Em seus 30 anos de existência, a LIT-QI se orgulha de sua persistência em manter e dar continuidade à trajetória do marxismo em todos os terrenos da luta de classes, sobretudo em um deles, muito especial: a luta contra a opressão das mulheres.

O marxismo é a teoria e a prática da necessidade da transformação do mundo com vistas à emancipação humana em relação a todo tipo de carência e dependência, tanto em relação à natureza quanto ao capital, somada à infinita gama de falsas ideologias produzidas pela sociedade burguesa. Logo, a luta contra todo tipo de opressão, de submissão e envilecimento do ser humano é semente e parte constituinte do marxismo como filosofia e prática.
 
Durante sua história, desde que Marx e Engels estudaram o modo de produção capitalista e sua ideia central, a exploração do homem pelo homem, na forma de extração de mais-valia, como mecanismo transformado em ideologia, o marxismo sempre trouxe implícita a certeza de que o capitalismo deve ser substituído por uma nova sociedade. Uma sociedade comunista, assentada na satisfação das necessidades humanas como condição sine qua non para a superação de toda opressão e de todo impedimento ao desenvolvimento pleno de homens e mulheres.
 
Essa ideia, que parece tão límpida e clara, nem sempre foi assim. Deu origem a tantas polêmicas e diferentes interpretações que, na longa trajetória do movimento operário, a questão da opressão das mulheres constituiu um divisor de águas entre o marxismo e as diversas ideologias que se contrapunham a ele, em especial as diferentes variantes do idealismo. Acusar o marxismo de não se preocupar com a questão da mulher era, na verdade, uma forma de desqualificar a análise materialista de que essa e todas as opressões têm uma base material, porque se fundam, originam-se e alimentam-se da exploração do trabalho de uns pelos outros. Para o idealismo e suas variantes, aceitar essa ideia significaria aceitar que a suposta inferioridade da mulher e sua pretensa falta de racionalidade não seriam características naturais, mas culturais, construídas historicamente pelas {module Propaganda 30 anos – MULHER}condições materiais ao longo dos diversos modos de produção até hoje conhecidos. Portanto, eram possíveis de ser transformadas, como tudo o que existe, e indissociáveis também da necessidade de que a classe trabalhadora, dirigida por um partido marxista revolucionário, destrua o capitalismo e, com ele, todas as formas de opressão.
 
A ideia da inferioridade congênita da mulher, mesmo sendo desmentida dia a dia, ao longo dos tempos, foi trabalhada e retrabalhada pelas instituições burguesas – a igreja, a escola, a família, os partidos e as distintas correntes políticas – para que a opressão se mantivesse intacta. A disputa ideológica contra todas essas variantes, que no fundo não se distinguem entre si, caracterizou a trajetória do movimento revolucionário, desde Lenin e Trotsky, na Revolução Russa, que tem hoje sua continuidade na LIT-QI. Trata-se de um combate não apenas ideológico, mas também concreto, prático e militante, que pode ser resumido em uma ideia central: a luta em defesa do marxismo na questão da mulher continua mais viva que nunca, tanto no seio do feminismo burguês quanto entre a esquerda mundial.
 
Nos artigos deste especial sobre a mulher, os leitores do site 30 anos da LIT-QI poderão conhecer o desenvolvimento teórico e prático da luta contra a opressão das mulheres, desde seus primeiros passos na II Internacional, que teve em Engels um de seus fundadores e cumpriu um papel muito importante na organização dos revolucionários em seus primeiros anos de vida, passando pelas conquistas obtidas pela revolução russa e III Internacional, a luta de Trotsky contra a destruição das conquistas das mulheres causada pelo stalinismo, até os dias de hoje, quando a LIT-QI mantém a continuidade da luta de nossos mestres contra a opressão da mulher e demais setores oprimidos pelo capitalismo imperialista.
 
Os artigos têm um fio de continuidade entre si, que é indicado no início e fim de cada um deles, mas também podem ser lidos separadamente.
 
*Cecília Toledo e Alícia Sagra são membros da Secretaria Internacional de Mulheres da LIT-QI
 
 
Fonte: http://litci.org/especial/index.php/mulheres/mulheres-artigos/1887-a-lit-qi-e-a-questao-da-mulher