Entrevista feita pela redação do site do PdAC com Adriano Lotito, de Andria, responsável nacional da Juventude do Partido da Alternativa Comunista, uma organização nascida há poucas semanas.
 
Redação: Comecemos com uma pergunta pessoal. Como você se aproximou do PdAC? É um dos dirigentes mais jovens do partido?
 
Adriano: Aproximei-me do PdAC participando das lutas estudantis na minha escola. Nos últimos anos ocorreram também na Itália (como no resto da Europa) importantes lutas dos estudantes: embora, não obstante a radicalidade, a ausência de uma forte coordenação nacional e de uma plataforma geral tenha favorecido um momentâneo refluxo. É o mesmo problema que encontramos nas lutas operárias: fragmentadas pela intervenção consciente da burocracia sindical e da esquerda governista, mas também, especialmente, pela ausência ainda de uma forte direção alternativa. É o problema dos problemas, como falamos no PdAC: aquele da construção de um partido comunista revolucionário.
 
Redação: De acordo, mas retornando a sua juventude…
 
Adriano: … na realidade o PdAC é um partido com uma forte composição de jovens, eu não sou uma exceção! Por isto são numerosos também os companheiros e as companheiras jovens nos organismos dirigentes. Mas em geral, no Partido da Alternativa Comunista os jovens estão em casa. É um partido no qual não existe nenhum paternalismo: todos os militantes, independentemente da idade, participam na elaboração da linha do partido, nas discussões, nas atividades.
 
Redação: Como é o seu caso, ainda com menos de 20 anos… Mas passemos a Juventude do PdAC. Adriano, pode nos falar do porque nasceu esta nova estrutura da Juventude da Alternativa Comunista e qual é o seu objetivo?
 
Adriano: A Juventude da Alternativa Comunista se propõe construir um forte grupo de jovens revolucionários, que se sintam no dever de lutar todos os dias para mudar o mundo e para derrubar o atual sistema capitalista que nos últimos anos demonstrou de modo sempre mais evidente a sua falência e a sua incapacidade de atender os interesses da ampla maioria da população. As massas populares, e em particular os jovens junto com outras categorias sociais, não toleram mais um sistema que gera somente guerra, miséria e exploração e que está levando toda a humanidade a um ponto sem volta (os casos de Fukushima e do incidente do golfo do México, para citar só os exemplos mais vivos na memória de todos, dizem tudo). Nós da Juventude da Alternativa Comunista desejamos oferecer um espaço para uma militância real a tantos jovens que não se reconhecem nos atuais campos reformistas da esquerda italiana (Fed e Sel) que empregam todo o seu patrimônio político em reproduzir velhas alianças subalternas ao PD [Partido Democrático, de centro-esquerda] e, portanto aos grandes grupos capitalistas…
 
Redação: Mas esta revolução de que fala é realmente possível? Ou se trata de um sonho, de uma utopia como muitos a definem?
 
Adriano: As revoltas no Magreb e no Oriente Médio, assim como o movimento espanhol dos indignados e as recentes revoltas na Grécia (onde ocorrem choques quotidianos entre trabalhadores e as forças da ordem burguesa) demonstra como as massas populares estão cansadas de sofrer com uma pesada crise econômica e que não foi causada por eles, enquanto os grandes grupos capitalistas continuam a enriquecer, explorando a mão de obra a baixo custo e cortando as verbas das escolas e da saúde.
 
No Egito, Tunísia e Líbia ocorreram verdadeiras revoluções, o equilíbrio do poder foi radicalmente atacado, ainda que ainda não derrubada, e as massas trabalhadoras demonstraram não temer a reação do exército e das forças repressivas, aceitando o choque direto e conseguindo muitas vezes levar a melhor. Estes movimentos populares são compostos e dirigidos em grande parte por jovens, operários ou com formação universitária, por natureza mais motivados ao confronto para construir um futuro, uma família e um trabalho seguro.
 
A Juventude da Alternativa Comunista deve, portanto ir ao encontro desta exigência de mudança revolucionária que, também, na Itália esta emergindo pouco a pouco, embora muitas vezes num nível inconsciente, como demonstram as lutas na Fincantieri [Ver matéria já publicada no site da LIT] e a série de ocupações e manifestações estudantis que ocorreram nos últimos meses do ano passado (até a incursão dos estudantes no Senado e no choque frontal com os aparatos repressivos da polícia nas ruas de Roma no último dia 14 de dezembro).
 
Redação: Que relações a Juventude do PdAC deseja manter com as outras organizações de juventude e estudantis que estão se difundindo na Itália?
 
Adriano: Como organização de um partido, trotskista, isto é revolucionário, cooperaremos com todas as forças de jovens estudantes e de jovens trabalhadores que desejam sinceramente construir uma perspectiva de superação do atual sistema e nos empenharemos na constituição de um front realmente de classe que aposte na colaboração e na solidariedade de estudantes, operários, precários e imigrantes, todos explorados e oprimidos no atual contexto de relações de força. Nas regiões onde nos encontramos já suficientemente enraizados já iniciamos uma proveitosa colaboração com comitês locais (na defesa do meio ambiente, por exemplo) e com organizações estudantis empenhadas no Movimento contra a Gelmini [Projeto que ataque a educação, que leva o nome da ministra de Berlusconi] e a defesa da escola e da universidade pública.
 
Redação: Quais serão as próximas tarefas do movimento?
 
Adriano: Continuaremos a fazer aquilo que sempre fizemos nestes anos com o Partido da Alternativa Comunista: garantiremos uma presença constante nas lutas, iniciativas públicas, com o objetivo de chegar preparados ao outono, que será seguramente cheio de conflitos em todos os níveis como nos faz supor o atual andamento da economia na Itália e no exterior. Trabalhadores e estudantes querem lutar, querem redimir-se, querem reconquistar uma dignidade pisoteada pela constante perseguição do sistema no qual vivemos, e nós oferecemos a eles uma oportunidade de fazer tudo isto, em uma organização coerentemente revolucionária que mantém, também, um conjunto de relações internacionais com os jovens revolucionários de outros países, a partir da Europa (o PdAC é a seção italiana da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional, que conta com dezenas de partidos em todo o mundo).
 
O nosso próximo compromisso importante é o seminário nacional que o PdAC organiza em Rimini no segundo fim de semana de setembro. Não por acaso este ano tem por título: A revolução é possível, então Marx é necessário.
 
A Quarta Internacional presta particular atenção à jovem geração do proletariado. Toda a sua política se esforça de difundir na juventude a confiança em suas próprias forças e no futuro. Só o fresco entusiasmo e o espírito combativo da juventude podem garantir os primeiros sucessos na luta; só estes sucessos podem recolocar na estrada da revolução os melhores elementos da velha geração. Assim foi e assim será.
 
(Leon Trotsky, Programa de Transição)
 
 
Tradução: Rodrigo Ricupero