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quinta-feira, junho 20, 2024

Dois anos de governo Chaves: a vida da classe trabalhadora não melhora

Rota do arroz e a ruína da produção nacional

Uma das grandes promessas de Chaves era “comerse la bronca” [1]do custo de vida e o seu plano estrela foi a chamada “Rota do Arroz”, com a qual supostamente baixaria o custo do grão mais consumido no país.

Por: PT Costa Rica

Quem ganhou com a Rota do Arroz foram os grandes importadores, os financiadores do governo.

Segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INEC), o preço do arroz aumentou 4,62% ​​entre 1 de agosto de 2022 e 31 de março de 2024; ou seja, em 20 meses os preços do arroz não caíram apesar da redução tarifária de 31% (impostos que antes tinham de ser pagos nas importações).

Antes desta medida, as grandes agroindústrias eram obrigadas a comprar a produção nacional dos pequenos agricultores. Após a redução das tarifas, deixaram de pagar ₡19 bilhões de colones em impostos, substituindo o arroz que vendem por arroz importado, sem que houvesse redução do preço final. que pagamos no supermercado.

As grandes indústrias encheram os bolsos, trazendo a ruína da produção nacional. As importações de arroz duplicaram, passando de 151 mil para 307 mil toneladas, representando um aumento de 102%; enquanto os hectares cultivados com arroz no país diminuíram de 35.301 para 14.300 e a produção nacional diminuiu de 153.173 para 60 mil toneladas.

Não só os preços não caíram, como o futuro ficou comprometido por estar à mercê das grandes indústrias importadoras e dos preços internacionais. A ruína imediata da produção nacional e a fome futura são os legados dos dois primeiros anos de governo.

A armadilha da redução do desemprego e da expulsão em massa do mercado de trabalho

O governo anuncia como parte do seu suposto sucesso econômico a redução do desemprego, que em janeiro se situava em 7,9%. A verdade é que o “milagre de Chaves” não passa de cifras maquiadas. Hoje, os níveis de emprego naõ chegam aos níveis da pré-pandemia; em janeiro de 2024, foram registradas 2,1 milhões de pessoas ocupadas, enquanto que , em Fevereiro de 2020, havia 2,2 milhões de pessoas.

A redução da força de trabalho no país é a principal causa desta queda fictícia do desemprego, afetando principalmente as mulheres que, na sua maioria, desistem de procurar trabalho remunerado. Segundo dados do INEC, 170 mulheres por dia deixam de fazer parte da força de trabalho e em 2023, 55 mil mulheres deixaram de procurar trabalho, ficando confinadas ao trabalho doméstico não remunerado e sujeitas à dependência econômica.

Um país endividado apesar dos cortes brutais

Desde o governo anterior do PAC, foram aplicadas medidas de ajuste fiscal muito duras, que significaram cortes profundos na saúde, habitação, educação, bolsas de estudo, investimento em estradas, etc. Chaves deu continuidade a estas medidas e aplicou-as de acordo com cada um dos mandatos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No final de 2023, a dívida pública situava-se em 61,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Pelo que é preconizado pelo próprio governo e pelo FMI, a projeção é cair abaixo de 60% até o final de 2025. Ou seja, desde 2018 com a reforma tributária de Carlos Alvarado eles vêm anunciando a redução da dívida e isso não acontece, enquanto as escolas e os hospitais desmoronam, as bolsas são reduzidas e os salários perdem o seu valor em quase 30%.

Economia: o falso milagre econômico

O governo não deixa de apresentar os “bons resultados” da política econômica do país, um aumento supostamente promissor da atividade econômica, indicando expectativas de crescimento econômico do país em 3,6%” para 2024.

Este suposto milagre econômico já começa a diminuir, já que se prevê que o crescimento da economia do país deverá desacelerar dos 5% – alcançados em 2023 – para 3,8% este ano, devido à diminuição do investimento privado, à contração econômica dos países dos quais somos altamente dependentes e a queda de outros sectores econômicos, como a construção.

Por trás do discurso governamental de melhoria econômica esconde-se o fato de que esta melhoria é apenas para sectores muito específicos da classe dominante e das classes médias altas, enquanto a classe operária, o campesinato e os sectores da pequena burguesia continuam a ser arruinados.

Os impulsos autoritários de Chaves e a necessidade de oposição da classe trabalhadora

Outro dos sinais distintivos deste governo tem sido a sua retórica anticomunista, antifeminista e homofóbica que também é utilizada pela direita fundamentalista (Nova República de Fabricio Alvarado), sem ainda ousar identificar-se com Bukele ou Bolsonaro. Bem como os impulsos autoritários que até agora têm sido mais ou menos contrastados e travados pelas contradições nas instituições do país.

Diante do discurso de Chaves, setores como o La Nación e o próprio PLN se apresentam como o setor em defesa da democracia, quando na realidade o que defendem é o interesse de grandes sectores da burguesia tal como faz Chaves.

No meio desta polarização de dois blocos de direita, é necessário um campo independente da classe trabalhadora, que enfrente o governo, exponha as suas mentiras e prepare um plano para lutar pelos interesses da classe operária que se opõe tanto a Chaves, bem como ao PLN-Grupo Nación.

Construir um Partido da Classe Trabalhadora e um programa de ação

A construção de um campo político independente passa, antes de mais, pela denúncia das mentiras de Chaves e da hipocrisia do PLN-Grupo Nación. Mas evidentemente não basta desmascarar o governo e os seus detratores de direita, é necessário um partido e um programa independente da classe trabalhadora.

O PT está empenhado em construir esse partido e levantar esse programa socialista e revolucionário que rompa os laços de dependência do país, que acabe com a miséria vivida pela classe trabalhadora e pelos setores populares, que lute para que a riqueza esteja realmente em mãos daqueles que a produzem e pela construção de uma nova sociedade sem opressão e exploração.


[1] Slogan de campanha de Rodrigo Chaves que significa assumir o desafio de comprar a bronca junto com a população.

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