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Foi uma vitoria. A greve massiva dos trabalhadores da SNCF (Sociedade Nacional do Caminho de Ferro) e da RATP (metro) representou um primeiro passo, capital, contra a ofensiva geral do primeiro-ministro Fillon. 80% de grevistas na SNCF! Um numero superior ao do inicio da grande mobilizacao de 1995, que tinha colocado em xeque o governo Juppe. Na epoca, o governo ja atacava as aposentadorias especiais, defendendo a necessidade incontornavel da reforma. Alguns anos depois, o presidente Sarkozy recomeca: a situacao remete mais uma vez a celebre frase de Karl Marx: a historia se repete, “na primeira vez ocorre como tragedia, na segunda como farsa”. Sendo uma caricatura dos seus mentores (Reagan, Tatcher e outros), Nicolas Sarkozy multiplicou argumentos mentirosos contra as aposentadorias especiais e provocacoes vergonhosas contra os trabalhadores dos diversos servicos publicos que vao ser atingidos pela reforma. O aspecto grotesco do personagem nao minimiza a gravidade da sua politica para milhares de trabalhadores. A situacao e longe de ser um motivo para rir, ja que a crise estrutural do sistema economico impoe ao governo a destruicao rapida das ultimas conquistas operarias, e a privatizacao dos ultimos servicos publicos. Sacrificando cada vez mais o futuro dos trabalhadores.


 


Aumentar a mais-valia pelo aumento da produtividade e abrir novos mercados aos tubaroes do patronato sao as receitas seculares da burguesia para driblar temporariamente a decomposicao do capitalismo. A dupla Sarkozy-Fillon vem avancando nesse caminho com medidas chaves, como a autonomia das universidades, a contestacao do direito de greve e a imposicao de taxas para atendimento medico. Mas para preparar um clima mais propicio a uma ofensiva geral contra o direito ao trabalho, seria necessario atacar os setores operarios mais combativos, nomeadamente os trabalhadores das empresas estatais.


 


Nesses ultimos dias, enquanto as peripecias do casal presidencial ocupavam as manchetes dos jornais da imprensa burguesa, o sucesso da mobilizacao de 18 de outubro tornava-se cada vez mais evidente. A determinacao dos trabalhadores do setor publico para responder a ofensiva generalizada do governo Sarkozy-Fillon se confirmou.


 


Contra esse movimento iniciante, uma ofensiva generalizada da midia foi desencadeada com urgencia: inumeras pesquisas de opiniao anunciaram o apoio da maioria dos franceses a reforma da previdencia de Sarkozy, e afirmaram que havia um consenso contra a greve, que todo o pais apoiava Sarkozy contra esses privilegiados detestados. Os jornalistas que apoiam o governo entraram em panico e faziam de tudo para isolar a luta dos trabalhadores. Paralelamente, a “esquerda” e as direcoes sindicais ajudavam para fazer fracassa-la.


 


Nao e mais um segredo para ninguem: o Partido Socialista apoia ativamente a destruicao das aposentadorias especiais, e so critica o metodo usado pelo governo. O dirigente, Francois Hollande o deixa perfeitamente claro: ele deplora o fato de que “Nao teve verdadeira negociacao” e propoe: “Digo ao governo : abram (…) o quadro global que deve permitir as discussoes empresa por empresa. Se voces nao fizerem isso, terao que enfrentar alguns protestos“. (Le Monde, 19/10/07).


 


Que audacia! E verdade que para atacar os direitos dos trabalhadores, o Partido Socialista sabe que pode contar com as Centrais Sindicais, fieis aliados, que conseguem frear qualquer tentativa de mobilizacao – cf. as varias declaracoes de Julliard (porta-voz da UNEF, Uniao Nacional dos Estudantes da Franca) na vespera do movimento contra o Contrato Primeiro Emprego. A UMP (partido de Sarkozy), que nao dispoe de relacoes privilegiadas com as burocracias sindicais “morde e assopra”.


 


Sarkozy assopra quando, recem-chegado no Palacio do Elysee, ele recebe os principais dirigentes sindicais que se alegraram dessa iniciativa. Mas ele morde tambem, por exemplo, com as revelacoes sobre a caixa preta da UIMM e os saques de dinheiro do seu presidente Denis Sauvignac. Esse dinheiro teria sido usado para financiar a paz social, com a corrupcao das burocracias sindicais. Os 600 bilhoes de Euros, teriam alimentado uma caixa antigreve! A ameaca de revelacoes em relacao a esse financiamento coloca as direcoes sindicais numa situacao muito fragil.


 


As declaracoes de Bernard Thibault (CGT) e de Jean-Claude Mailly que, dada a gravidade da acusao, parecem muito timidas, sao prova disso: mistura de falsa indignacao e de negacao pouco convincente. Os burocratas comecaram a cerrar o proprio ramo onde estavam sentados. Apos tantos compromissos com os governos e o Patronato, eles se colocaram num equilibrio cada vez mais precario, entre a intransigencia do poder politico e a pressao dos trabalhadores que querem a mobilizacao.


 


E nesse contexto, pouco favoravel, que mais de 300 mil trabalhadores participaram de mais de sessenta passeatas na Franca inteira, deixando claro que nao queriam trabalhar mais para ganhar menos. Os trabalhadores mobilizados alertaram: o ataque contra as aposentadorias especiais e o primeiro passo para a destruicao completa do sistema da Previdencia por reparticao. Todos os trabalhadores estao sendo ameacados: o proximo alvo do governo e o sistema geral da Previdencia. Os assalariados serao obrigados a trabalhar 42 anos em vez de 41. Por isso, a unidade da classe e fundamental e tem que ser construida ja. Nas passeatas, a reivindicacao unitaria de 37,5 anuidades para todos demonstrava a vontade dos grevistas de estender a mobilizacao para poder enfrentar ja a proxima etapa da reforma.


 


E agora? A tatica de “greve-quadrada” decidida pelas centrais sindicais pode provocar a morte do movimento. O objetivo e de dividir a mobilizacao em varios dias de acao, para evitar a construcao de alicerces fortes na perspectiva de uma luta mais ampla, e para negociar tranquilamente com Xavier Bertrand, o ministro encarregado da Reforma da Previdencia. Talvez “negociar” seja uma palavra ate ousada… Para Thibault e seus parceiros, se trata de manter as aparencias, apresentando os ditados do governo como uma vitoria deles.


 


Quando fechavamos essa edicao, a frente sindical estava rachando-se. O sindicato ultraminoritario FGAAC, organizacao que so existe para os ferroviarios da SNCF, decidiu acabar com o movimento, apos ter obtido promessas da direcao da SNCF (que, na verdade, nao pode dar nenhuma garantia quando se trata de uma reforma realizada pelo Estado). SUD, FO tinham respondido a pressao de suas bases chamando a uma greve prorrogavel (o que era o minimo para se fazer), mas parecem hoje estar procurando uma saida para nao dar a impressao que estao recuando. A CGT, sindicato majoritario da SNCF, nao devia chamar a uma “greve quadrada” antes das discussoes que Xavier Bertrand deseja comecar quarta-feira. Apos uma mobilizacao historica dos trabalhadores da SNCF e da RATP, o imobilismo ou o recuo das centrais sindicais e criminoso.


 


E mais do que tempo de unificar as lutas contra as medidas do governo.


 


Neste sentido, a presencia de estudantes junto com os trabalhadores e um sinal animador. Enquanto a mobilizacao contra a lei Pecresse comeca a se construir nas universidades, o sucesso da acao comum dos trabalhadores e estudantes no dia 18 e uma primeira vitoria que deve levar a muitas outras! Chamamos de novo a construcao de uma Central Unica dos Trabalhadores, que seria uma ferramenta para varrer os obstaculos burocraticos que freiam a mobilizacao.


 


Um proximo dia de acao foi chamado o dia 20 de Novembro para defender o poder de compra. Apos o sucesso do 18 de outubro, temos que fazer desse dia o ponto de partida para uma luta sem concessoes. Uma luta que deve permitir a satisfacao do conjunto das reivindicacoes dos trabalhadores e dos jovens.


 


O futuro de todos esta sendo ameacado: desde ja, mobilizemos-nos de maneira unitaria!