Após um ano do crime de lesa humanidade cometido em Iguala, as massas trabalhadoras, estudantis e toda a população endossam a exigência ao governo de Peña Nieto para saber toda a verdade e pela punição dos culpados.
Esta exigência foi reforçada depois do relatório do Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI), patrocinado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), com o qual “a verdade histórica” do ex-Procurador Geral da República, Jesús Murillo Karam, sobre a sorte dos 43 estudantes desaparecidos veio abaixo.
 
Como resposta desesperada para manter o castelo de cartas, a Procuradora Geral da República, Arely Gómez, informou em16 de setembro que o laboratório da Universidade de Innsbruck identificou os restos mortais de Jhosivani Guerrero, um dos 43 desaparecidos, com o que o governo se agarrava à “verdade histórica”.
 
No entanto, a versão da Procuradora não resiste à menor prova científica, como afirmou a Equipe Argentina de Antropologia Forense, que declarou que “a coincidência entre a amostra óssea e a mãe do jovem não é considerada como um resultado de identificação definitivo”.
 
O que Arely Gómez e Enrique Peña Nieto pretendem é garantir a impunidade para os autores materiais e para si mesmos. Cuidam para que o crime vá desaparecendo da consciência do povo e para desarticular o movimento que renasce a favor de saber toda a verdade sobre o acontecido.
 
Cabe perguntar também por que o governo ocultou, desde o primeiro momento, a verdade. Talvez uma explicação seja que, como o cerco vem se fechando ao redor do quartel do 27° Batalhão de Infantaria com sede em Iguala, o desespero para dissolver a verdade tenha por objetivo salvar a reputação dos comandos do exército – porque está ficando claro que não são defensores da pátria, e sim assassinos do povo – e salvar o governo federal, em especial Peña Nieto, por ser o comandante em chefe das forças armadas. Se ficar comprovado que os jovens foram levados a esse local na noite de 26-27 de setembro, seria um enorme desastre político para o governo. Nesse sentido, o GIEI da CIDH disse que tem provas de que o exército e a polícia federal estavam o tempo todo cientes do que ocorria com os estudantes.
 
Por essas razões devemos exigir toda a verdade: O que fizeram com os 43, quem são os responsáveis? Para consegui-lo, devemos continuar e ampliar a mobilização. Não cair no ceticismo nem nos deixar intimidar pela repressão e nos agrupar em uma ampla coordenação ou algum organismo similar que aprove um só plano de ação em nível nacional e apele ao apoio internacional, que exija aos que se dizem opositores políticos do PAN (Partido de Ação Nacional), PRD (Partido da Revolução Democrática) e Morena (Movimento Regeneração Nacional) que se unam à mobilização para obrigar o governo a não continuar ocultando e negando a informação. Para poder desvendar toda a verdade e punir os culpados.
 
AYOTZINAPA VIVE, A LUTA CONTINUA!
 
Leia este e outros artigos no jornal do Grupo Socialista Obrero, La Resistencia n.° 10, setembro-outubro de 2015.
Tradução: Rosangela Botelho