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Enquanto os sindicatos de Arequipa aderem à greve indefinida na província de Islay contra o projeto mineiro Tia Maria[1], o presidente Martín Vizcarra leva o conflito ao limite de um massacre ao ordenar a intervenção do exército[2], o que demonstra que a sua prioridade é a proteção dos interesses das grandes mineradoras.

Por: PST Peru

Assim, de um golpe, cai por terra a máscara democrática do governo, e mais uma vez se comprova suas verdadeiras motivações e sua falsa postura anticorrupção.

Neste contexto, nós trabalhadores do Peru, podemos somente estar do lado do povo de Islay, contra a mineradora Southern[3] e a repressão do governo de Vizcarra. Por isso exigimos a imediata desmilitarização da província de Islay e a revogação da liberação concedida à Southern para iniciar a construção do megaprojeto de mineração de Tía María.

Também ataca nossos direitos trabalhistas

Da mesma maneira, durante a manhã de 28 de julho, a poucas horas do discurso presidencial, foi anunciado o Plano Nacional de Competitividade (Decreto Supremo 237), documento que estabelece prazos para a implementação de diversas medidas que têm como centro a imposição de uma nova reforma trabalhista que inclui a eliminação do direito de receber gratificações, CTS (compensação por tempo de serviço), assim como uma maior flexibilização das demissões, via “fechamento coletivo” de fábricas e empresas, e a extinção do regime especial do setor agrícola (com 15 dias de férias e o fim da estabilidade no emprego).

Um ataque aos trabalhadores cuja finalidade é assegurar os lucros das grandes empresas com o deterioro das nossas condições de vida.

A armadilha das “eleições antecipadas”

No entanto, depois da contundente derrota imposta pelo povo de Fuerabamba, a debilidade do governo ficou evidente. Por isso, agora que ataca novamente tenta criar condições de estabilidade que lhe permitam avançar na implementação dos ataques.

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Isso explica o lançamento da proposta de reforma da Constituição para antecipar as eleições de 2020: Vizcarra constrói o seu discurso para que acreditemos que antecipando as eleições se estabeleça o caminho do “fora todos, já”, que com razão é exigido por um importante setor da população. E quer utilizar este clamor a seu favor. Não para colocar para fora o Congresso, mas sim para se fortalecer.

Se não é assim, por que ele deixa nas mãos do Congresso a tarefa de reduzir o próprio mandato? Além disso, se aprovar as eleições antecipadas, saíram todos só daqui um ano e teriam garantido um ano de continuidade para mandar e desmandar.

Essa é a outra cara da armadilha das “eleições antecipadas”: Vizcarra está negociando com o próprio Congresso que todos repudiam, buscando construir acordos para aprovar os cortes dos direitos trabalhistas e uma maior entrega dos nossos recursos. Como disse o ministro da economia Carlos Oliva “é melhor um ano de trabalho consensuado, que dois de conflito”.

A esquerda reformista mordeu a isca

A classe trabalhadora e o povo pobre necessitam responder imediatamente a este ataque iniciado por Vizcarra e a Confiep (Confederação de Instituições Empresariais Privadas). Lamentavelmente o primeiro obstáculo encontrado para alcançar este objetivo, são as organizações que se dizem representantes do povo, aquelas que morderam a isca das “eleições antecipadas”, e se pronunciaram a favor desta proposta de todas as maneiras possíveis.

O Partido Comunista Pátria Vermelha (Patria Roja), o Novo Perú, a Frente Ampla, encontram na proposta do governo, a realização do seu programa que, há muito tempo, abandonou a luta direta em detrimento da estratégia eleitoral.

É preciso enfrentar o Governo, a reforma trabalhista e a repressão contra os lutadores do Vale do Tambo[4]

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Para as organizações da classe trabalhadora que estão resistindo contra os “fechamentos coletivos”, como os companheiros da Hialpesa[5] e da Cogorno[6]. Para os moradores do Vale do Tambo que enfrentam a repressão de Vizcarra. Para todos aqueles que enfrentam os ataques da patronal, do imperialismo e do governo, a nova proposta de reforma para tornar possível a antecipação das eleições, tal e como está hoje, não garante nenhuma mudança e, pelo contrário, nos afasta da luta imediata e direta em defesa dos nossos direitos e nossas condições de vida.

Nesse sentido, a convocatória realizada pela CGTP (Confederação Geral de Trabalhadores do Peru) para manifestação no dia 15 de agosto se converte em uma oportunidade para voltar às ruas, desta vez responsabilizando diretamente a Vizcarra pelos ataques contra a nossa classe.

Por isso, nós do Partido Socialista dos Trabalhadores, fazemos um chamado a todas as organizações operárias, camponesas, estudantis e populares, a participar da jornada do dia 15 de agosto e unificar nossa luta para enfrentar os ataques do governo, até que a licença para construção da Tia Maria seja anulada e o DS 345 e 237, que são as bases da reforma trabalhista, sejam revogadas. E também construir a unidade para botar para fora, com a nossa mobilização, esse Congresso de corruptos que, junto com Vizcarra, entregam o país nas mãos das transnacionais e grandes empresas, aprofundando a miséria do nosso povo.

Isso significa construir a partir das bases uma greve geral, igual à começada pelos moradores do Vale do Tambo, ou a realizada em setembro do ano passado por milhares de trabalhadores mineiros em defesa da pauta de reivindicações. Uma greve geral que derrote o projeto de Tia Maria e a derrubada dos Decretos Supremos 345 e 237, que levaria a derrota do próprio governo. Esta proposta de mobilização que hoje em dia tem a sua convocatória em mãos da CGTP, no marco dos acordos da última Assembleia Nacional de Delegados.

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Esta tarefa é de suma importância, porque corremos o risco de que Vizcarra e as grandes empresas imponham um novo regime de exploração e saqueio dos nossos recursos, que somente aprofundarão os níveis de miséria.

NÃO AO PROJETO TIA MARIA!

NÃO A MILITARIZAÇÃO E CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA DO VALE DO TAMBO!

ANULAÇÃO DOS D.S. 345 E 347!

NÃO À REFORMA TRABALHISTA DE VIZCARRA E DA CONFIEP!

FAÇAMOS COMO ISLAY: GREVE GERAL!

FORA VIZCARRA E ESTE CONGRESSO CORRUPTO!

 

[1] https://elcomercio.pe/peru/arequipa/tia-maria-distintos-gremios-convocan-paro-indefinido-5-agosto-noticia-660496

[2] https://www.dw.com/es/per%C3%BA-vizcarra-autoriza-la-intervenci%C3%B3n-militar-en-un-conflicto-minero/a-49891574

[3] https://en.wikipedia.org/wiki/Southern_Copper_Corporation

[4] https://ievenn.com/tia-maria-residentes-de-valle-de-tambo-anuncian-paro-indefinido-desde-el-15-de-julio/1915657/

[5] http://www.industriall-union.org/es/ya-basta-dicen-trabajadores-de-hialpesa

[6] https://litci.org/es/menu/movimiento-obrero/peru-segundo-cese-colectivo-cogorno/

Tradução: Luana Bonfante