior a chance de ele ter mutações que o favoreçam. O importante é parar a replicação de todas as variantes”, salienta Ribeiro.

Não acabou

Enquanto nova variante avança, governos anunciam reabertura
Professores protestam contra retomada das aulas presenciais em plena pandemia

Se Bolsonaro é um genocida e corrupto que se recusou a comprar vacina, apostando na chamada imunidade de rebanho, enquanto negociava doses superfaturadas, os governadores e prefeitos também têm sua cota de responsabilidade na morte de 560 mil brasileiros. Nunca implementaram uma quarentena pra valer, com políticas de auxílio, para conter a disseminação do vírus.

E diante desse cenário mundial é absolutamente criminosa a política de reabertura anunciada por eles. Na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes quer liberar público em estádios e boates e anuncia data para fim do uso de máscaras. Em São Paulo, João Doria anunciou flexibilização, permitindo atividades até meia-noite e com 80% da capacidade. Chegou a liberar a Av. Paulista ao público aos domingos em um evento “teste”, mas que não testou ninguém. A mesma toada absurda é também realizada em outros estados.

Retorno às aulas

Todo dia vemos na TV a campanha pelo retorno total das escolas. Até o ministro da Educação, Milton Ribeiro, defendeu em pronunciamento o retorno às aulas presenciais em todo o país.  Em praticamente todos os estados, as aulas estão gradativamente retornando.

Diante da quarentena fake dos governadores, uma das poucas coisas que restringiam a circulação do vírus foi justamente a suspensão das aulas presenciais. Mas agora, diante do avanço da variante delta, essa barreira poderá não existir, e o descontrole da pandemia se aprofundará.

Muitos professores ainda não estão completamente imunizados. Os alunos sequer tomaram alguma dose da vacina. As sucateadas escolas brasileiras não têm a menor condição ou infraestrutura para garantir qualquer tipo de proteção. Um estudo recente na Universidade de São Paulo, com dados públicos de cinco estados sobre medidas para o retorno às aulas presenciais, aponta falhas nos protocolos analisados.  Os índices de segurança são baixíssimos, com notas que variam entre 30 a 59, enquanto o máximo é 100.

Mesmo assim, governo e prefeituras pressionam pelo retorno por que obedecem a interesses econômicos vindos da família Setúbal (dona do Banco Itaú), da Fundação Lemann e de empresários reunidos no grupo “Todos Pela Educação”. São capitalistas que investem bilhões na educação privada e querem a voltar a lucrar, mesmo que isso possa custar a vida de milhares de pessoas. Por isso, retorno às aulas é só com todo mundo vacinado.

Programa

Quebrar patentes para garantir vacinação pra todos já!

Retorno às aulas presenciais só após vacinação de todos!

Garantir o controle, eliminação e erradicação da pandemia com vacinação, testes de rastreamento e medidas de isolamento social!

Auxílio emergencial de um salário mínimo para garantir quarentena!