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Estados Unidos

Repudiamos o assassinato de Joan Durán pelas mãos do ICE: Trump e De la Espriella são responsáveis

A violência do ICE e a cumplicidade dos governos revelam a face opressora do capitalismo imperialista.

Partido Socialista de los Trabajadores (Colombia) 

julho 23, 2026

Nós, do Partido Socialista dos Trabalhadores (Colômbia) e A Voz dos Trabalhadores (EUA) condenamos energicamente o assassinato de Joan Sebastián Durán Guerrero, trabalhador colombiano de 26 anos, pelas mãos de agentes da ICE (Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos). Este crime não foi um “erro” nem um acidente: é o resultado direto da política migratória racista e repressiva do governo de Donald Trump, executada com o aval e a cumplicidade do presidente eleito colombiano Abelardo de la Espriella.

Joan tinha permissão de trabalho, número de Seguro Social e se dirigia ao seu emprego como entregador do DoorDash. Era pai de uma filha pequena. Embora tivesse votado erroneamente em De la Espriella, era um trabalhador explorado que não merecia morrer. Um agente do ICE apertou o gatilho e tirou sua vida na frente de sua filhinha de três anos. Agora querem inventar a mesma história de sempre, que tentou atropelar um agente federal, sabemos que é falso e que não era o objetivo dos agentes, simplesmente se parecia fisicamente com a pessoa que procuravam.

Na última semana sozinha, o ICE foi responsável pela morte de pelo menos quatro pessoas: no dia 7 de julho, o ICE matou Lorenzo Salgado Araujo, um imigrante mexicano documentado, enquanto ia trabalhar pela manhã no Texas. No dia 13 de julho, mataram Joan Durán. No mesmo dia, Jesús Manuel Arenas-Silva, da Venezuela, morreu às mãos do ICE em um centro de detenção. No dia seguinte, alguém ainda não identificado foi atropelado por um caminhão enquanto tentava escapar de agentes do ICE que o estavam perseguindo. Essas mortes se somam a Alex Pretti e Renee Good, cidadãos que foram assassinados pelo ICE em janeiro, junto com mais 8 que foram mortos a tiros, e a 21 outras pessoas que morreram nos centros de detenção do ICE este ano.

Estes não são casos isolados; são a consequência previsível da pressão exercida pela administração Trump para aumentar prisões e deportações a qualquer custo. Os agentes agem sob a pressão por cotas e ordens políticas, o que transforma cada operação em uma caça onde as vidas dos trabalhadores imigrantes valem menos que nada. Uma atuação semelhante à do exército colombiano com os mal chamados “falsos positivos”; quem dispara tem culpa, mas quem propicia essa política de “resultados” são os principais responsáveis.

Em cada incidente em que o ICE matou pessoas desarmadas a sangue frio, o governo tentou culpar as vítimas, apesar de todas as provas mostrarem o oposto. O governo está realizando uma campanha de terror contra o povo imigrante, que efetivamente se concretiza como uma campanha de terror contra qualquer pessoa não branca, e que igualmente ameaça qualquer pessoa que se oponha à política anti-imigrante ou à ideologia MAGA (Make America Great Again – “Tornar a América Grande Novamente”),em geral.

A violência do ICE também se estende ao interior dos centros de detenção, onde cerca de 70.000 imigrantes se encontram presos atualmente nos Estados Unidos e enfrentam celas superlotadas, comida estragada, atendimento médico deficiente, punições de cela e restrições ao contato com suas famílias, formando verdadeiros campos de concentração para imigrantes. Em centros como Adelanto e Delaney Hall, os detidos responderam com greves de fome e de trabalho para denunciar essas condições degradantes, exigir direitos básicos e demonstrar que não suportarão em silêncio a barbárie que padecem. Essas prisões migratórias são outra face da mesma política de perseguição, punição e terror contra a população imigrante.

Alianças que matam 

Este banho de sangue migratório encontrou um sócio direto na Colômbia: Abelardo de la Espriella. O pacto com o imperialismo ianque é explícito. O senador americano de origem colombiana Bernie Moreno reconheceu publicamente ter conversado com De la Espriella e coincidir na deportação em massa de colombianos que solicitam asilo. Marco Rubio já assinou um memorando para deportar o ativista Beto Coral por criticar o regime de De la Espriella.

De la Espriella entrega aos colombianos ao imperialismo, inclusive àqueles que votaram nele, em troca de fotos com Trump, apertos de mão com Rubio, favores de Moreno, e seguramente acordos econômicos dos quais ele tirará grandes porcentagens. Enquanto isso, os trabalhadores colombianos nos Estados Unidos correm perigo mortal: não apenas pelas balas do ICE, mas por um governo “próprio” que os aponta e os devolve como mercadoria.

Assim como a maioria das pessoas assassinadas, maltratadas e presas pelo ICE, Joan Sebastián não era um “criminoso”. Era um trabalhador. Seu assassinato mostra a verdadeira natureza do capitalismo imperialista e de seus parceiros locais; os trabalhadores somos mão de obra barata quando convém e “delinquentes” quando “estorbamos”.

Como enfrentar esta ameaça nos EUA

Neste confronto entre o ICE e o povo, o Partido Democrata não nos defendeu. Em Los Angeles tanto quanto em Minneapolis, palavras vagas de resistência rapidamente se tornaram planos de colaboração com as forças do ICE e os toques de recolher. O que realmente freou a campanha de terror foi a mobilização massiva de comunidades inteiras, sindicatos junto com igrejas, sinagogas, mesquitas e organizações comunitárias de base ameaçando interromper a economia da vida diária capitalista e repudiando diretamente a ideia de que o povo estivesse a favor da sangrenta política de Trump. Diante da possibilidade de perder o controle da população, retiraram os planos de ocupações militarizadas e operações em massa.

Não é possível reformar nem negociar com o ICE. O problema não acaba com o ICE, implica todo o aparato de repressão estatal, que inclui a participação do FBI, os policiais locais, tanto quanto a maquinaria legal nas cortes que se aplica para extrair denúncias falsas de crimes que condenam à prisão ativistas tanto quanto pessoas aleatórias. Embora a lei prometa justiça, está construída e se aplica de maneira injusta com intento constante de proteger os ricos e a maquinaria do Estado. As mortes nas mãos do ICE e a perseguição de ativistas, se acompanham também de um padrão de jovens negros, encontrados enforcados em lugares públicos, cujas mortes têm sido desconsideradas como “suicídios” pelas autoridades. As famílias e comunidades dos falecidos exigem investigações independentes das mortes.

O Estado e suas leis são injustos, mas também não são sem limites. A coragem e o impulso da autodefesa das liberdades comuns que essas injustiças inspiram podem ser utilizados para organizar a ampla e contínua mobilização do povo trabalhador, que forçariam a classe dominante a decidir, ou retirar sua política injusta ou perder o controle sobre a economia.

Frente a esta aliança reacionária entre Trump e De la Espriella, chamamos os trabalhadores nos Estados Unidos e na Colômbia a:

Condenar sem nenhuma dúvida o assassinato de Joan Durán e Lorenzo Salgado 

Rejeitar o pacto De la Espriella-Trump. 

Investigações independentes e punições para os responsáveis

Exigimos prisão para os assassinos de Joan, Lorenzo e todos os criminosos do ICE 

Organizar a solidariedade entre trabalhadores locais e imigrantes. 

Exigir o desmantelamento do aparato repressivo ICE e o fim das deportações em massa. 

Lutar pela unidade internacional da classe trabalhadora contra o imperialismo e seus lacaios locais. 

Partido Socialista dos Trabalhadores (Colômbia) 

A Voz dos Trabalhadores (EUA)

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