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Colômbia

O governo de Abelardo de la Espriella é ilegítimo: ¡A continuar a luta nas ruas contra o retorno do autoritarismo!

A luta de classes se intensifica na Colômbia: a resistência popular é a única resposta à ultradireita.

Comité Central – PST

julho 9, 2026

Após ratificar nos escrutínios os resultados das eleições de 21 de junho, na quarta-feira, 24 de junho, Iván Cepeda reconheceu formalmente sua derrota e aceitou o triunfo de Abelardo de la Espriella. Dessa forma, Cepeda assume o papel de parlamentar chefe da oposição, e Petro prepara a transição com o novo governo. Por sua vez, De la Espriella informa quem fará parte de seu gabinete e anuncia as primeiras medidas, com as quais já delineia um governo dos de sempre e entregue ao imperialismo norte-americano, cúmplice do genocídio palestino.

E a fraude?

O reconhecimento de Cepeda de sua derrota e seu chamado à calma e ao Acordo Nacional são um balde de água fria para as mobilizações que desde o próprio dia das eleições tomaram as denúncias de fraude do próprio Petro e a campanha do Pacto como bandeira de luta, expressando no fundo a rejeição ao triunfo da ultradireita nas eleições. As múltiplas denúncias de irregularidades como manipulação de formulários e as vulnerabilidades do software eleitoral foram rapidamente descartadas pela Registradoria em seu afã de chegar ao fim da apuração o mais rápido possível. Aqui e ali, alguns votos foram somados e subtraídos de ambas as campanhas, mostrando umas eleições aparentemente limpas.

Diante da realidade de uma votação dividida ao meio, do petrismo persiste uma espécie de negacionismo a partir do qual resistem a acreditar que o avanço da ultradireita é um fenômeno real, alimentado, evidentemente, pelo poder da própria burguesia, mas também pelos próprios erros do progressismo. Para muitos, a vitória da direita é inexplicável a partir da lógica reformista e seu apego à democracia burguesa, e portanto, só explicável como uma grande fraude eleitoral. As expectativas de Petro e da campanha de Cepeda de reverter a estreita margem de votos da pré-contagem foram rapidamente dissipadas pelo resultado dos escrutínios.

O certo é que a verdadeira fraude ocorreu em toda a campanha, onde as velhas práticas da compra de votos, o clientelismo e a movimentação da maquinaria dos velhos partidos burgueses tradicionais, se combinou com o constrangimento descarado do voto por parte de empresários e uma campanha midiática que usou massivamente a mentira, a manipulação e a ingerência de governos estrangeiros a favor da campanha de De la Espriella.

O “tigre” é um comerciante de ilusões, mas não é de papel

Em seu discurso triunfalista na noite de 21 de junho, em meio ao mais grotesco espetáculo, o vazio programático o preencheu com um forçado discurso de unidade nacional, segurança e respeito às diferenças. Após invocar sua “Pátria Milagre”, anunciou que não haverá milagres; após prometer governar para todos e reconhecer a diferença, anunciou “morder mais duro” a quem se opuser a seus planos; a promessa de governar sem os partidos, as elites e os políticos de sempre foi desmentida pelos anúncios do gabinete de ministérios, nos quais velhas figuras do uribismo, Cambio Radical, Partido Conservador, Partido Liberal e Partido de la U mostram o caráter antioperário e antidereitos do novo-velho governo. Os de “nunca” são os de sempre.

O “defensor da Pátria” já mostra seu verdadeiro caráter de lacaios do imperialismo norte-americano, anunciando a entusiástica submissão de seu governo à doutrina de Trump de retomar o controle do continente americano. Anunciou a entrada da Colômbia no chamado “Escudo das Américas”, legitimando a intervenção militar imperialista, o controle e deportação de imigrantes. Mas, até agora, o pior anúncio no terreno internacional é o da restituição das relações diplomáticas com Israel desde o próprio 7 de agosto. Isso é o anúncio de apoio incondicional ao genocídio do povo palestino às mãos do sionismo.

A derrota eleitoral do Pacto Histórico não é a derrota da luta de classes

Após o triunfo de Abelardo de la Espriella, abre-se um novo capítulo da luta de classes na Colômbia, marcado por uma polarização política na qual o novo governo, fortalecido pela ingerência imperialista de Trump e por ter se unificado sob as bandeiras de uma nova ultradireita internacional, não terá facilidade para impor sua guerra econômica, política e provavelmente o recrudescimento da violência contra a classe trabalhadora e os setores populares. Agora enfrentará a verdadeira luta: a luta de classes.

É compreensível que milhões que compartilhavam a ilusão do triunfo de Cepeda e Quilcué e que compreendiam o perigo que representa De la Espriella, sentissem a derrota eleitoral como uma forte desilusão. Mas da decepção é preciso passar à compreensão e à ação. É fundamental entender que as próprias eleições são uma fraude em si mesmas e que as mudanças que a classe operária e os setores populares necessitam se resolvem na luta de classes e não nas urnas.

A alta votação por Cepeda e Aída Quilcué mostra um fenômeno muito progressivo: um voto com um conteúdo de classe. Analisando a distribuição geográfica do voto, Cepeda ganha nas regiões mais empobrecidas do país, enquanto De La Espriella ganha na região andina, onde se concentra a riqueza. Nas grandes cidades, como Bogotá e Cali, Cepeda ganha nas localidades com maior concentração operária e popular.

Igualmente, fora do aparato do Pacto Histórico e dos partidos de governo, milhares de ativistas saíram às ruas e às redes sociais para fazer uma campanha sem um centavo em jogo, mostrando uma convicção militante que lembra as jornadas das greves nacionais de 2019 e 2021.

Desde a noite de domingo, 31 de maio, após a divulgação dos resultados da votação do primeiro turno, as ruas voltaram a reviver momentos da Paralisação Nacional de 2021. Nas avenidas e nos bairros populares, novamente as mobilizações tomaram as ruas, para dizer NÃO à ameaça autoritária de Abelardo de la Espriella. Sob a ilusão de reverter a vantagem de votos da ultradireita, a campanha de Cepeda recebeu uma lufada de oxigênio das massas militando para derrotar De La Espriella. Setores importantes de intelectuais, artistas e influenciadores de redes sociais, advertindo a grave ameaça contra os direitos e liberdades democráticas, políticas e econômicas, se juntaram a esta campanha eleitoral.

Enquanto isso, desde a campanha de Cepeda, buscaram moderar o discurso e o programa para tentar conquistar a votação de “centro”, tentando ganhar seus candidatos. Várias das mais importantes exigências foram adotadas por Cepeda, comprometendo-se a respeitar o regime político, desmontar as iniciativas de impulso de uma Assembleia Constituinte e uma mensagem de confiança e estabilidade para a burguesia. No entanto, figuras como Oviedo claramente lhe deram as costas, Fajardo e Jorge Robledo (antigo MOIR) olharam para o outro lado, enquanto Claudia López acabou impulsionando a campanha de Cepeda no último momento.

Após os resultados, o discurso de Cepeda e do Pacto Histórico manteve-se no terreno de “administrar” sua votação em direção a uma oposição que lhe propõe —a quem ameaçou com morder e destripar— um Acordo Nacional e negociar a política do governo que está por vir. Novamente repetem o fator fundamental que tem freado as conquistas há quatro anos: colaborar com a classe capitalista e subordinar a mobilização à agenda parlamentar.

Alguns recriminam os “erros” da campanha de Cepeda por não fazer os esforços suficientes para conquistar o “centro”, e até mesmo apontam como um erro a candidatura à vice-presidência da dirigente indígena Aída Quilcué. Pelo contrário, o erro está na própria lógica eleitoral. Ceder aos preconceitos e à vacilação de setores da classe média e da pequena burguesia, e às exigências dos setores da burguesia que não estão dispostos ao aventurerismo de De La Espriella, é ceder a preconceitos inaceitáveis como desqualificar Aída Quilcué e dissipar toda suspeita de luta contra o regime antidemocrático. Nós, pelo contrário, reivindicamos um governo dos de baixo, um governo operário, indígena e popular, e acabar com o regime autoritário que impede qualquer mudança a favor das massas.

Na Colômbia, a experiência de luta e resistência contra o autoritarismo e a repressão tem sido longa. As massas e as organizações trabalhistas e populares tiveram que enfrentar a repressão e a violência estatal e paramilitar. Passamos pelo Estatuto de Segurança de Turbay, pela violência paramilitar e pelos governos de Uribe. Não vamos nos curvar diante de um novo governo de direita.

A experiência da história dá uma dura lição

O triunfo eleitoral da direita, após um governo da “esquerda”, não é algo novo, é o resultado que ocorreu nos países onde variantes do reformismo, progressismo ou nacionalismos burgueses governaram em nome da esquerda. Presas das contradições de governar com setores burgueses e da impossibilidade de conseguir reformas importantes, e manter amordaçada a classe operária e suas organizações, acabaram colocando nas mãos da ultradireita o inevitável descontentamento de setores da população, especialmente a classe média e a pequena burguesia, potencializados por seus preconceitos e aspirações de segurança e estabilidade para alcançar sua reacionária ilusão do ascenso social.

Na história do capitalismo, muitos dos triunfos da direita foram precedidos pelos erros, traições e contradições do reformismo no poder. Assim foi com a ascensão do fascismo, ou para não ir muito longe, o avanço da ultradireita no continente, com o governo de Bolsonaro no Brasil, e atualmente Milei na Argentina ou Kast no Chile.

A derrota eleitoral de Iván Cepeda e Aída Quilcué é o resultado combinado da habilidade de De la Espriella de se aproveitar do fenômeno da ultradireita internacional em ascensão (apoiado por Trump), e do próprio Petro, que com seu governo de coalizão com setores burgueses e seu respeito às regras da democracia burguesa e do capitalismo, não conseguiu resolver os grandes problemas da população, escondendo e justificando todos os erros que foram cobrados nesta campanha.

A verdadeira luta contra a direita deve acontecer nas ruas

A verdadeira luta contra a ameaça da ultradireita começa agora e deve ocorrer nas ruas. A contrarrevolução agora governará diretamente e não hesitará em perseguir os trabalhadores e atropelar seus direitos. No campo, continuará se apoiando em seus laços — que conseguiu sendo o advogado predileto da máfia — com o paramilitarismo e o narcotráfico para derrotar a luta das vítimas da violência por recuperar suas terras e alcançar justiça. Do Estado, continuarão usando seu controle direto para impedir e reprimir qualquer indício de luta contra o regime. Isso significa que De la Espriella encarna um projeto bonapartista, ou seja, um regime político autoritário que, baseado na figura do presidente, o ergue como árbitro que se eleva acima das classes sociais, apoiando-se diretamente na polícia, no exército e na burocracia, e neste caso, seguramente também no paramilitarismo; para isso, conta ainda com as instituições do Estado colombiano intactas e até fortalecidas após o governo de Petro.

Por isso o caminho continua sendo mostrado pelas massas bolivianas, as lutas do setor da educação no Chile e as lutas operárias na Argentina, contra os governos de ultradireita no continente. Como demonstrou a luta contra o fascismo nos anos 30: com a ultradireita não se discute, se combate. É verdade que essa perspectiva apresenta grandes dificuldades, como a inconsequência e traição das direções pequeno-burguesas e reformistas; embora a vitória não esteja garantida, é o único caminho.

Mas, para combater Abelardo, também é necessário superar as barreiras que o próprio governo do Pacto Histórico impõe às massas. Durante o governo Petro, as denúncias sobre possíveis golpes “brandos” da direita contra o governo, longe de organizar a resistência a essas ameaças, serviram para desmobilizar as massas.

Agora, desde o Pacto Histórico e as organizações reformistas chamam a construir uma grande frente ampla de oposição, mas sobre os parâmetros da colaboração de classes e a subordinação da mobilização ao parlamentarismo e às próximas eleições regionais de 2028. Nossa proposta é oposta, em vez de frentes amplas com os de cima ou os setores dos de cima que rejeitam o imprevisível Abelardo; façamos uma grande frente dos de baixo, uma grande frente operária, camponesa, indígena e popular.

Retomar o caminho da greve nacional

Somente a partir da organização e da luta independente, impulsionando a mais ampla unidade na ação e longe das alianças paralisantes do petrismo, será possível frear as medidas do governo que está entrando, retomando a Greve Nacional.

O Pacto Histórico já se prepara para sua verdadeira política, que é se reorganizar e esperar, “acumulando” com o suposto objetivo de ganhar as eleições territoriais e, a partir de prefeituras e governos, enfrentar o plano de Abelardo. Mas se algo demonstram os 4 anos de governo de Petro, a experiência de 2019 e 2021, e as eleições atuais, é que não é nas urnas que se conseguem as transformações que precisamos, e que sem luta não há vitória.

Das bases, e inclusive de reconhecidos influencers, não tardaram as críticas, qualificando de traição, a inconsequência de denunciar uma fraude maciça para depois sair a reconhecer os resultados e propor acordos a nossos inimigos declarados, denunciar o suposto roubo das eleições e ao mesmo tempo dizer ao povo que não se mobilize. Diante disso, Cepeda se viu obrigado a fazer uma nova alocução denunciando a ilegitimidade do governo eleito de De la Espriella, seus laços com o imperialismo e os indícios de suas atividades criminosas; concordamos na ilegitimidade do novo governo. Mas após este discurso, termina concluindo com um chamado à “desobediência civil pacífica”. Este chamado tem sido interpretado por setores da juventude como um chamado à luta e à mobilização; no entanto, o conceito de desobediência civil apela à desobediência individual inspirada em Mahatma Gandi apelando à ética individual e à objeção de consciência, e não à ação coletiva de massas.

Contrário à proposta da “desobediência civil”, ou seja, à resistência individual, o que hoje se impõe é a luta organizada de massas por nossos direitos e contra o imperialismo e a ultradireita. Esta luta organizada passa por retomar o caminho das assembleias populares, a paralisação nacional e a greve geral, um plano de ação para resistir à investida antiderechos.

Mas além da mera resistência ao plano do governo, a verdadeira luta continua sendo a luta contra o capitalismo e por um verdadeiro governo operário e popular. Esta luta terá que, irremediavelmente, transcender ao governo de Petro, que apesar de seu discurso reformista e às vezes radical, não mudou o caráter burguês do governo, por sua defesa do capitalismo e sua política de concertação.

Um verdadeiro governo operário e popular que derrote o regime político e a direita será produto de uma verdadeira revolução, e essa é a tarefa histórica dos trabalhadores e do povo oprimido e explorado. As atuais lutas espontâneas após os resultados eleitorais devem avançar para uma centralização e organização mais férrea que supere as limitações e fraquezas, e tome as lições aprendidas da Greve Nacional de 2019 e 2021. É necessário que, a partir das centrais sindicais e das organizações políticas e sociais que agrupam a classe trabalhadora, os indígenas, camponeses, mulheres, população LGBTI e jovens, seja convocado de maneira independente um grande encontro nacional de emergência, para preparar e organizar a luta contra o governo de Espriella, definindo um plano de ação coletivo.

A De La Espriella e seus comparsas, nem um dia de trégua

Para organizar esta luta o Partido Socialista dos Trabalhadores continua convidando.

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