sex ago 12, 2022
sexta-feira, agosto 12, 2022

Primeiro mês de Chaves: demagogia, clientelismo e complacência dos grandes empresários

Completa-se o primeiro mês do governo de Rodrigo Chaves em meio a nomeações questionáveis para o gabinete, decretos improvisados e até sua primeira viagem de Estado à Suíça. Foi dito que o gabinete responderia a um processo de recrutamento e seleção das melhores pessoas. Já nomeados, ficou evidente na realidade ,um peso muito grande de nomeações que respondem a grandes interesses políticos e empresariais, assim como aos compromissos próprios do clientelismo de campanha.

Por : PT Costa Rica 

Cúpulas das câmaras empresariais satisfeitas com o gabinete

Um mau presságio para os trabalhadores é a complacência da UCCAEP (União Costarriquense de Câmaras e Associações do Setor Empresarial Privado) com as designações para o gabinete, as que definiu como positivas, assim como a presença de figuras que até há pouco tempo representavam as grandes câmaras empresariais, como o caso de Laura Bonilla, representante da Câmara de Exportadores e designada no Ministério da Agricultura, vinculada ao agronegócio do abacaxi e dos tubérculos para a exportação.

Para nós quem deveria ocupar os ministérios em um governo dos trabalhadores, seriam aquelas e aqueles dirigentes operários que em sua trajetória de luta demonstraram sua compreensão e compromisso com as necessidades do povo. Entretanto, a lógica que o governo de Chaves prometeu era outra, seria a designação baseada em supostos “atributos intelectuais e acadêmicos”, da mesma forma a falta destes fica evidente em muitas das designações.

Um dos casos mais polêmicos foi o de INAMU, onde foram realizadas duas nomeações- uma Presidenta Executiva e uma Ministra da condição da mulher – porque Cindy Quesada, designada em um primeiro momento para ambos os cargos não cumpria os requisitos legais. No caso da saúde, a Ministra Joselyn Chacón, ex –chefe de campanha de Chaves, já deixou muito claro que submeterá as decisões técnicas ou científicas ao interesse político do Presidente. A medida anunciada da eliminação da vacinação obrigatória, não podia ser implementada por decisão unilateral do presidente e colocou em causa a capacidade para responder à pandemia com base na ciência e não nas ocorrências.

Demagogia para apagar incêndios e abrir o caminho para novas contrarreformas

Alguns gestos do governo buscam ganhar simpatias mas, especialmente, tempo. Sabe que tem que andar com cuidado e busca apagar incêndios sem provocar grandes mudanças. O mais recente foi o anúncio da eliminação das provas Faro, apesar do presidente não poder eliminá-las unilateralmente sem um acordo do Conselho Superior de Educação. As provas FARO deviam ser eliminadas e essa tem sido sempre nossa posição, mas isto o governo não faz para melhorar a educação pública mas para avançar em alguma outra medida muito mais regressiva, sem dúvida.

Mudanças também foram anunciadas em relação a outros problemas como o alto custo dos combustíveis que são os altos impostos pagos ao se comprar o combustível e que não resolvem o problema de fundo. Merece um ponto à parte a crise de pagamento que se agravou no MEP com os problemas de informática. Após as manifestações espontâneas e crescentes de trabalhadores atingidos, rapidamente buscaram um acordo com as direções do magistério com promessas de pagamento que ainda resta saber se poderão cumprir.

Os verdadeiros problemas continuam e vão se aprofundar
No cerne de questões como a econômica, fiscal e educacional não está muito longe da agenda dos últimos anos. Afiançar a economia de enclave e de exportação em meio a um abandono da produção local economicamente, manter a regra fiscal e o caminho de cortar o investimento público à todo custo para continuar pagando a dívida fiscal e um modelo de privatização da educação com precarização do emprego na educação.

Enquanto as condições de vida continuam a piorar com um custo de vida estratosférico e salários congelados, os problemas que colocam e discutem são as demandas do grande empresariado como a nefasta reforma da jornada de trabalho conhecida como 4-3. Do nosso lado, apostamos em construir uma agenda da classe trabalhadora, sem confiar nem um minuto em Chaves. Os problemas vão continuar e a classe trabalhadora cedo ou tarde terá que responder nas ruas.

Tradução: Lilian Enck

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