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Estados Unidos

Mundial 2026: nem a FIFA consegue limpar a imagem de Trump

A Copa do Mundo e a exploração capitalista: a luta da classe trabalhadora em meio ao espetáculo.

Cristian Verite

junho 9, 2026

A FIFA, organismo que administra o futebol a nível mundial, está às portas de um novo evento.

Um evento que, sem dúvidas, para grandes setores da classe trabalhadora e dos setores populares —em particular na América e na Europa— gera muita expectativa.

O que para a maioria significa paixão, sentimento ou identificação, para aqueles que conduzem o futebol representa grandes ganhos, apoio político e enormes benefícios para alguns poucos.

A FIFA trumpista e xenófoba

O objetivo de realizar o Mundial nos Estados Unidos por parte de Trump remonta ao seu primeiro governo, em 2017, quando conseguiu que o país fosse escolhido como sede junto com o México e o Canadá. Isso não esteve isento de polêmicas, já que, assim como ocorreu com a eleição do Catar, houve denúncias de subornos relacionados à FIFA.

Desde então até hoje, a FIFA liderada por Gianni Infantino funciona praticamente como uma secretaria do governo de Trump: entrega prêmios por sua suposta luta pela paz mundial e organiza reuniões com figuras do futebol mundial como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

Além disso, a FIFA não faz mais do que validar as proibições que Trump impõe a diferentes países para entrar nos Estados Unidos, como vem acontecendo nos últimos dias, a poucas horas do início da Copa do Mundo.

Mais de 50 países da Ásia e da África estão sujeitos a uma fiança de visto. Isso significa que seus cidadãos deverão pagar entre 5.000 e 13.000 dólares para ingressar nos Estados Unidos, além de se submeter à revisão prévia de suas redes sociais.

A “festa” que o ICE prepara

Há algumas semanas, o governo anunciou que a segurança durante a Copa do Mundo nos estádios contará, entre outros órgãos, com a participação destacada do ICE (Serviço de Controle de Imigração e Alfândega, por suas siglas em inglês). Embora tenha sido informado que a tarefa do ICE será colaborar na detecção de falsificações de ingressos e revenda, não seria estranho que as deportações em massa por entradas irregulares terminem predominando durante a Copa.

No entanto, nem mesmo essa tentativa de disfarçar o papel do ICE consegue melhorar sua imagem. Segundo uma pesquisa do The Washington Post e da Universidade de Maryland, 65% dos entrevistados são contra a presença do ICE nos estádios durante a Copa do Mundo. Cerca de oito em cada dez afro-americanos e hispânicos rejeitam a presença de agentes desse organismo.

A faturação, abaixo do esperado

Trump havia anunciado com pompa e circunstância que a realização da Copa do Mundo traria 17.200 milhões de dólares ao PIB do país. No entanto, essa projeção vem caindo e os dados estão muito abaixo do esperado por várias razões.

Em primeiro lugar, o valor dos ingressos: giram em torno de 600 dólares na fase de grupos e chegam até 13.000 dólares para a final. Todos os indícios apontam que serão poucos os jogos com estádio cheio. Apenas em comparação com a Copa do Mundo do Catar 2022, os ingressos são sete vezes mais caros. Além disso, o trem para chegar ao MetLife Stadium —onde será realizada a final— custará 150 dólares, muito acima da tarifa atual de 12,90 dólares.

Em segundo lugar, está a preocupação que representa para os estrangeiros visitar os Estados Unidos. Isso não só se reflete nos dados deste Mundial, mas parece começar a se tornar uma tendência: em 2025, os Estados Unidos foram o único país considerado “grande” que registrou uma queda abrupta na chegada de turistas. Além disso, mais de 120 organizações de direitos humanos emitiram um alerta de viagem para os assistentes, advertindo que poderiam enfrentar graves violações aos seus direitos.

Por último, chegam dados pouco alentadores para Trump e a FIFA. Segundo a Tourism Economics, “80% dos hotéis nas cidades-sede informam que a demanda por alojamento está abaixo do esperado”.

A mesma consultoria prevê que mais de 1,2 milhões de pessoas chegarão ao país para o evento, embora as últimas atualizações mostrem números inferiores a essa projeção.

Mal-estar social e clima político

Os dados da Copa do Mundo, a crescente rejeição às forças de segurança e as mobilizações atuais —como “No Kings” nos Estados Unidos e as protestas de professores no México— expressam que esta Copa do Mundo dificilmente conseguirá frear o descontentamento com o governo de Trump e muito menos conter a mobilização social na região.

Isso inclui, de maneira central, o continente americano, onde vêm se desenvolvendo processos de luta crescentes em países como México, Bolívia, Colômbia, Chile e Argentina.

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