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Greve geral até a revogação do CPE e do CNE

Declaração do GSI, n 4, sessão francesa da LIT-QI


Greve geral até a revogação do CPE, do CNE e da lei de “igualdades de oportunidades”!
Fora Chirac-Villepin-Sarkozy!


A resposta de Chirac à mobilização: aprovação forçada e provocação


Há dois meses que a mobilização da juventude e dos trabalhadores não pára de crescer, ganhando força e determinação, com o objetivo de derrotar as leis de precariedade e miséria que a burguesia está tentando impor. A luta de classe concentrou-se nos CPE/CNE, que chegaram a simbolizar todos os ataques, atuais e futuros, contra as leis trabalhistas. A faísca da universidade II da cidade de Rennes no 8 de fevereiro, espalhou-se e botou fogo ao país inteiro. Universitários, secundaristas, e trabalhadores continuam ocupando as ruas, unidos, e decididos a fazer o governo recuar. Em 28 de março, houve um avanço decisivo na luta de classes, com 3 milhões de jovens e trabalhadores ocupando as ruas – mais do que em 1995 e em 2003, durante os protestos contra os ataques à aposentadoria – . As pesquisas de opinião, reflexo destorcido da luta de classes, mostram nitidamente a cólera e a indignação das massas: 68% da população se opõem ao CPE; 70% da população evoca uma “crise profunda e durável”; expressão da mídia burguesa para designar uma luta de classes cada vez mais acirrada…


Frente à cólera e determinação das massas, o governo escolheu a aprovação forçada. Promulgada por Chirac, a lei sobre a “igualdade de oportunidades” está em vigor hoje, mas a maioria dos trabalhadores e da juventude já a rejeitou categoricamente! Frente à indignação das massas que se levantou para defender seus direitos, o governo responde com desprezo e provocação: é um enfrentamento frontal. A miserável manobra legislativa do governo (suspensão-leitura-emenda) não faz diferença. Pelo contrário, essas confusões nos altos escalões do governo mostram a extrema profundidade da crise das instituições burguesas, do sistema e de seus partidos (particularmente da UMP, o partido de Chirac): o edifício das instituições burguesas está ameaçado pelo movimento de massas. Por isso, a burguesia responde com ofensiva e repressão.


A resposta do governo contra os jovens e os trabalhadores, é a repressão policial e a barbárie, com provocações abertas. Ataques da polícia de choque, espancamento dos estudantes, prisões dos manifestantes: a violência de estado não teve limite, e já deixou um sindicalista internado em coma, que continua entre a vida e a morte. Agora, sob a ordem do ministro da educação, Gilles de Robien, a polícia foi reprimir e provocar os secundaristas, dentro das suas próprias escolas ocupadas!


Para derrotar o governo, acabar com esse desprezo e essas provocações, a única saída, é a greve geral até a revogação do CPE/CNE e a demissão dos Chirac, Villepin, Sarkozy!  É isso que os manifestantes gritavam no dia 28 de março: “Greve geral, até revogação!”, “Chirac, Villepin e Sarkozy, o seu estágio probatório acabou!”.


Na Europa toda, uma só política antioperária


A política de miséria e precariedade que Chirac aplica e promove com tanta arrogância, está sendo aplicada na Europa toda. Os CPE/CNE é a conseqüência de cinqüenta anos de tratados assinados pela Europa capitalista (Roma, Maastricht, Amsterdã), com os quais as burguesias européias impõem à destruição os serviços públicos e o desmantelamento dos direitos trabalhistas. A burguesia ataca os trabalhadores e a juventude da França, do mesmo jeito que ataca os trabalhadores e a juventude da Espanha (11% de contratos temporários assinados em 2005; na região da Andaluzia, 95% desses contratos eram temporários e precários), da Alemanha: o governo de coalizão, no qual participam os socialistas, irmãos de Hollande e Fabius, quer aumentar o período probatório de qualquer contrato de trabalho para… dois anos. Quer dizer que eles querem um CPE para todos os novos assalariados alemães!


M. Barroso, o presidente da Comissão Européia lembrou nitidamente a necessidade que a Europa capitalista tem, de precarizar a qualquer custo. Ele defendeu o CPE, dizendo que “essa reforma era inevitável” para poder flexibilizar o código de trabalho. Ele acrescentou cinicamente, como grande especialista da luta de classes que, “essa resistência é a melhor prova de que estamos indo no rumo correto! Ou seja: o acerto das políticas burguesas pode ser medido ao sofrimento e aos reflexos de sobrevivência dos trabalhadores! Ou, mais simplesmente, tudo que os coloca para baixo nos beneficia. Quanto à Confederação Européia dos Sindicatos, ela amarelou: ao mesmo tempo em que finge estar contra o CPE, o seu secretário, John Monks declara que é necessário “modernizar para  poder responder melhor a mobilidade do trabalho” (ou seja, ele quer o fim do código trabalhista e a precariedade para todos!).


Para não ser uma utopia mentirosa, uma luta conseqüente em defesa dos direitos trabalhistas e para a revogação definitiva dos CPE/CNE, tem que exigir a revogação de todos os tratados da Europa capitalista que generalizam a precariedade e essa flexibilidade supostamente “inevitável”!
Os trabalhadores entenderam perfeitamente isso, quando votaram NÃO no dia 29 de Maio, contra a Constituição Européia, resultado de 20 anos de capitalismo.


Para derrotar o governo, uma resposta só: greve geral, sem mais demora!


Para sair da crise e derrotar os trabalhadores, o governo está tentando cooptar as direções sindicais e os partidos de esquerda, para poder implementar sua política. Ele conta com o medo deles frente às massas dispostas a enfrentar-se contra o poder da burguesia, dispostas a impor os seus interesses de classes e, se for preciso, destruindo instituições agonizantes. As hesitações caricaturais de Chirac (um novo CPE, “negociado e melhorado”) proporcionam uma saída para as direções sindicais e os partidos de esquerda: para poder ajudar o governo a salvar instituições agonizantes, e para desviar a mobilização até a via sem saída do parlamentarismo! Trata-se de organizar o “diálogo social” depois de provocações abertas contra milhões de trabalhadores e jovens, e depois da “cacetada” ter reprimido sem limite os jovens! Para isso, Sarkozy é o homem do negócio; ele é o rei da cacetada, e defende o STO (Serviço do Trabalho Obrigatório) para os desempregados…


Desde o início das mobilizações, a juventude e os trabalhadores exigem a retirada dos CPE/CNE. Entenderam que toda tentativa de “negociação” ou qualquer “solução parlamentar” seriam as piores das hipóteses: seria uma derrota para os trabalhadores, e a burguesia poderia impor seus interesses; isso abriria uma brecha mortal contra os direitos trabalhistas. Até agora, é a potência da mobilização que obrigou a antiga “esquerda plural” (nome da plataforma eleitoral dos partidos ditos de esquerda) e os dirigentes de todos os sindicatos a ir atrás do movimento, com receio, e a exigir a retirada do CPE. É a determinação e a radicalização das massas que tornaram impossíveis qualquer desvio do movimento, qualquer tentativa de resolução a proveito da burguesia. Isso, apesar das tentativas das direções sindicais para dispersar o movimento.Recusando-se, por exemplo, a chamar a greve geral e propondo dias de ação sem continuidade!


Hoje, a intransigência da burguesia, que não pode recuar, acabou com as margens de manobra dos burocratas sindicais e dos dirigentes de esquerda. A luta de classes, exacerbando-se, deixa duas forças frente a frente: de um lado, a burguesia com as suas “reformas inevitáveis”. Do outro lado, a juventude e os trabalhadores que, mais do que nunca, só poderão contar com as suas próprias forças para defender até o final os seus interesses e derrotar o governo. Nesse enfrentamento direito com os interesses da burguesia, não é mais a hora de medidas tímidas. A única solução é, sem mais demora, uma greve geral para revogação dos CPE/CNE e a expulsão de Chirac-Villepin-Sarkozy!


Juventude e trabalhadores, greve geral até revogação dos CPE/CNE
e da “lei sobre a igualdade de oportunidades”!


Organização de uma passeata nacional unitária em Paris!


Em defesa do código do trabalho e das convenções coletivas!


Chirac, Villepin, Sarkozy: fora!


Por um governo dos trabalhadores, e pelos trabalhadores!


Paris, 2 de Abril 2006,


Grupo Socialista Internacionalista (GSI), sessão francesa da LIT-QI


Site web: http//www.gsi-litqi.org
Para nos escrever:
apido.gsi@wanadoo.fr