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Desde o dia 17 de julho, os refugiados palestinos no Líbano tomaram as ruas para protestar contra a repressão do Ministério do Trabalho libanês que vai “limitar a mão de obra estrangeira”.

O governo do país proibiu todos os refugiados palestinos e sírios de trabalhar sem visto de trabalho. Também ordenou às autoridades vasculhassem lojas, fábricas e zonas industriais em todo o Líbano para garantir que não houvesse os chamados “trabalhadores estrangeiros ilegais”.

A recente decisão do Ministério é parte de um ataque contínuo à dignidade básica e ao sustento dos trabalhadores palestinos. Por mais de 70 anos, o governo libanês marginalizou e sitiou refugiados palestinos no Líbano. Confira abaixo um manifesto de repúdio à medida assinado por várias organizações brasileiras.

Manifesto

“Repúdio a mais uma lei racista no Líbano

Os refugiados palestinos são historicamente considerados “população excedente” no Líbano e recentemente o Ministério do Trabalho baixou uma lei ainda mais racista.

Enquadrados na “Lei de Estrangeiros”, os palestinos – assim como os refugiados sírios – agora dependem de permissão para trabalhar e de um sócio libanês para que seus pequenos negócios não sejam taxados como ilegais e proibidos de funcionar. A motivação é uma queda de braço entre os partidos de direita que estão no poder para ver quem seria mais “patriótico” – na verdade, mais xenofóbico.

Os palestinos antes mesmo já eram proibidos de exercer 72 profissões no Líbano – discriminação que se mantém e se agrava agora. Os milhões de refugiados – que solidariamente passaram a abrir as portas e dividir o pouco com milhões de sírios a partir de 2011 – são obrigados a se amontoar em campos de refugiados insalubres. Esses locais são próximos de trabalhos precários, conforme o desejo de empresários libaneses para facilitar sua exploração como mão de obra barata, sem proteção e sem direitos.

Leia também:  A luta nos campos de refugiados: dignidade contra a colonização

Em resposta, há mais de uma semana os palestinos se levantam heroicamente nos campos de refugiados, exigindo o fim dessa medida e de toda forma de discriminação, como a que os impede de exercer 72 profissões. Entre a população libanesa, tem havido expressões de solidariedade, assim como mundo afora. Nos somamos a esses.

Repudiamos a chamada “Lei de Estrangeiros” e demandamos o fim de toda forma de discriminação contra refugiados no Líbano. Toda nossa solidariedade aos palestinos! Rumo à Palestina livre com o retorno dos milhões de refugiados às suas terras! Nenhum ser humano é ilegal!”

Frente em Defesa do Povo Palestino

Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada

CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular

PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

Rebeldia – Juventude da Revolução Socialista

MML – Movimento Mulheres em Luta

Movimento Quilombo Raça e Classe