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O primeiro «Encontro Anti-mineira e Antiimperialista»

febrero 11, 2010

No sábado, dia 06 de fevereiro, realizou-se o primeiro «Encontro anti-mineira e antiimperialista» em Limón, província de Morona Santiago. O encontro realizou-se no coliseu do cantão Limón-Indanza a partir das 9 horas. Estiveram presentes mais de 200 dirigentes das comunidades camponesas de base da região, do sindicato dos trabalhadores municipais de Limón, lutadores anti-mineira de Tenguel, província de Guayas, representantes de organizações políticas e ambientais, bem como os estudantes da Universidade Central do Equador, da Escola Politécnica Nacional e da Estatal de Cuenca. Esperava-se a chegada de uma delegação da luta anti-mineira peruana, a mesma que teve dificuldades em chegar devido à perseguição que são vítimas em seu país. Alguns dos representantes viajaram desde suas comunidades, no oriente equatoriano, em média de uma semana a pé para participar do evento.


 


Como convidados estiveram presentes Felipe Marcelino Chumpi, prefeito da província por Pachacutik, Pepe Acacho, presidente da Federação Shuar (FICSH), recentemente indiciado no caso de tentativa do fechamento de rádio Arutam e o Padre Juan Rivadeneira, sacerdote em luta contra a exploração mineira.


 


O evento foi inaugurado por um representante do Município do cantão Limón Indanza, patrocinador do evento, seguidamente apresentaram-se as saudações das organizações participantes. Em seguida passou-se às exposições sobre a conjuntura nacional, o projeto colonizador do IIRSA[1], a importância de defender a reserva ecológica Tinajilas, os perigos que representa o projeto Sócio Bosque[2], entre outros temas.  À tarde os participantes dividiram-se em duas mesas de trabalho: «Organização e fortalecimento» e «Plano de lutas frente ao modelo extrativista».


 


O principal objetivo do encontro foi organizar uma coordenação provisória que permita impulsionar um espaço amplo e democrático para unificar as lutas contrárias ao modelo extrativista do governo – lutas que se dão em todo o país de forma dispersa – para o qual se acordou um documento de resoluções onde se convoca um novo encontro; participar das diversas lutas e atividades que já foram convocadas; coordenar com as organizações que vêm funcionando em repúdio ao modelo extrativista em Azuay, Loja e a costa equatoriana; o repúdio à ocupação militar no Haiti, entre outros pontos.


 


Finalmente realizou-se um evento cultural que contou com a participação de artistas do Círculo de Artistas Populares de Limón-Indanza, que difundem música e dança contrárias a exploração das multinacionais mineiras. As expressões culturais vão desde o hip hop, a música nacional, até a dança típica da região.


 


Declaração do Encontro Anti-mineira e Antiimperialista, Limón 2010


 


Limón, 6 de fevereiro de 2010


 


Reunidos os representantes de diversas organizações sociais do país, com o propósito de fortalecer a resistência ante a consolidação dos interesses da grande capital multinacional mineiro, que o Governo de Rafael Correa pretende converter em política de Estado, contrários a vida, a natureza e a cultura dos povos do Equador.


 


Após examinar a conjuntura atual, declaramos:


 


·         Que nos reconhecemos filhas e filhos da Pachamama e assumimos a responsabilidade ética de protegê-la e garantir uma vida digna e saudável para as gerações presentes e futuras.


·         Que o modelo extrativista, as atividades petroleiras e mineiras, especialmente, significa o deslocamento dos povos camponeses e indígenas e a destruição do patrimônio no que se baseia a vida.


·         Que o modelo extrativista industrial esconde como sua razão principal o sistema capitalista baseado na agressão à Mãe Terra e a exploração dos operários do campo e da cidade.


·         Que, em base a sabedoria ancestral e ao conhecimento contemporâneo é possível construir um modelo econômico solidário e complementar que respeite a integridade da Pachamama e permita a vida digna de seus filhos e filhas.


·         Que nos solidarizamos com os perseguidos pela defesa da Natureza, que nos transformamos nos guardiães de sua liberdade e direitos e exigimos encerrar os processos contra eles.


·         Que os governos locais estão na obrigação ética e política de apoiar os diversos processos organizativos locais e regionais promovidos pelas juntas paroquiais, as comunas e outras organizações sociais.


·         Que impulsionaremos a coordenação e a unidade entre as diversas organizações e movimentos sociais que crêem em um modelo de desenvolvimento respeitoso da Pachamama.


·         Que promoveremos a coordenação e a comunicação entre as múltiplas iniciativas de ordem político, educativo, cultural e artístico que estão se realizando no país.


·         Que nos solidarizamos com o sofrimento do povo de Haiti e que exigimos uma justa reparação por parte das potências econômicas que se beneficiaram de sua espoliação: especialmente França e os Estados Unidos. Ademais, exigimos a saída das tropas norte-americanas que argumentando assistência humanitária invadiram o território haitiano.


·         Como uma resposta imediata à necessidade de fortalecer a integração dos grupos, organizações e pessoas que em diferentes latitudes do Equador enfrentam a agressão sistemática e institucionalizada das corporações multinacionais extrativistas auspiciadas pelo Estado, assumimos a tarefa de constituirmos em uma entidade coordenadora com caráter provisório, que realize todos os esforços necessários para a construção de um espaço democrático unitário com maior repercussão e continuidade.


·         Multiplicar e reforçar atividades de educação, organização e mobilização dentro das comunidades diretamente atingidas e outros espaços que ainda não se integraram a esta rede social.


·         Chamamos aos meios de comunicação e aos jornalistas a se somarem à resistência, deixando de lado os benefícios econômicos imediatistas e particulares obtidos das companhias mineiras.


·         Saudamos a recuperação rádio A Voz de Arutam, graças à luta do povo shuar e seus dirigentes, e à solidariedade nacional e internacional.


·         Conformar a coordenadora provisória, com Tarquino Cajamarca, Esther Landetta, Juan Cajas, Ivonne Ramos, Omar Burneo, Franklin Antunish e o Padre Juan Rivadeneira, que possa implementar e dar seguimento a nossas propostas.


·         Repudiamos qualquer projeto de falso conservadorismo como o Programa Sócio Bosque promovido pelo Ministério do Ambiente, que se desenvolvem dentro da lógica capitalista e que, portanto, violam os direitos coletivos dos povos indígenas e camponeses.


 


Finalmente, fazemos um chamado a realizar um Encontro Nacional de todas as organizações que fazem parte deste processo, com o fim de concretizar a unidade e tornar mais efetivas nossas ações.






[1] IIRSA – projeto de integração da infra-estrutura sul-americana, um ambicioso plano de conectar as regiões onde se encontram os recursos naturais (gás, água, petróleo e biodiversidade) com os principais mercados do mundo.



[2] Sócio Bosque – Programa de incentivo para camponeses e comunidades indígenas que se comprometam a preservar os bosques. O Estado pagaria um incentivo de 30 dólares por hectares.

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