sex fev 03, 2023
sexta-feira, fevereiro 3, 2023

Uma semana de invasão russa e resistência na Ucrânia

Uma semana se passou desde o começo da invasão de Putin à Ucrânia. Segundo números ucranianos, mais de 2.000 pessoas morreram, sem contar as baixas em combate. Em apenas sete dias, há um milhão de refugiados. A ONU estima que esse número possa superar os quatro milhões [1].Os desalojados internos somam outro milhão de pessoas. Cidades inteiras estão sem calefação, eletricidade e água potável devido aos ataques russos contra infraestruturas básicas. Estamos diante de uma das maiores crises humanitarias na Europa.

Por LIT-QI

No campo militar, a Rússia avança ao sul e ao leste da Ucrânia. Sua intenção aparente é conectar o Donbass com o sul, fazendo o controle de toda a costa. Os russos asseguram terem tomado a estratégica cidade de Kherson no Mar Negro, embora a informação seja contraditória e o governo ucraniano o negue. Se fosse assim, Putin estaria em melhores condições para atacar Odessa, o principal porto ucraniano no Mar Negro. Assediam também Mariupol, no Mar Azov, onde a população local está sem calefação, luz, água e a comida é escassa. Ali não há para onde fugir. A perda da saída ao Mar Negro e ao Mar Azov seria catastrófica para a Ucrânia.

O enorme comboio de veículos militares russos que se dirige a Kiev não progrediu como Putin esperava. A resistência ucraniana e falhas na logística russa o mantém quase estacionado a 30 kilômetros da capital. Mas Kiev já sofre com os fortes bombardeios russos, enquanto espera o ataque final. Há dois dias explodiram a torre de televisão e, ontem, danificaram uma tubulação que poderia deixar parte da cidade sem calefação. O próprio chefe do Centro de Direção Nacional do Ministério da Defesa russo, Mikhaíl Mizhíntsev, advertiu “uma catástrofe humanitária iminente” nas principais cidades da Ucrânia como Kiev, Kharkov, Kherson e Mariupol, embora responsabilizando os próprios ucranianos por isso. Ou seja, as vítimas seriam culpadas pela sua própria desgraça. O cinismo do Kremlin não tem limites.

A resistência popular é feroz. Existem milícias armadas que se uniram ao exército ucraniano, compostas por homens e mulheres. As pessoas comuns constroem barricadas com pneus ou sacos de areia, cavam trincheiras, explodem pontes para dificultar o avanço dos russos. Há cenas de pessoas que tentam parar os tanques simplesmente colocando-se na frente deles[2]. Na cidade de Energodar, os trabalhadores da principal planta nuclear do país formaram uma grande barricada para deter os russos[3].

Neste contexto, realizou-se uma segunda reunião entre as delegações da Rússia e Ucrânia para um possível cessar fogo. O encontro foi em Belarus, país governado por Lukashenko, sanguinário ditador aliado de Putin, de onde os russos lançam mísseis e enviam tropas. Foi acordado um corredor humanitário, mas sem garantias de um cessar fogo durante as evacuações de civis. Além disso, foi anunciado uma terceira rodada de negociações para a próxima semana. Mas Putin não parece ter intenções de ceder em suas pretensões nem de respeitar os civis. Embora o avanço russo seja mais lento que o previsto, a superioridade militar de Moscou é imensa. Por outro lado, não existe nenhuma garantia de que o presidente ucraniano, Zelenski, não fará concessões inaceitáveis a Putin, traindo a resistência de seu povo. A classe trabalhadora e o povo ucraniano, ao mesmo tempo em que combate o invasor russo, não pode depositar nenhuma confiança em Zelenski nem na oligarquia de seu país, submissa aos interesses do imperialismo. O povo ucraniano só deve confiar em suas próprias forças e na solidariedade internacionalista da classe trabalhadora mundial.

É preciso organizar em todos os países uma forte campanha de solidariedade ao povo ucraniano. É necessário ampliar a condenação à invasão russa. Chamamos todas e todos as/os socialistas, democratas, defensores/as da livre autodeterminação dos povos, a somarem-se à luta pela derrota de Putin e pela defesa da soberania da Ucrânia. A derrota de Putin será uma vitória do povo ucraniano e de todos os povos do mundo.

 Pela derrota da invasão militar russa na Ucrânia!

Fora as garras dos Estados Unidos, da OTAN e da União Europeia da Ucrânia!

Por uma Ucrânia unificada e livre da opressão russa!

Dissolução da OTAN!

Dissolução da aliança militar CSTO (Organização do Tratado de Segurança Coletiva) do Estado russo com as ex – repúblicas soviéticas, usada para o envio de tropas para esmagar levantes populares e sustentar oligarcas submissos, como no Cazaquistão! 

[1] Ver: <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/um-milhao-de-refugiados-deixaram-a-ucrania-em-uma-semana-diz-onu/>.

[2] Ver: <https://edition.cnn.com/videos/world/2022/02/26/ukraine-civilians-block-russian-tanks-with-body-and-bikes-nr-vpx.cnn>. Ver: <https://www.youtube.com/watch?v=sB1Ouz9pp3M>.

[3]Ver: <https://www.theguardian.com/world/2022/mar/03/russian-forces-surround-ukraines-biggest-nuclear-plant-sparking-un-concerns>. Ver as barricadas ucranianas: <https://www.youtube.com/watch?v=BI9ygcARDu4>.

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