Congresso da CSP-Conlutas e seminário internacional reforçam articulação da classe trabalhadora contra ofensiva imperialista
Entre os dias 18 e 21 de abril, a CSP-Conlutas realiza, em São Paulo, o seu 6º Congresso Nacional, reunindo trabalhadores, movimentos populares e ativistas de diversas regiões do país. Na sequência, no dia 22, a capital paulista sediará o Seminário Sindical Anti-imperialista, ampliando o debate para o plano internacional com a participação de delegações estrangeiras. Juntos, os dois eventos se apresentam como um marco político para o movimento operário e a esquerda, diante de um cenário global de conflitos e avanços imperialistas com mais ataques aos direitos sociais e à soberania dos povos.
A política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump é uma reatualização agressiva do imperialismo clássico. A intervenção na Venezuela, que culminou na captura de Nicolás Maduro, não pode ser compreendida como um ato isolado, mas como parte de uma estratégia de reafirmação da hegemonia estadunidense no continente, alinhada à reativação da Doutrina Monroe. Sob essa lógica, a América Latina é tratada como zona de influência exclusiva, especialmente quando envolve controle soberano de recursos estratégicos como o petróleo e minerais de terras raras.
O bloqueio econômico a Cuba, intensificado com sanções sobre o fornecimento de combustível, evidencia o caráter estrutural dessa política imperialista. Trata-se de uma estratégia de estrangulamento econômico que visa forçar mudanças de regime por meio do colapso das condições materiais de vida da população, atingindo diretamente transporte, saúde e produção. O imperialismo não opera apenas por ocupação militar direta, mas também por mecanismos econômicos coercitivos que subordinam países periféricos aos interesses do capital internacional, como também assistimos na política de taxação de Trump.
No Oriente Médio, a escalada da guerra envolvendo Irã e Líbano, com protagonismo dos EUA e de Israel, segue a mesma lógica de controle geopolítico sobre regiões estratégicas, especialmente aquelas centrais para o fluxo global de petróleo e gás. O conflito e o bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, provocam uma forte alta nos preços do combustível e impactos inflacionários globais. Isso evidencia como guerras e intervenções imperialistas estão profundamente conectadas à dinâmica do capitalismo global, em que disputas por recursos e rotas energéticas recaem, em última instância, sobre a classe trabalhadora mundial, que sofre com o aumento do custo de vida e a instabilidade econômica.
Esses ataques dos imperialismos aos trabalhadores do mundo geram uma resistência dos povos e uma polarização da luta de classes. Trump não conseguiu impor uma derrota imediata como pretendia sobre o Irã, o que pode levar a uma primeira derrota importante, com profundas repercussões na realidade mundial. Existem mobilizações importante contra Trump nos Estados Unidos, que se expressaram em Minneapolis em defesa dos imigrantes e nas mobilizações No Kings.
O congresso também será um ponto importante de reafirmação do apoio à resistência palestina contra o genocidio e o roubo de seu território e do ucraniano que luta contra a invasão do imperialismo russo.
O congresso ocorre nesse momento da conjuntura de polarização internacional da luta de classes e a necessidade da reafirmação da luta anti-imperialista. Mas também em um momento simbólico onde a central sindical e popular completa duas décadas de construção política baseada na independência de classe, na democracia operária e no internacionalismo. Esse ultimo é marca da CSP-Conlutas que inclusive neste momento consta com 2 militantes navegando pelas águas do mediterraneo com a Flotilha Global Sumud.
Delegadas e delegados de diferentes categorias — do funcionalismo público à indústria, passando por movimentos populares, movimentos contra opressão e estudantes — participam do encontro com a tarefa de analisar a conjuntura nacional e internacional e definir um plano de lutas. A expectativa é que o congresso aponte caminhos para a reorganização da classe trabalhadora no Brasil, num contexto de disputas políticas intensas e desafios estruturais para o sindicalismo.
Mais do que um espaço interno de deliberação, o evento busca afirmar um projeto alternativo para o movimento sindical. Em contraste com setores sindicais e populares alinhados a governos, a CSP-Conlutas defende uma atuação independente e combativa, apostando na mobilização direta como instrumento central de conquista e defesa de direitos. O congresso busca aprovar resoluções para dar respostas concretas à luta da classe trabalhadora pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. Também aprovar resoluções fortalecendo campanhas contra privatizações e a reforma administrativa que vem sendo implementada pelo governo Lula.
A nível internacional, a CSP Conlutas defende uma alternativa contra todos os imperialismos, assim como contra todos os governos burgueses. Só a mobilização dos trabalhadores e sua independência perante todos os setores da burguesia podem apontar para o avanço de nossa classe.
Essa perspectiva se conecta diretamente com o Seminário Sindical Anti-imperialista, chamado e organizado pela Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, que será realizado logo após o congresso que pretende reunir organizações de diferentes países para discutir os impactos das políticas imperialistas sobre trabalhadores e nações. Na pauta, além de um debate pela manhã sobre a natureza dos imperialismos sobre os povos, também haverá grupos de trabalho sobre a precarização do mundo do trabalho, a luta e defesa do meio ambiente e os conflitos e guerras. A proposta é construir uma resposta articulada do movimento sindical, capaz de enfrentar não apenas ataques locais, mas também as dinâmicas globais que afetam direitos trabalhistas e soberania nacional.
A realização conjunta dos dois eventos reforça a necessidade de integrar as lutas nacionais a uma perspectiva internacionalista. A iniciativa busca impulsionar campanhas, mobilizações e alianças que possam fortalecer a classe trabalhadora nos próximos anos. A história do movimento operário demonstra que conquistas duradouras dependem de articulação além das fronteiras, especialmente em um sistema econômico cada vez mais globalizado.
Nesse sentido, São Paulo se torna, ao longo desses dias, um ponto de convergência de debates estratégicos para a esquerda e o sindicalismo. A presença de mais de 30 convidadas e convidados internacionais amplia o alcance político das discussões e contribui para a construção de uma agenda comum entre trabalhadores de diferentes realidades.
Os desafios são amplos. Entre eles, estão a reorganização da base trabalhadora diante da precarização, o enfrentamento às políticas de austeridade e a defesa de direitos sociais em meio a crises econômicas recorrentes. Soma-se a isso a necessidade de combater projetos que aprofundam a dependência econômica e política de países como o Brasil.
Assim, os eventos de abril não se limitam a encontros organizativos. Eles se colocam como espaços de construção política em um momento decisivo, no qual a defesa dos territórios, direitos trabalhistas, da democracia e da soberania nacional volta ao centro das disputas. Para o movimento operário e a esquerda, trata-se de uma oportunidade de reafirmar princípios, renovar estratégias e fortalecer a luta frente aos desafios de um mundo em transformação.
Para mais informações sobre os dois eventos e pauta segue os links – cspconlutas.org.br/ e laboursolidarity.org




