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sexta-feira, julho 12, 2024

A solidariedade internacional é necessária: apoiemos a luta o povo peruano

Enquanto na Argentina a corrida eleitoral já é um fato e atravessa o conjunto da cena política do país, o primeiro mês de 2023 foi atravessado na América Latina por processos transcendentes, embora de sinais contrários: por um lado, a tentativa golpista do bolsonarismo no Brasil e, por outro, a heroica mobilização do povo peruano, que marca o caminho da combatividade que hoje as lutas dos trabalhadores latino-americanos necessitam.  

Por: PSTU – Argentina

A luta do povo trabalhador peruano dura semanas de enfrentamento a uma brutal repressão que já tem mais de 60 mortos, mais de 1.100 feridos e centenas de detidos. O pedido de eleições percorre o país, como um reflexo da ilegitimidade de um governo que surgiu prometendo melhorias para a vida do povo trabalhador e não garantiu nada disso, enquanto que as próprias disputas internas, depois de uma falida tentativa de auto golpe, terminaram com a destituição do presidente Castillo e a ascensão da vice presidenta.

Mas o que o heroísmo e a continuidade da mobilização expressam vai mais além destes últimos fatos que os detonaram, como desenvolvem nossos companheiros do Partido Socialista dos Trabalhadores do Peru. Expressam o fracasso do regime da democracia para ricos a serviço das multinacionais e do imperialismo.

Por isso, apesar dos mortos e da intensificação da repressão, não conseguem deter a mobilização e os tombados se transformam em mais razões para seguir lutando.

E o que para nós?

Mas isso não será eterno. A solidariedade internacional é fundamental para evitar que a repressão derrote a mobilização e feche o processo. E isto é importante não apenas pela própria solidariedade, que por si só é fundamental, mas também porque uma derrota não somente afetará esse povo, mas também o conjunto das lutas dos povos latino-americanos.

Muitos companheiros e companheiras talvez pensem que, ao invés de nos preocuparmos pelo Peru, porque não nos preocupamos pelo que acontece aqui, os salários insuficientes, as tarifas que aumentam e etc. Entretanto, esta visão, que a todo tempo os governos e poderosos nos impõem, é muito equivocada. Por um lado, porque nós trabalhadores e trabalhadoras argentinos, temos muito mais interesses em comum com os trabalhadores e trabalhadoras peruanos do que com os empresários/as e governo argentinos.

 Por outro lado, porque, embora se expressem de forma muito diferente, enfrentamos inimigos comuns em todo o continente: um plano de intensificação do saque brutal pelo imperialismo que vem com tudo e a ação de governos que, alguns com discursos mais “progressistas” outros com discursos mais conservadores, são servis a esses planos. Assim, uma vitória do povo peruano nos deixaria em melhores condições para enfrentar os planos de saque e ajustes a serviço do FMI que hoje temos que enfrentar aqui, e se concretizam na luta por salários, condições de trabalho, etc.

E a Grande Pátria?

Os diferentes setores que atualmente integram o Governo da FDT (Frente de Todos) e particularmente o kirchnerismo que, embora tente resistir como opositores, são parte fundamental do governo atual, muitas vezes falam da unidade latino-americana. O recente encontro da CELAC (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribe) realizado em nosso país no final de janeiro sem nada de concreto, voltou a colocar em discussão a questão dessa unidade. Mas a unidade a que eles se referem não tem nada a ver com a unidade entre os trabalhadores, que é a que precisamos.

O Governo argentino, embora tenha, a princípio, assinado uma dura declaração (junto com México, Chile, Equador, Bolívia, Colômbia e Honduras), manteve relações diplomáticas com o Governo de Boluarte. Nem falam em condenar a repressão ou chamar para alguma ação para freá-la. Mesmo os setores sindicais e de movimentos sociais que apoiam o Governo, e que se localizam como um setor mais crítico e realizaram a CELAC social (CTA- Central dos Trabalhadores Argentinos, UTEP- União dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Economia Popular, etc) se limitaram a repudiar de forma testemunhal a repressão, também como parte dos alinhamentos eleitorais. Assim como foi com Piñera quando iniciou a revolução chilena, a cumplicidade com a repressão governamental é o que prima, mais além de muitos discursos de unidade latino-americana.

Por uma campanha internacional

O PSTU como parte da LIT-QI endossa o chamado de nossos companheiros do Peru “Por isso reiteramos nosso chamado às organizações estudantis, operárias e populares de todo o continente e do mundo para pronunciarem-se em solidariedade com a luta do povo pobre do Peru” e nos colocamos à disposição para realizar ações de solidariedade unitárias nos locais onde estamos, como a que realizamos em 1 de fevereiro em frente à Embaixada do Peru na Argentina. É necessária uma campanha internacional para deter a repressão do Governo de Boluarte e Congresso, pela liberdade de todos os detidos e detidas (cujo número não cessa de crescer).

O PSTU e a LIT-QI acreditamos ser fundamental colocar o direito do povo pobre peruano de defender-se da repressão de forma organizada e a luta por derrubar o governo de Boluarte e o Congresso e a convocação imediata às eleições gerais e a uma Assembleia Constituinte para recuperar os recursos naturais e a necessidade de um governo das organizações de luta da classe trabalhadora e do povo pobre no Peru.

A unidade latino-americana dos trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar os governos e seus planos a serviço do FMI e do imperialismo é hoje uma tarefa fundamental. Como revolucionários internacionalistas nos colocamos a serviço da mesma, na perspectiva de construir uma Segunda e definitiva Independência e a revolução operária e socialista que nosso continente necessita.

Tradução: Lilian Enck

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