seg maio 20, 2024
segunda-feira, maio 20, 2024

A construção de um partido revolucionário mundial dos trabalhadores é a maior tarefa a que um ser humano já se propôs




As linhas que reproduzimos abaixo são os parágrafos finais do livro “O Partido e a Revolução”. Embora o marco organizativo da época, o SU, há muito não permita que os trotskistas conseqüentes continuem nele, os conceitos e a visão geral da construção do Partido Mundial Revolucionário dos Trabalhadores no processo histórico, formulados por Moreno, mantêm toda sua atualidade.
 
Bem, terminamos. Só nos resta fazer um esclarecimento. A construção de um partido revolucionário mundial dos trabalhadores é, como já dissemos, a maior tarefa a que o ser humano já se propôs. Por sua imensidão e pelos poderosíssimos inimigos que enfrenta, é uma tarefa muito longa e muito difícil. Somos um punhado de militantes que enfrentam, com a única arma moral de nossa confiança incondicional e cega no movimento de massas e na classe operária, o imperialismo e a burocracia: uma classe e uma casta que concentram em suas mãos o maior poderio de que a humanidade já teve notícias.
 
Os novos camaradas que apenas agora tomam conhecimento, em meio de uma discussão muito dura e violenta entre duas frações, de todas as lutas anteriores, tanto ou mais duras e violentas; os novos camaradas que vêem que estamos frente a uma nova crise; os novos camaradas que vêem a tremenda quantidade de erros que a IV Internacional cometeu nos últimos vinte e cinco anos; esses novos camaradas têm todo o direito de se perguntar, e muitos o fazem, para que seguir dentro dessa Internacional. Queremos responder a eles o seguinte: o que vivemos até agora foi a pré-história do Partido Mundial Revolucionário dos Trabalhadores. Apesar de todos os seus erros, essa Internacional teve um mérito gigantesco: em meio a mais feroz perseguição da burguesia e da burocracia stalinista, conservou para o movimento operário e de massas toda a experiência adquirida em mais de um século de luta. Uma experiência cuja perda teria atrasado por várias décadas o desenvolvimento da revolução socialista. Uma experiência que se sintetiza em uma teoria (a da revolução permanente), em um programa (o programa de transição), e numa organização (o partido leninista-trotskista). Pelo simples fato de haver conservado essas ferramentas de luta do movimento operário e de massas, mesmo esta etapa pré-histórica encontra-se já inscrita na história da humanidade.
 
Mas agora estamos deixando a pré-história e entrando na história da IV Internacional. O movimento de massas entrou no mais colossal ascenso que já se conheceu; o sistema capitalista mundial, o imperialismo, continua se debatendo em uma crise dramática, cada vez mais profunda, que expressa sua decadência e sua putrefação definitiva; décadas de experiência das massas com o stalinismo e o reformismo empurram-nas, cada vez mais, à ruptura definitiva com eles; já não há nenhum obstáculo histórico entre a IV Internacional e as massas: desde 1968 estamos em condições de começar a construir partidos trotskistas com influência de massas em qualquer rincão do mundo. O Partido Mundial Revolucionário dos Trabalhadores já não é só uma necessidade histórica dessa etapa de transição: já existem as bases objetivas para construí-lo. E todos esses erros, divisões, e ácidas discussões do passado e do presente, não são mais que as dores de parto desse partido mundial com influência de massas. A IV Internacional que nós conhecemos é, por sua vez, o embrião e a parteira desse partido. Por isso estamos nela, e por isso continuaremos nela.

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