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sexta-feira, maio 24, 2024

Uma viagem pela história da ex-URSS

Atualmente há muitos debates entre o ativismo que luta em escala internacional, principalmente sobre como enfrentar as crises impostas pelo capitalismo. Há quase dois anos vivemos uma pandemia que está longe de ser controlada e que demonstrou, mais uma vez, que quem mais sofre com suas consequências são os países pobres e a classe trabalhadora mundial.

Por Redação LIT-QI

Estamos diante da possibilidade de um colapso ambiental, onde a vida em todo o planeta está ameaçada. Tudo isso é produto da anarquia da produção capitalista, que mantém uma relação destrutiva com a natureza. A tudo isso, devemos somar a grande desigualdade social, em que poucos magnatas controlam quase toda a riqueza, enquanto os povos estão condenados a péssimos sistemas de saúde, condições precárias de trabalho e até práticas escravistas.

Diante de toda essa crise permanente do sistema capitalista, vemos centenas de processos de luta: contra o racismo nos Estados Unidos, contra o machismo com milhões de mulheres nas ruas, contra o saque imperialista dos recursos e pela defesa do meio ambiente. Greves estouram em todo o mundo, e até vemos resistência armada e revoluções que derrubam ditaduras. Mas ainda estamos longe de perceber uma alternativa tangível, pela positiva, contra o capitalismo. A grande maioria do ativismo se declara anticapitalista, rechaça as transnacionais, repudia os banqueiros e exige o fim da destruição do meio ambiente. Mas o capitalismo não foi destruído e, assim, nos últimos 30 anos, todos os problemas econômicos, sociais e políticos se agravaram.

A LIT tem consciência de que não basta só lutar. Devemos construir um projeto revolucionário socialista para opor ao sistema capitalista. Um projeto que destrua este sistema pela raiz e possa construir uma sociedade onde a economia e a política estejam ao serviço da satisfação das necessidades da espécie humana em uma relação harmoniosa com a natureza. Mas para avançar nesse projeto, entendemos que um dos caminhos é questionar a invencibilidade do capitalismo.

A LIT compreende que o ativismo social e a militância de esquerda devem estudar as experiências de luta, revoluções, tanto triunfantes quanto derrotadas. Este estudo contém lições valiosas para entender melhor o presente, para não repetir erros e ser mais forte na luta contra o capitalismo. Consideramos muito importante estudar em profundidade como funcionavam as sociedades que tentaram construir um modelo alternativo ao capitalismo, como foi o caso do processo iniciado com a Revolução Russa de 1917. Devemos estudar como elas surgiram, o que foram suas instituições, quais foram suas bases econômicas e quais as razões de sua destruição.

Queda do Muro de Berlim, novembro de 1989.

Queremos convidar o ativismo que está em meio a processos de luta a conhecer a partir de uma perspectiva marxista, ou seja, totalmente crítica da história oficial, o surgimento, degeneração e queda da URSS e dos ex-Estados operários. Sem esse estudo, sem esse balanço histórico à luz da experiência posterior, estamos convencidos de que não é possível enfrentar os desafios das novas revoluções socialistas.

As últimas três décadas foram marcadas por uma propaganda sistemática dos Estados, das transnacionais de comunicação e dos partidos políticos burgueses, em que se repete que o socialismo não é viável, que “fracassou” há 30 anos e foi relegado ao lixo da história. Uma das falácias mais comuns dessa campanha é argumentar que Stalin e a burocracia que governou a URSS desde 1924 seriam uma “continuidade” da obra e do legado militante de Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Lênin e Trotsky. Gastam milhares de páginas e horas de vídeos para afirmar que a falta de democracia nos ex-Estados operários foi uma consequência inevitável da doutrina comunista. Argumentam também que, entre 1988 e 1991, as massas desses Estados foram às ruas para exigir o “fim do comunismo” e a volta ao sistema capitalista.

Este especial apresenta ao leitor uma seleção de textos especialmente escritos para discutir o trigésimo aniversário da dissolução da URSS, além de outras ferramentas, como vídeos e material de arquivo, através dos quais queremos fazer uma viagem pela história da ex-URSS e poder explicar como foi se degenerando à luz de conceitos muito precisos.

A partir dos textos que serão publicados nos próximos 30 dias, tentaremos primeiro explicar o que era o projeto da Perestroika e como a restauração capitalista foi realizada pela própria burocracia stalinista muito antes de as massas saírem para lutar contra a miséria na que tinham sido abandonadas. A partir daí, faremos uma explicação detalhada do que foi a burocracia estalinista, como ela surgiu e como mudou o regime de democracia operária que existiu até a morte de Lenin.

Faremos um percurso pelas implicações da doutrina do socialismo em um único país, a maior ruptura com o marxismo que Stalin e sua camarilha desenvolveram, e veremos todas as repercussões que isso teve nos processos revolucionários e na Segunda Guerra Mundial.

Explicaremos por que, nos primeiros anos da URSS, existia de fato um regime de democracia operária em que ocorreram importantes conquistas sociais e democráticas. Mostraremos como o Estado Operário estava ao serviço da revolução mundial até 1924, dando total prioridade à construção da Terceira Internacional, que mais tarde seria liquidada pela burocracia stalinista.

1917: Soldados marcham em Moscou com um cartaz que diz: “Comunismo”.

Por outro lado, será muito importante mostrar a resistência das massas a essa burocracia. Nesse sentido, analisaremos os processos de revolução política antiburocrática nos países do glacis soviético: Alemanha Oriental, Hungria, Tchecoslováquia e Polônia. Explicaremos também em que consistiu o processo revolucionário que varreu a Europa Oriental no final dos anos 1980, que interpretamos como um fenômeno essencialmente progressista, ao contrário de grande parte da esquerda, a começar pelos atuais partidos comunistas.

Ao final, apresentaremos algumas conclusões para auxiliar o debate, por exemplo, quais são os programas dos atuais partidos comunistas, que sempre reivindicaram a ação da burocracia. Faremos uma caracterização do que são hoje o Estado chinês, o Estado cubano e o atual governo de Putin na Rússia.

Por último, discutiremos se a degeneração foi produto do stalinismo ou do marxismo. Isso é essencial para retomar o debate sobre a suposta superioridade do capitalismo sobre o socialismo e, sobretudo, para responder à pergunta de se continua ou não viável lutar pelo socialismo.

Reiteramos, então, nosso convite a fazer esta viagem pela história da ex-URSS e dos ex-Estados operários.

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