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Nicarágua

Nicaragua: Ortega e a oficialização da ditadura

A luta do povo nicaraguense contra a ditadura de Ortega e a subordinação ao imperialismo.

Correspondente

julho 30, 2026

No dia do 47.º aniversário da Revolução Sandinista, o ditador Daniel Ortega dá um passo a mais na consolidação da ditadura que vem conduzindo desde o ano de 2007 ao afirmar: «Que esqueçam, aqui não haverá mais eleições».

Este anúncio, enviado a um Congresso totalmente afim a Ortega e que já prepara sua oficialização, não é mais do que uma manobra a mais das tantas que ele tem levado adiante para sustentar uma ditadura que só se mantém porque conta com as Forças Armadas à sua disposição. O povo já se expressou massivamente nas mobilizações de 2018, que foram brutalmente reprimidas, deixando centenas de mortos e milhares de detidos, entre os quais se encontravam ativistas populares, setores religiosos, estudantes, trabalhadores, advogados de direitos humanos e uma parte importante da oposição.

Os Estados Unidos negociou com Ortega a liberação de cerca de 200 detidos, pertencentes principalmente à oposição e à Igreja, que foram enviados ao exílio na Guatemala e nos Estados Unidos, enquanto os setores mais vulneráveis continuam até hoje na prisão.

Esta ação do governo ocorre em um momento em que há um forte avanço de Trump na região, com o sequestro de Maduro e as, até agora, ameaças de intervenção em Cuba, deixando Ortega sem uma parte importante de seus aliados e de quem compartilhava as mesmas metodologias.

A particularidade da relação de Ortega com o imperialismo estadunidense é a de uma absoluta subordinação. Esta se expressa, entre outras questões, em um tratado de livre comércio que barateia os custos de produção e mantém baixos os salários dos trabalhadores nicaraguenses. Este nível de subordinação ao governo dos Estados Unidos faz com que seja menos provável uma intervenção militar direta.

A ditadura mantém, além disso, uma enorme dependência da dívida com os organismos financeiros internacionais e realiza um esforço permanente para cumprir com esses pagamentos, à custa das condições de vida das grandes maiorias empobrecidas da Nicarágua.

É importante ressaltar que esta ditadura liderada por Ortega e o sandinismo é produto da revolução que derrubou Somoza em 1979, com amplos setores da classe trabalhadora levantados em armas. No entanto, essa mesma classe trabalhadora foi traída pela direção sandinista, que fez todos os esforços necessários para acabar entregando novamente o poder à burguesia.

A ditadura, desde o ano de 2016, não publica nenhum tipo de dado econômico que permita saber qual é a verdadeira situação do país. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em seu relatório de 2024 sobre segurança alimentar, 19,6% da população nicaraguense — cerca de 1,4 milhões de pessoas — não consome alimentos suficientes, o que representa um aumento em relação a anos anteriores. Além disso, 14,9% das crianças menores de cinco anos apresentam atraso no crescimento por desnutrição, enquanto a anemia afeta 15,7% das mulheres em idade reprodutiva.

Assim como a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-CI) expressa contra qualquer ingerência imperialista, como aconteceu na Venezuela, também nos expressaremos contra se isso ocorrer na Nicarágua. Isso não significa nenhum tipo de apoio à ditadura de Ortega. Assim como em 2018, damos nosso total apoio às mobilizações do povo nicaraguense em sua luta contra este governo que, com um discurso anti-imperialista e em nome da revolução, persegue, mata e aprisiona o povo.

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