Por moradia, por salários e aposentadorias dignos, em defesa de serviços públicos de qualidade, vamos construir a greve geral!
As fortes mobilizações, a queda dos decretos de habitação no Congresso e a antecipação eleitoral são uma mostra da fragilidade governamental. Os dois decretos de moradia, que foram rejeitados com os votos do PP, VOX e Junts, serão aprovados em um novo Conselho de ministros para depois passá-los à Deputação Permanente, que substitui as câmaras uma vez que estas se tenham dissolvido, onde Sánchez não precisa de Junts. Toda uma manobra com intenções eleitorais para tentar apresentar o PSOE como a única opção possível para aplicar medidas de habitação, e assim evitar o cerne do problema, que os decretos são completamente insuficientes, e que não representam nenhuma solução real.
O governo mais progressista da história
Sánchez está no poder há mais de 8 anos e, durante todo esse tempo, seu governo não aprovou NENHUMA medida que vá na direção de criar um parque de habitação de aluguel público. A explicação é muito simples: fazê-lo exigiria que ele enfrentasse os interesses econômicos dos grandes proprietários, dos bancos, dos fundos abutres e de investimento, do Ibex e do capital estrangeiro.
Embora Sánchez pretenda aparecer como a única alternativa, a menos ruim frente ao PP e VOX, as duas últimas legislaturas do PSOE, longe de frear o ascenso da ultradireita, abriram caminho. Hoje a ultradireita governa na maioria das Comunidades Autônomas e, provavelmente, PP e VOX possam formar governo após as eleições de 29 de novembro. Chamar-se o governo mais progressista da história enquanto a classe trabalhadora está cada vez mais pobre, cria o caldo de cultivo para a reação.
A realidade é que estamos há anos sem conseguir reverter ou nos defender dos ataques que o próprio PSOE realizou, como a última reforma trabalhista. E neste capitalismo em crise, os ataques vão aumentar: o processo de lutas massivas na França, contra cortes históricos, é uma amostra do plano de ajuste que está começando a ser imposto em todo o conjunto da UE.
O chamado à eleições
Estamos diante de eleições nas quais não teremos nenhuma alternativa majoritária para a classe trabalhadora. A Frente Ampla eleitoral à esquerda do PSOE, no enorme cenário de polarização que se aproxima, é a reedição, pela terceira vez consecutiva, de um PODEMOS-SUMAR cuja crise expressa o fracasso do projeto neoreformista.
Paralelamente, vemos como a direita e a ultradireita cada vez mais encorajadas nos ameaçam com reformas de todo tipo para aplicar quando entrarem no governo. É por isso que, seja qual for o governo que surja das próximas eleições, especialmente diante de um governo do PP-VOX, é imprescindível o desenvolvimento de um organismo de frente única de luta da classe trabalhadora e seus aliados. A forma de enfrentar a ultradireita e poder demonstrar aos trabalhadores/as que esta não responde aos nossos interesses é a organização de massas e luta, e uma batalha ideológica permanente e constante, para demonstrar que o problema não são nossas irmãs migrantes de classe, mas sim os próprios empresários, a quem também defende o PSOE.
Precisamos abrir um novo caminho que aponte para superar essa nova-antiga esquerda que não tem mais horizonte do que o de ganhar cotas de poder cada vez maiores para gerir o capitalismo, em meio a um mundo que se queima pela guerra e pela crise social e ecológica.
Em direção à Greve Geral!
A convocação da greve geral do próximo 11 de novembro “pelo direito à moradia e salários dignos para pagá-la”, impulsionada pelo sindicalismo alternativo em unidade de ação com o Sindicato de Inquilinas, e respaldada por CCOO e UGT, responde à enorme pressão de um movimento, que protagonizou, nas últimas semanas, um verdadeiro levante popular que lembra o estopim do 15M há quinze anos.
A convocação da greve geral é uma oportunidade para toda a classe trabalhadora apresentar nossas demandas e reivindicações, para demonstrar que existimos como classe, com problemas comuns e que sem nós o país não funciona. Temos que garantir que a greve geral seja um sucesso para parar os enfrentar os bancos, patrões e instituições, se não forem garantidas moradia e salários dignos não trabalhamos!
Para que a greve geral seja um sucesso, é necessário que se unam e chamem para a greve todos os setores de trabalhadores que atualmente estão em processos de luta, como a comunidade educativa, entre outros. Além disso, todo o movimento de bairro e popular tem que se transformar estes dias em centros de organização da greve: as assembleias de moradia, de estudantes, os centros sociais, os grupos culturais, os que lutam contra a opressão… Temos que conseguir colocar todas as instituições operárias e populares a serviço da construção da greve, com agitação nos bairros, nas fábricas e nos centros de estudo.
Na nossa opinião, a classe trabalhadora organizada precisa lutar para impor um programa que exproprie as moradias dos grandes proprietários, das grandes multinacionais energéticas e dos bancos; um programa que reverta as privatizações de todos os serviços públicos e que assegure salários e aposentadorias dignas para chegar ao fim do mês, que questione, por sua vez, o que é público e quem deve controlá-lo, e crie suas próprias instituições para isso.
Ação
Preparemos a greve geral: Impulsione ou participe dos comitês de greve que se formem na sua empresa, centro estudantil ou bairro. Organize a agitação para a greve. Participe das mobilizações anteriores à greve geral.
Organize-se com a Corriente Roja: Para que a greve geral não fique apenas em um dia de luta, mas seja uma faísca que acenda a autoorganização e a luta de toda a classe trabalhadora, organize-se com a Corriente Roja para lutar por um governo dos trabalhadores e trabalhadoras.




