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segunda-feira, julho 15, 2024

Pela Independência dos Movimentos Sociais

No mundo inteiro, a pandemia acelerou uma crise profunda que mostra que o Capitalismo não recuperou da crise de 2008, e por isso nem 15 anos passados somos chamados mais uma vez a pagar a fatura.

Por: Em Luta – Portugal

A quebra das cadeias de abastecimento de matérias-primas, o avanço galopante das alterações climáticas, a Guerra da Ucrânia, entre outros, são fatores concretos que fazem fermentar uma situação política imprevisível, onde a agressividade dos de cima condena os de baixo a encontrar formas de fazer face à nova realidade. Uma das formas é a luta organizada.

Ora vejamos o caso português. O “milagre” da Geringonça ressuscitou o PS (Partido Socialista) e permitiu estabilidade para a burguesia portuguesa se refazer da crise, chamuscando a esquerda. O Governo “progressista” deu muito pouco e foi, sobretudo, incapaz de devolver o que havia sido retirado pela Troika e Passos Coelho. Pagamos um preço elevado. A base real que permitiu uma Geringonça, que foram os movimentos sociais contra a austeridade, foi desmobilizada em direção à ilusão no Governo. Hoje, com o piorar  das condições de vida, rebaixamento dos salários face à inflação e, consequente, aumento do custo de vida e um mercado habitacional insuportável, vemos uma crise social profunda, e um enorme desafio: reerguer um movimento social que possa derrotar a ofensiva dos governos e patrões, e que, sobretudo, tire lições do Governo Costa.

A independência, a radicalidade nas ações e a procura de nos entrincheiramos com as pessoas da nossa classe, colocadas entre a espada e parede pela degradação das suas condições de vida, serão a chave para ampliar a base dos movimentos.

Construir um poderoso movimento social

É preciso construir um poderoso movimento social que dê resposta à crise habitacional, mas que dê uma resposta global ao problema. O que queremos dizer com global? Sabemos que a atual crise habitacional está ligada ao projeto de país, e também ao projeto de cidade, que ataca o conjunto dos trabalhadores, e é particularmente voraz com os mais pobres, explorados e oprimidos. Por isso, assume particular agressividade para com as pessoas e comunidades racializadas, imigrantes como temos visto no caso do 2º Torrão em Almada, onde o PS ao serviço da mesma especulação imobiliária das rendas de 700, 800 e 900 euros, demole sem alternativa habitações de famílias inteiras.

Na nossa opinião não conseguimos construir esse movimento que dialogue e aponte para uma raiz mais profunda, em que o racismo, o projeto de país, a divisão de trabalho, o acesso à cidade, a transição energética estejam colocados, sem realizarmos uma profunda experiência de organização e resistência. Resistência ao sistema, aos seus representantes e instituições políticas que arme cada vez mais sectores na nossa classe para unir as pontas soltas que permitem avançar para além das alternativas da direita (que quer mais submissão) ou da conciliação com o PS (para onde oscilam BE (Bloco de Esquerda) e PCP (Partido Comunista Português)).

A conciliação é um beco sem saída

Se os partidos do poder, PS e PSD (Partido Social Democrata), são os responsáveis pelas cidades dos ricos, que nos excluem da sua vida privilegiada, o que virá de diferente em futuros governos dos mesmos? Se a conciliação tem representado o adormecer da luta sindical, que faz com que até hoje a precariedade não pare de aumentar e cheguemos aos 30 anos sem possibilidade sair da casa dos pais e sem um vínculo duradouro de trabalho, para que serve afinal conciliar?

Se até hoje vemos um poder político incapaz de dar resposta à opressão na nossa sociedade, quer pela violência contra as mulheres, quer pela brutalidade policial ou na plena e incondicional inclusão no trabalho das LGBT, mas também pelas condições de vida dos oprimidos, que condições temos em apostar nessas forças como intermediários ou receptáculos destas lutas? A alternativa tem de ser a independência de classe e independência do Estado, que a toda a hora nos quer dar um abraço de urso para amansar as nossas lutas e reivindicações.

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