Bolívia em pé de guerra! Fora Rodrigo Paz!
O presidente Rodrigo Paz, que assumiu o mandato da Bolívia em novembro de 2025, enfrenta uma crise político-social profunda. Uma onda massiva de greves e bloqueios mantém o país em uma paralisia quase total.
O governo de Rodrigo Paz lança “pacote” de medidas neoliberais e de entrega ao imperialismo
Apenas seis meses após o início de sua gestão, o governo de Rodrigo Paz implementou uma drástica reviravolta política e econômica na Bolívia. Após colocar fim a quase duas décadas de administrações da chamada “esquerda”, seu gabinete justificou essas ações sob o argumento de ter herdado um “Estado falido”. No entanto, os setores mobilizados denunciam que sua agenda econômica enfraquece a soberania nacional, abrindo as portas para políticas de livre mercado, privatizações e alinhamento com interesses financeiros internacionais.
As medidas
O descontentamento popular estourou após a aplicação e o anúncio de reformas estruturais severas:
- Eliminação do subsídio aos combustíveis: Disparou de forma imediata os custos do diesel e da gasolina.
- Importação de gasolina contaminada: Os transportistas denunciam que o combustível de baixa qualidade danificou massivamente seus motores.
- Crise inflacionária e escassez de divisas: A falta de dólares elevou a inflação interanual para 14%, a cifra mais alta em 40 anos.
- A polêmica Lei de Terras (Lei 1720): Permite usar terrenos comunais e pequenas propriedades agrárias como garantia bancária, gerando temor de confiscos coletivos em favor de latifundiários e banqueiros.
- Planos de reforma constitucional: Anúncio oficial de emendas orientadas a flexibilizar a legislação e priorizar o investimento privado estrangeiro.
O levantamento é geral e exige a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz
A insurreição abrange múltiplos setores sociais unificados nas ruas. O que começou como uma pauta de reivindicações econômicas transformou-se na exigência unânime de renúncia do presidente Rodrigo Paz:
- Central Obrera Boliviana (COB): Lidera uma greve geral por tempo indeterminado exigindo aumentos salariais reais frente à desvalorização da moeda.
- Sindicatos Camponeses e Indígenas: A Federação ‘Túpac Katari’ mantém um cerco total de rodovias no altiplano. Camponeses da Amazônia marcharam a pé durante 24 dias em direção à capital.
- Os Ponchos Rojos: O histórico movimento indígena aymara da província de Omasuyos somou-se às mobilizações massivas mediante bloqueios indefinidos de rodovias, cercos estratégicos e uma forte resistência na região do altiplano e nos principais acessos às cidades de El Alto e La Paz.
- Trabalhadores mineiros e Professores: Colunas multidimensionais de mineiros mobilizaram-se no centro de La Paz, enquanto o magistério paralisa as atividades educativas exigindo melhorias orçamentárias.
- Marchas de setores sociais em direção à Sede de Governo: Paralelamente, colunas populares caminham desde Oruro para sitiar a capital.

O governo ataca com repressão e cerco midiático
De acordo com relatos das rádios comunitárias do altiplano e da plataforma de comunicação alternativa La Raíz, as forças estatais operam sob uma lógica de guerra contra os setores populares:
- Desdobramento militar: Mais de 3.500 efetivos armados e unidades policiais de choque foram enviados para intervir nos bloqueios viários.
- Uso de agentes químicos: As forças de segurança reprimiram com bombas de gás lacrimogêneo em pontos críticos, como o sul de La Paz e Río Seco (El Alto).
- Criminalização e saldos fatais: Organismos de direitos humanos, a Defensoria do Pueblo e correspondentes comunitários na linha de frente relatam pelo menos 4 mortos e 57 civis detidos nas últimas intervenções. Entre os mortos denunciados pelas bases está um Mallku (autoridade indígena) da região de Taraco, supostamente abatido durante as operações de desobstrução.
- Censura e invisibilização: Os meios alternativos denunciam a existência de um “cerco informativo” por parte das corporações de comunicação televisiva tradicionais, as quais criminalizam o protesto, obrigando as comunidades a recorrer às transmissões digitais comunitárias para divulgar a crua realidade dos confrontos.
- Perseguição judicial: O presidente advertiu publicamente que os manifestantes que bloquearem rodovias ou destruírem bens estatais “irão para a cadeia”, acusando os protestos de fazerem parte de um plano criminoso para desestabilizar a democracia.
Situação atual
Neste 17 de maio de 2026, a Bolívia vive horas cruciais de máxima tensão:
- Corredor humanitário e recuo: Após duros confrontos em que os manifestantes resistiram com pedras e explosivos caseiros, o governo ordenou um recuo parcial dos militares. As forças de segurança tentam forçar corredores para a entrada de oxigênio hospitalar e alimentos.
- Desabastecimento crítico: As cidades de La Paz e El Alto sofrem com uma grave escassez de combustíveis, alimentos básicos e insumos de saúde devido aos bloqueios de rotas.
- Fechamento de fronteiras terrestres: Os acessos de transporte para o interior do país, Peru e Chile continuam totalmente bloqueados.
- Convocação para diálogo condicionado: Devido ao colapso, o governo assinou a revogação da polêmica lei de terras para acalmar os camponeses e convocou um “diálogo produtivo” de emergência com a COB. No entanto, as principais bases sindicais e do movimento camponês e indígena sustentam que as medidas de pressão não serão suspensas até que se resolva a crise econômica de fundo ou se determine a saída de Rodrigo Paz do palácio de governo.
Referências:
- Bolivia le declara la huelga general al presidente Rodrigo Paz – teleSUR
- El presidente de Bolivia anuncia una comisión para impulsar una reforma parcial a la Constitución | CNN
- Bolivia: Evo Morales denuncia plan de asesinato orquestado por EE.UU. – teleSUR
- Paz denuncia intentos de ‘desmontar’ la democracia y advierte cárcel para impulsores – La Razón
- “Para detenerme o matarme”: Evo Morales acusa que EEUU ordenó al Gobierno de Bolivia ejecutar una operation militar en su contra – El Ciudadano
- Crisis en Bolivia: las claves de los conflictos que amenazan la estabilidad del gobierno de Rodrigo Paz – Infobae
- Rodrigo Paz cede ante la marcha indígena y elimina la polémica ley de tierras en Bolivia
- ¿Qué pasa en Bolivia? Las claves de las protestas que exigen la renuncia del presidente Rodrigo Paz
- Reportes de represión en El Alto y Altiplano Boliviano – Plataforma de Comunicación Comunitaria La Raíz (Ecuador/América Latina)
- Transmisiones en vivo desde los puntos de bloqueo – Red de Radios Comunitarias de Bolivia y corresponsalías populares de base




