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A luta da Alcoa[1] em defesa dos postos de trabalho trouxe a tona uma nova reestruturação industrial que está acontecendo. A destruição da indústria eletrointensiva que na Galícia atinge diretamente 5 mil trabalhadores/as (Alcoa, Ferroatlántica, ENCE, térmicas,…), e se soma às demissões anunciadas na industria automobilística; com 600 trabalhadores da Nissan afetados por um ERE[2] e 800 na Citroen.

Por: Roberto Laxe

Com a reestruturação dos anos 80, quando o Partido Socialista Operário Espanhol – PSOE destruiu a indústria espanhola para poder entrar na CEE (atual União Europeia), a luta está sendo encarada com duas limitações que somente podem levar ao “salve-se quem puder”. Primeiro: os objetivos não são a nacionalização das empresas que garantam todos os postos de trabalho. Segundo: o isolamento das mobilizações por empresa como se fossem problemas independentes.

Pela nacionalização sob o controle operário

As cúpulas sindicais da época (UGT e, principalmente CCOO) não impulsionaram a unificação das mobilizações em uma greve geral em defesa de todos os postos de trabalho e, sobretudo, inauguraram um método de desmobilização que, agora, se converteu em regra: a luta se reduziu a pressionar para negociar “indenizações/antecipações de aposentadorias por postos de trabalho”.

Como no passado, a defesa dos postos de trabalho passa por colocar no centro da luta a nacionalização de todas as empresas com EREs e ERTEs, assim como as indústrias estratégicas (as elétricas!). Não a nacionalização simples, na qual as empresas ficam a cargo do Estado, e uma vez que estão recuperadas, são vendidas ao capital privado. Mas sim sob o controle dos trabalhadores/as, a serviço das necessidades sociais e fazendo parte de um plano de emergência social que possa dar uma saída operária e popular para a crise.

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Esta perspectiva de nacionalização não somente está silenciada, mas hoje em dia nem sequer é posta na mesa por nenhuma organização política ou sindical:, quando sugeriram essa medida à ministra do setor Teresa Ribera, foi classificada de “comunista”. Correto, somos nós comunistas os únicos que defendemos essa proposta! Mas, obviamente, o problema está no fato de que atenta contra a santíssima propriedade privada dos meios de produção.

Qualquer medida que não passe por tirar das mãos da iniciativa privada e do mercado é, como máximo “pão para hoje e fome para amanhã”. A situação da Alcoa é pragmática, conseguiram prorrogar em dois momentos a manutenção dos postos de trabalho, em janeiro com um acordo de vendê-la para outras empresas – em outubro do ano passado já estavam negociando as indenizações-,  e agora com a oferta dos fundos de investimentos, que somente garantem os postos de trabalho por 10 anos no melhor dos casos se são rentáveis (sic) e 2 anos se não são.

Aceitar negociar nessas condições é ir para a mesa de mãos atadas, dado que a “Espada de Dâmocles” do fechamento sempre está sobre a cabeça dos trabalhadores.

Romper com o isolamento das lutas

Além das mobilizações “unificadas” simbólicas, o fato é que para um fenômeno de conjunto como este as respostas são através de negociações parciais; com o lema “salve-se quem puder” só é possível garantir o “aqui não se salva ninguém”.

Sob o manto da “economia verde”, na União Europeia – UE está se encarando uma nova reestruturação industrial, como se o fechamento de centrais elétricas movidas a carvão, madeireiras, indústrias de alumínio, etc, e transferi-las a outros lugares como Arábia Saudita e África, onde não existe controle, não vai continuar poluindo o mundo em que vivemos.

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O que querem as multinacionais é aumentar seus lucros com base nos baixos salários, nas péssimas condições de trabalho ou diretamente através do trabalho escravo; além da necessidade de que não existam controles sobre os níveis de contaminação. No fim os trabalhadores/as europeus perdem seus postos de trabalho e o planeta segue sendo contaminado exatamente da mesma forma.

A nacionalização sob o controle operário implica na defesa de certas condições de trabalho e, portanto de produção, conforme as necessidades sociais, unificando os interesses sociais com os da classe trabalhadora. Ao isolar as lutas essa pauta é vista como algo utópico, fora da realidade.

Nisso se apoiam as direções tradicionais dos sindicatos para justificar a “negociação de demissões voluntárias e aposentadorias antecipadas”; como se não fosse possível construir outra saída, negociam a troca de patrão ou os 40/30/20 dias por ano.

O caminho para a vitória passa exatamente pelo lado oposto, por unificar as lutas de todas as empresas em crise, com EREs, ERTEs ou como queiram chamar no resto da Europa, por sua nacionalização sob o controle operário, enfrentando os planos do capital e dos seus governos.

Nessa luta é possível ganhar ou perder, mas essa é a única perspectiva não utópica para defender todos os postos de trabalho; a alternativa das burocracias sindicais e políticas atuais na verdade são as mais utópicas: a realidade nos diz que sob o sistema capitalista em crise não existe nenhuma garantia de estabilidade e condições dignas de trabalho.

Como a imensa maioria das direções assumem como um “mal menor” os limites impostos pelo sistema, se impõe a necessidade de construir novas organizações que tenham como centro a luta pelo rompimento com essa lógica.

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[1] https://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2019/07/10/politica-industrial-da-avestruz/0003_201907G10P14991.htm

[2] https://es.wikipedia.org/wiki/Expediente_de_regulaci%C3%B3n_de_empleo

Tradução: Luana Bonfante