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Já é reconhecido pelas crônicas mundiais o caso do Sea Watch, barco que faz parte da frota de ação não governamental chamada Mediterrânea Saving Humans. Esta experiência auto-organizada de monitoramento do Mediterrâneo central, tomou forma e corpo no dia seguinte à criminalização das ONGs oficiais que, por causa de contínuas humilhações e represálias por parte de diferentes governos italianos de cada cor, foram obrigadas a retirar-se.

Por: Stefanon Bonomi

Sustentamos a valente escolha da comandante Carola Rackete que assumiu a responsabilidade de forçar o absurdo bloqueio imposto pelo ministro do Interior (e vice primeiro ministro) Matteo Salvini, conhecido como “ministro do medo e do ódio” (do partido racista Liga agora no governo da Itália), na noite de 29 de junho.

A audaz escolha da alemã de 31 anos, de fato polarizou também a opinião pública nacional: de um lado, a facção contrária a todo tipo de desembarque, capitã do mesmo Salvini que dirigiu os próprios partidários para uma campanha de traços vergonhosamente machistas e sexistas além de racistas; do outro lado, a própria tripulação do Sea Watch e dos ativistas antirracistas de todo o país, que em seguida procuraram a organização de uma fomentada série de cadeias de solidariedade e iniciativas (manifestações, vigilância, etc.) de coleta de fundos a favor da mesma capitã, enquanto confinada à detenção domiciliar.

Em 2 de julho, Carola Rackete foi posta em liberdade porque nenhuma das hipóteses contra ela deram resultado. Inclusive a magistratura burguesa, que usualmente se localiza do lado do capital e de suas leis desumanas, neste caso foi obrigada a admitir que salvar vidas humanas não é um delito: o estado de necessidade dos náufragos e o código de navegação estão acima do ódio racista.

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Enquanto escrevemos este artigo, já estão em marcha novas operações de salvamento, operando com outras embarcações da mesma Mediterranea Saving Humans: quanto à tenacidade das tripulações, estamos seguros de que seguirá o apoio concreto e contínuo de solidários em mobilização contínua. É crucial que o impulso muito importante deste movimento sirva também para reforçar mobilizações que estão se desenvolvendo para rechaçar o “decreto Salvini bis” que, depois de outro decreto análogo já aprovado no parlamento em novembro (com votos a favor de ambos partidos racistas e populistas no governo, Liga e M5S), limita posteriormente o direito de dissidência, de greve, de mobilizações e endurece as medidas racistas: o “decreto Salvini bis”, não só castiga penalmente e multa quem salva homens e mulheres que estão se afogando no mar, como inclusive impõe anos de prisão por assembleias não autorizadas em lugar público ou porque se lança uma granada de fumaça em manifestações! São medidas vergonhosas, racistas e liberticidas, que se somam àquela já em vigência que castiga com o cárcere os bloqueios de rotas (frequente durante as greves) [1]

É necessário inclusive promover uma mobilização e solidariedade internacional que apresente como objetivo por fim ao tráfico de seres humanos: mulheres, homens e crianças que fogem em desespero, do risco de serem brutalmente mortos para vender os órgãos aos traficantes de plantão, e que tem o direito de serem acolhidos! O slogan difundido nas mobilizações antirracistas na Itália: “Primeiro os humanos” significa para nós resistir, organizar-nos e lutar contra a barbárie de um sistema capitalista cada dia mais desumano que, em nome do lucro de poucos, não duvida em deixar morrer dezenas de milhares de desesperados.

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Nota:

[1] Para conhecer o conteúdo destes vergonhosos decretos racistas e  que restringem a liberdade remetemos à página da Frente de Luta No Austerity: www.frontedilottanoausterity.org/19/notizie-in-evidenza/campagna-per-labolizione-del-decreto-salvini-bis-fronte-di-lotta-no-austerity/

É bom deixar claro que estes decretos, em continuidade com leis racistas precedentes, emanam dos governos de diferentes cores.