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segunda-feira, fevereiro 26, 2024

Não nos vamos habituar!

A um trabalhador que luta todos os dias para chegar ao final do mês, para garantir que não é despejado da sua casa, para ter um atendimento digno no SNS (Serviço Nacional de Saúde) ou conseguir que os seus filhos tenham professor, não podem deixar de indignar as barbaridades cometidas pelo Governo Costa, nomeadamente a conivência com os gestores milionários, sejam os pagos com os impostos de todos nós, ou os que também no privado roubam os trabalhadores.

Por: Em Luta – Portugal

Não esquecemos, no entanto, como tanto querem fazer os partidos da direita, que esta utilização do aparelho de Estado para proteger os ricos e os seus gestores não é apenas uma caraterística do PS (Partido Socialista), mas igualmente dos governos PSD/CDS (Partido social Democrata/ Centro Democrático Social – Partido Popular).

Perante a crise do Governo de Costa e o aproveitamento que a direita procura fazer da mesma, algumas vozes procuram desculpabilizar o Governo devido ao perigo do retorno de um governo de direita ou de extrema-direita. Mas foi exatamente esse argumento que fez com que o PS tenha maioria absoluta para colocar os custos da inflação sobre os trabalhadores, enquanto EDP (energia) e Galp (energia e gás), Continente (Hipermercados) e Pingo Doce (Hipermercados), ou os grandes bancos, fazem milhões. Ou mais recentemente queira ameaçar acabar com a greve dos professores, procurando alegar a sua ilegalidade, apenas devido ao seu impacto. É a proteção ao PS que alimenta o crescimento da direita, e não o contrário.

Já Paulo Raimundo, novo Secretário-geral do PCP (Partido Comunista Português), em entrevista recente, aponta para o retorno do modelo da Geringonça, abrindo as portas a alianças da esquerda parlamentar com o PS. Também por aqui já vimos que o caminho não nos serve: afogou a confiança e ânimo de luta da classe trabalhadora e da juventude nas ilusões da conciliação com os patrões e com o Governo, e não reverteu a decadência das condições de vida, nem o projeto de submissão do país. Também por aí cresceu a extrema-direita.

Ao contrário do que dizia Costa: nós não nos vamos habituar. Nem aos dois pesos e duas medidas do Governo, com mão dura para os trabalhadores e proteção aos gestores, nem à falsa dicotomia de que ou é o PS (com ou sem esquerda atrelada) ou é o retorno da direita. As lutas de fim do ano na Autoeuropa, e agora a luta dos professores defendendo a dignidade da sua profissão, mas também da própria escola pública, mostram que há outros caminhos. Já basta de aceitar o mal menor e a chantagem constante. Já basta de baixar a cabeça ou de esperar as soluções de sempre. É preciso retomar a confiança nas nossas forças e unificar as lutas, para construir uma verdadeira alternativa ao capitalismo e aos seus negócios sujos.

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