Um exemplo de como atuam os aparatos de repressão em um Estado burguês. 

Já está sendo anunciada a estreia, no Brasil, do filme “Judas e o Messias Negro“, dirigido por Shaka King que estreou na semana passada nos Estados Unidos, sobre a vida do dirigente do Panteras Negras: Fred Hampton, e que demonstra como o FBI, e as outras agencias ligadas ao Estado, atuaram para destruir o Partido dos Panteras Negras (BPP – por suas siglas em inglês) e seus dirigentes.

Por: Américo Gomes

Entre as ações está o planejamento e o assassinato de Hampton em 4 de dezembro de 1969, quando ele tinha 21 anos de idade. Hampton foi morto em uma invasão da polícia em seu apartamento, onde estava dormindo com outros membros dos Panteras Negras. A ação foi organizada e seu assassinato deliberado, a partir das informações do infiltrado e provocador William O’Neal, um informante do FBI.

Um dirigente talentoso

Hampton era um dos mais talentosos e capazes organizadores dos Panteras Negras e atuava centralmente na cidade de Chicago. Quando era adolescente atuou na NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor), uma das principais organizações de direitos civis dos EUA. Organizou manifestações contra o racismo e pela contratação de mais professores e administradores negros, no ensino médio.

Dirigente e organizador do Partido dos Panteras Negras em Illinois, Hampton estabeleceu programas comunitários e, entre eles, o que teve mais projeção foi o do café da manhã gratuito para crianças em idade escolar. Também planejou a instalação de uma clínica médica.

Construiu alianças e unidade de ação com outros grupos que lutavam por direitos civis, contra o racismo, a brutalidade policial e a pobreza, uma política que a maioria dos dirigentes dos Panteras tinha dificuldade de desenvolver. Entre estes grupos estavam os Young Lords (porto-riquenhos) e os Young Patriots (ativistas brancos do sul do país que lutavam contra a pobreza). Habilidoso, negociou tréguas entre algumas das mais violentas gangues de Chicago, com o objetivo de poupar vidas negras.

Monitoramento, infiltração e provocações[1].

Aproveitando o lançamento deste filme vale a pena recordar como os aparatos de repressão do Estado burguês atuam para destruir os movimentos sociais e as organizações que lutam pelos direitos de nossa classe. Não há regras, nem moral, nem leis, é o vale tudo da repressão para destruir o inimigo.

Nos Estados Unidos, considerado uma república democrática, o FBI, se utilizou de todos os meios, legais e ilegais, para destruir o movimento negro e os levantes insurgentes da década de 1960, em um programa que chamaram de COINTELPRO[2].

Este programa incluía orientações explícitas para o bloqueio e o ataque às organizações políticas negras consideradas radicais e à dirigentes como Martin Luther King, Stokely Carmichael, H. Rap Brown, Maxwell Stanford y Elija Mohamed. Com uma política de “neutralização” buscando “desacreditá-los” negando-lhes “respeitabilidade” e “impedindo” o crescimento destas organizações, especialmente entre a juventude[3].

O FBI, em conjunto com outras agências policiais do Estado, empregou táticas legais e ilegais em operações clandestinas naquilo que chamaram de “dirty tricks” ou “jogos sujos”.

As táticas incluíam interceptação de correspondência e comunicações; escutas telefónicas; infiltrações de agentes; cooptação de militantes; incitação à violência; produção de intrigas e rumores inter y entre organizações; incêndios criminosos, disseminação de drogas entre a população dos bairros mais pobres e até assassinatos. O “Terrorismo de Estado” em nome da “Segurança Nacional”.

O programa já existia desde agosto de 1956, quando foi utilizado contra o Partido Comunista, (em 1965, se calcula que cerca de um terço da adesão nominal ao PC era de infiltrados do FBI). Em 1961 aplicaram contra o Socialist Workers Party (SWP) e personagens como John Lennon, Martin Luther King, Ernest Hemingway e Charlie Chaplin. Assim como fizeram com o líder nacionalista negro Marcus Garvey, em 1918.

A partir de 1967 o projeto foi reorientado contra o movimento negro. O memorando do FBI determinava: “Evitar que militantes e líderes negros de grupos nacionalistas negros ganhem respeitabilidade”, desacreditando-os e, com isso, visando impedir o crescimento destas organizações[4].

Direcionava-se a organizações como a Conferência de Dirigentes Cristãos do Sul (SCLC), a Coordenação de Comissões de Estudantes Não Violentos (SNCC); mas também ao Movimento de Ação Revolucionária (MAR) e à Nação Islâmica, e todos os que tinham ligações com eles, como o Partido de la Paz y la Libertad (PPL), os Boinas Marrões, Estudantes por uma Sociedade Democrática (SDS), Março dos Pobres, American Indian Movement, Jovens Hermanos Portorriqueños, e outros.

Em 1967, J. Edgar Hoover instruiu a 1.246 agentes do FBI sobre o controle de inteligência racial a cada mês. Orientava os agentes a “expor”, “enganar”, “provocar desentendimentos”, “destruir a credibilidade”, “realizar intrigas, sabotagens, intimidação e perseguição de “indivíduos alvos”. Em 1968, o número de agentes envolvidos diretamente nestas missões subiu para 1.678.

O memorando de 22 de janeiro de 1969 da Oficina do Buró de Chicago detalha ações deliberadas através de “infiltrações” para aumentar os “debates cáusticos dentro da organização”, “rumores”, e outras táticas destinadas a fomentar “disputas internas”. O agente especial Marlin Johnson[5] chegou a afirmar que o assassinato de Malcolm X era uma espécie de modelo para as operações de contrainteligência “exitosas”[6].

Em 1975, as atividades de COINTELPRO foram investigadas pela Comissão Church do Senado, e suas atividades consideradas ilegais[7]. O FBI reconheceu haver realizado 2.218 ações ilegais; a partir de 1956 até meados de 1971, 2.305 grampos telefônicos sem mandato; e haver enviado 57.846 cartas[8].

Os assassinatos

O FBI realizou o que para eles eram assassinatos cirúrgicos, matando alguns dos principais membros do movimento e dos Panteras Negras, combinado com as denúncias, prisões de militantes e guerra psicológica.

Bobby Hutton, tesoureiro do partido, foi assassinado covardemente em 1968, desarmado, em um tiroteio no qual estava envolvido um dos dirigentes, Eldridge Cleaver, em Oakland. Levou doze tiros e Cleaver foi ferido. Um provocador infiltrado da polícia do “Esquadrão Panther”, chamado Ray Brown, foi quem provocou o incidente. O funeral de Hutton foi assistido por mais de 2.000 personas, incluindo Marlon Brando y James Baldwin.

Entre outros mortos encontraremos os líderes do SNCC: Ralph Featherstone e Che Payne, assassinados em 9 de março de 1970, quando uma bomba explodiu em seu automóvel em Maryland. George Jackson, dirigente do grupo “Guerrilha Família Negra” assassinado na prisão de San Quentin em 1971.

Mas um dos mais importantes golpes sofridos pelo movimento e pelo BPP foi o assassinato de Fred Hampton, vice-presidente nacional e dirigente da seção dos Panteras Negras no Estado de Illinois. O FBI infiltrou vários informantes e provocadores na seção de Chicago para minar suas atividades. Um deles era William O’Neal, que logo assumiu a localização de segurança, guarda-costas pessoal de Hampton e chefe de segurança do BPP na cidade.

Em 1966, aos 17 anos, O’Neal havia sido preso por roubo de carro usando um distintivo falso da polícia. Para não ficar preso ele se infiltrou nos Panteras Negras.

Dentro do BPP, como chefe da segurança, O’Neal realizava investigações e interrogatórios para “caçar” suspeitos de informantes da polícia, para isso construiu uma cadeira eléctrica para intimidar suas vítimas. Isso contra a política de Hampton, que estava preso na época e que quando saiu da cadeia se contrapôs a brutalidades de O’Neal. Além disso O’Neal envolveu os membros do Partido em atividades criminosas, como bombardear a prefeitura, participação em assaltos e roubos, e tráfico de drogas, inclusive pelo telefone da sede do Partido.

Em meados de 1969 ele entregou uma planta detalhada do apartamento de Hampton ao agente do FBI Roy Mitchell. Mitchell, junto com a unidade policial especial montou a invasão a casa de Hampton[9]. Na madrugada de 4 para 5 de dezembro de 1969, 14 policiais invadiram o apartamento e deram entre 82 e 99 tiros. A operação foi feita sob ordens de Edward Hanrahan, promotor do condado de Cook. Hampton e outro líder do grupo, Mark Clark, de 22 anos, foram mortos, Clark, era o líder do partido na cidade de Peoria. Quatro Panteras Negras e dois policiais ficaram feridos.

Poucas horas depois da invasão, Hanrahan deu uma entrevista coletiva na qual afirmou que a polícia estava cumprindo um mandado de busca e apreensão procurando por armas ilegais e foi recebida a tiros pelos ocupantes do apartamento, matando Hampton e Clark em autodefesa. Uma mentira deslavada.

Um júri federal concluiu que quase todos os cartuchos e balas encontrados na cena haviam sido disparados por armas da polícia. Somente um disparo havia sido feito pelos ocupantes do apartamento, provavelmente em autodefesa. Hampton foi morto na cama, dormindo. Baleado duas vezes na cabeça, uma no braço e no ombro; outras três pessoas que dormiam na mesma cama escaparam ilesas. A esposa de Hampton, carregando o filho de oito meses, foi baleada, mas sobreviveu. Todos os membros sobreviventes foram presos acusados de “tentativa de homicídio da polícia e agressão agravada”. Mas as acusações foram posteriormente descartadas quando testes de balística deixaram nítido que a versão da polícia não encaixava com as evidências na cena do crime.

Hanrahan e 13 policiais acabaram sendo indiciados por obstrução de justiça e conspiração para apresentar falsas evidências, mas foram absolvidos. O’Neal recebeu um “Bônus” de 300 dólares, por haver montado a provocação.

Dias depois um cenário semelhante foi montado em Los Ángeles, desta vez o infiltrado era Melvin “Coton” Smith, que também se havia tornado chefe de segurança do BPP local.

O advogado Charles R. Garry declarou que Hampton y Clark eram “o vigésimo sétimo y vigésimo oitavo panteras assassinados pela polícia”, e que as mortes eram parte de uma política nacional para destruir e realizar um genocídio aos membros do Partido[10].

Provocadores

Em 1968, se calcula que o FBI tinha 3.300 informantes dentro do movimento negro nos Estados Unidos. Em 1971, o número havia subido para 7.500. Acredita-se que dez por cento do total de membros do BPP, até finais de 1969, se constituía de “agentes da lei”[11].

O mais destacado provocador infiltrado foi o descendente de japoneses Richard Masato Aoki. Habilidoso na luta de rua, de comportamento audaz, intimidador de rivais, roubava lojas, assaltava casas e peças de automóveis. Foi preso diversas vezes por “coisas pequenas”. No Exército se formou como especialista em armas de fogo. No FBI investigava organizações conspirativas. Passou por vários grupos considerados radicais como o Partido Comunista e o SWP e participou de comitês contra a guerra do Vietnã. Em 1965, conheceu Huey Newton e Bobby Seale e, em 1966, forneceu aos Panteras suas primeiras armas. Em 1967 se juntou ao Partido, trouxe armas e treinou seus membros a manejá-las, enquanto dava informações ao FBI.

Aoki se suicidou com um tiro, em 2009, em sua casa de Berkeley. Em seu velório, Bobby Seale o saudou como um “líder audaz e servo do povo”.

Mesmo em 2012, quando veio a público suas ligações com o FBI, Seale considerou que era uma difamação, e outro dirigente, Harvey Dong[12] afirmou “Os próprios documentos mostram, que ele não cooperava plenamente com seus manipuladores do FBI, grande parte das informações [que ele] divulgava era de conhecimento público”[13].

Outro infiltrado e provocador importante foi Darthard Perry, de apelido Otelo, no FBI, militar especialista em inteligência, que se infiltrou nos Panteras de Los Ángeles. Para criar confronto com a “US Organization” contra os Panteras Negras, agrediu fisicamente membros desta organização, a fim de facilitar “a discórdia promovida entre os membros da US e do BPP em Los Ángeles”. Estas provocações levaram a conflitos entre as organizações e a morte de Carter y Huggins.

Um infiltrado que trabalhava na operação na época, M. Wesley Swearingen, contou que: “me foi dito… que outro agente na equipe havia organizado para [seus] informantes na US (United Slaves), assassinar a Alprentice Carter e a John Huggins” (…) “posteriormente, revisando os arquivos de Los Ángeles se verificou que os irmãos Stiner eram informantes do FBI”. Perry, que estava presente identificou o atirador, Claude Hubert, como agente do FBI dentro de la US. Também identificou aos irmão George y Larry Stiner como infiltrados[14].

Otelo (Perry) trabalhou no FBI de 1970 a 1975, pôs escutas nas sedes, distribuiu literatura radical no BPP, construiu “bombas relógio”, tirou fotos da comunidade y de reuniões de membros dos Panteras Negras e da União dos Estudantes Negros. Havia sido recrutado na prisão de Sacramento[15].

O infiltrado Eugene Roberts foi guarda costas de Malcolm X, assim como Willian O’Neal e Ralph White chegou a ser da unidade de “caça infiltrados” de Nova York assim como Melvin Smith, encarregado da segurança da sede de Los Ángeles. O provocador Wilbert Thomas, no Brooklyn, organizou um roubo a um hotel que terminou em um cerco policial que levou a prisão do dirigente do partido Alfred Cain. E um atentado a bomba em Seattle, que levou a morte de Larry Ward, jovem desempregado veterano de Vietnã, que havia ingressado no partido, a bomba tinha sido feita por Alfred Burnett, outro agente do FBI[16].

George Sams, “especialista em segurança” do partido, que comandou a tortura de Alex Rackley (acusado por ser infiltrado no BPP), era também um provocador policial, entregou Bobby Seale ao poder judiciário, afirmando ser ele o mentor da tortura[17].

Caso similar, em 1970, dezessete Panteras de Baltimore, foram acusados de conspiração para assassinato de um agente infiltrado, Eugene Anderson. Entre os principais participantes e testemunhas do crime estavam: Mahoney Kebe, Donald Vaughn y Arnold Loney, que eram agentes do FBI de Baltimore.

O infiltrado Peter Cardoz[18] forjou documentos fazendo parecer que Stokely Carmichael, de quem era segurança, era informante da CIA. Na época Stokely teve que deixar Nova York e ir para África, temendo por sua vida[19].

Destruir o inimigo

Fica nítido que mesmo os governos que se apresentam como “democráticos”, utilizam táticas, legais e ilegais, para destruir, golpear e eliminar as organizações que conspiram contra este regime e sistema, defendendo os interesses da classe trabalhadora e os setores mais oprimidos da sociedade.

Não foi somente a repressão que levou a destruição do Partido dos Panteras Negras, foi também o abandono de seu programa original, sua adaptação à democracia burguesa, e até os desvios de seus dirigentes. Mas a repressão ilegal do Estado foi um elemento agravante e potencial nesta escalada.

Apesar de sua ousadia política, da coragem individual de seus dirigentes e militantes e do discurso revolucionário e antiregime, o BPP não se preparou adequadamente para o enfrentamento que estava envolvido, de certa maneira subestimando a determinação da burguesia em destruir seus inimigos.

Esta é uma lição que todos os lutadores revolucionários sociais têm que aprender, para melhor nos prepararmos na organização de nossas defesas. Neste sentido ganha relevância a construção de uma consciência de nossa classe contra a repressão estatal.

[1] The COINTELPRO Papers Documents from the FBI’s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO – Black Liberation Movement pag 91, file:///C:/Users/Windows%208.1/Desktop/Cointelpro_Papers.pdf

[2] COINTELPRO: The FBI’s Covert Action Programs Against American Citizens.”, http://terrasol.home.igc.org/HooverPlan.htm

[3] The COINTELPRO Papers Documents from the FBI’s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO – Black Liberation Movement, p.  91, file:///C:/Users/Windows%208.1/Desktop/Cointelpro_Papers.pdf

[4] Noam Chomsky, in The COINTELPRO Papers Documents from the FBI’s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO – Black Liberation Movement, p.  91, file:///C:/Users/Windows%208.1/Desktop/Cointelpro_Papers.pdf

[5] Posteriormente investigaría los asesinatos de dirigentes de los Panteras Negras en Illinois, Fred Hampton y Mark Clark.

[6] The COINTELPRO Papers Documents from the FBI’s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO – Black Liberation Movement, p. 91, file:///C:/Users/Windows%208.1/Desktop/Cointelpro_Papers.pdf

[7] History News Network | Congressional Oversight and the Crippling of the CIA

[8] Ward Churchil, “Para romper, desacreditar e destruir”, Guerra Secreta do FBI contra o Black Panther Party, http://propagandhi.com/wp-content/empires/Ward_Churchill.pdf

[9] The COINTELPRO Papers Documents from the FBI’s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO – Black Liberation Movement, p. 91, file:///C:/Users/Windows%208.1/Desktop/Cointelpro_Papers.pdf

[10] http://www.edwardjayepstein.com/archived/panthers_print.htm citado el New York Times y el Washington Post.

[11] Ward Churchill, To Disrupt, Discredit and Destroy”The FBI’s Secret War against the Black Panther Party, https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:VgQQFUFuy2IJ:https://propagandhi.com/wp-content/empires/Ward_Churchill.pdf+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

[12] Profesor en Berkeley.

[13] http://apublica.org/2012/09/um-infiltrado-fbi-entre-os-panteras-negras/. Seth Rosenfeld es el autor del libro, Subversivos: Guerra del FBI en estudiantes radicales, y el ascenso de Reagan al poder. Él ya escribió sobre Aoki para el Center for Investigative Reporting en 2012.

[14] Ward Churchill, War at Home: Covert action against U.S. activists and what we can do about it (South End Press Pamphlet Series). https://fightgangstalking.files.wordpress.com/2013/05/war-at-home-1989.pdf

[15] https://archive.org/stream/nsia-FBIPerryDarthardME/nsia-FBIPerryDarthardME/FBI%20Perry%20Darthard%20M%20E%2001_djvu.txt

[16] Ward Churchill, To Disrupt, Discredit and Destroy “The FBI’s Secret War against the Black Panther Party, https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:VgQQFUFuy2IJ:https://propagandhi.com/wp-content/empires/Ward_Churchill.pdf+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

[17] Ward Churchill, To Disrupt, Discredit and Destroy “The FBI’s Secret War against the Black Panther Party, https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:VgQQFUFuy2IJ:https://propagandhi.com/wp-content/empires/Ward_Churchill.pdf+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

[18] Sospechoso de varios asesinatos.

[19] Memorando de Nueva York Oficina de Campo a la sede del FBI, 9/9/68, p. 2. 60- http://www.assatashakur.com/cointelpro-blackpanthers2.htm