O Movimento Internacional de Trabalhadores (MIT) está levantando a candidatura independente e revolucionária de María Rivera, advogada coordenadora da Defesa Popular e militante de nossa organização. María é um dos rostos femininos da Plaza Dignidad, advogada da “primeira linha”, defensora de presos políticos e foi uma das que apresentou queixa criminal contra Piñera pelos delitos de lesa humanidade que cometeu depois do 18 de outubro. Além disso, María não fica atrás quando se trata de denunciar as armadilhas dos partidos políticos, dos mesmos de sempre, incluídos a Frente Ampla e o PC.

Por: MIT – Chile

Esta candidatura encontra-se dentro da Lista do Povo, uma lista que nasce ao calor da revolução chilena, composta por muitos lutadores e lutadoras reconhecidos da Plaza Dignidad e de outros territórios. É um espaço que abriu suas portas aos independentes de verdade, com completa liberdade programática para suas idéias serem difundidas. Nele o MIT e nossa candidatura defendem um programa de ruptura com o abuso empresarial, mudando radicalmente este sistema.

Uma trajetória de luta

María nasceu em 28 de janeiro de 1958, e com apenas 12 anos iniciou sua militância política sendo ativista pela candidatura de Salvador Allende da Unidade Popular, que naquele momento era visto com expectativa pelos ativistas e pela juventude com desejos revolucionários. Alguns anos depois, já em 1972, tornou-se ativista secundarista da Frente de Estudantes Revolucionários (FER), ligado ao MIR.

Em 1980 foi capturada e detida pela CNI (Central Nacional de Informações), o serviço de inteligência do ditador Pinochet. María foi levada ao quartel Borgoño, um dos maiores centros de detenção e tortura da ditadura, do qual é sobrevivente.

Em 1983 María é exilada junto com seus filhos na Argentina, onde entrou nas fileiras do MAS e militou, entre outros lugares, em bairros operários de Lanús, durante 7 anos. Finalmente, em 1990, pode retornar ao Chile para incorporar-se às fileiras da seção da Liga Internacional dos Trabalhadores , LIT-QI (MIT no Chile) onde continua até hoje.

Em 2004 foi reconhecida como sobrevivente de prisão política e torturas pela ditadura de Pinochet, no marco do informe da Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura, mais conhecida como “Comissão Valech”. María, já como ativista pelos direitos humanos, decide utilizar sua bolsa pela reparação para estudar Direito. Em 2008 funda a Defensoria Popular (hoje chamada Defesa Popular), organização de advogados que atende sem custo as vítimas da repressão policial e estatal. Em 2010 se gradua como advogada e se transforma em uma das principais figuras defensoras de presos políticos e vítimas da repressão até o dia de hoje.

Atualmente María está sendo perseguida pela oficialidade de carabineiros por fazer um chamado às tropas para que deixassem de reprimir seu povo e se unam a ele, na luta contra o governo de Piñera, contra sua oficialidade corrupta e contra os empresários que se aproveitam de nosso povo. Fazemos um chamado pela completa solidariedade à companheira e a lerem o artigo sobre sua perseguição.

O que sua candidatura defende?

A futura convenção constitucional não será totalmente democrática. Não poderemos mudar o futuro do país se não conseguirmos derrubar os obstáculos que foram impostos à Convenção pelo Acordo de Paz (assinado dede a UDI até Frente Ampla). Este acordo, que exige o cumprimento de quórum de 2/3 para aprovação de leis, que não permite a modificação de nenhum dos TLCs e que também não permite a destituição do presidente, está a serviço das 10 famílias que saqueiam o país associadas a empresas transnacionais e bancos estrangeiros.

Por isso, necessitamos de medidas imediatas que possam ser tomadas por todas e todos que se autodenominam do povo e participem da Convenção Constitucional.

  1. Liberdade imediata a todos os presos políticos

É impossível ter um processo democrático com presos/as e perseguidos/as políticos. Aqueles/as que se encontram na prisão ou perseguidos pela justiça, são os/as que exerceram o legítimo direito ao protesto para melhorar as condições de vida de suas famílias e do conjunto do povo. Nesse marco, é um ataque do empresariado e dos políticos a toda a população que sofre com a desigualdade provocada por este sistema capitalista e neoliberal.

Chamamos todos os constituintes que se autodenominam defensores do povo, a exigir junto conosco, uma anistia irrestrita para todos os presos políticos chilenos e mapuche. Não é suficiente um indulto, que deixará na rua muitos lutadores que estão sendo processados, a constituinte deve se posicionar em defesa de sua liberdade.

A população trabalhadora e a juventude têm o direito de se defenderem quando são atacados pelas forças dos Carabineiros e do Exército. Reivindicamos o direito à autodefesa!

  1. Fora Piñera e todos eles!

Não podemos aceitar um governo repudiado por mais de 80% da população segundo suas próprias pesquisas. Piñera não pode continuar governando sendo o responsável político por dezenas de assassinatos, centenas de casos de tortura, mutilações e milhares de perseguidos pela justiça empresarial.

Por isso desde o primeiro dia da Convenção exigiremos a destituição imediata de Piñera, seu governo e todo o parlamento. A Convenção Constitucional deverá assumir o governo de forma provisória e convocar novas eleições, sob condições democráticas que facilitem a nomeação de independentes, dirigentes sociais e sindicais. Nesse marco, defendemos que todos os candidatos tenham um tempo justo de televisão e que seja proibido o financiamento empresarial das campanhas.

Também chamamos todos os constituintes que se autodenominam do povo a se posicionarem no início da convenção constitucional para por um fim ao quórum de 2/3 e substituí-lo por um quórum de maioria simples para a aprovação de leis.

  1. Renacionalização do cobre e expropriação das AFP’s para garantir aposentadorias dignas, saúde e educação públicas

Para poder financiar tudo o que o povo exige, para que tenhamos moradias e aposentadorias dignas, saúde e educação públicas, para que possamos investir em políticas de combate à violência contra as mulheres, precisamos arrancar as fontes de riqueza de nosso país das mãos das 10 famílias mais ricas do Chile e das transnacionais (empresas estrangeiras). Devemos utilizar todo o dinheiro das grandes mineradoras privadas e AFPs para garantir uma vida digna para a classe trabalhadora e a juventude. Esta questão será desenvolvida em profundidade em outro artigo.

O povo do Chile deve impor-se contra os políticos, empresários e reformistas

Os grandes partidos financiados pelos empresários estarão representados na Convenção Constitucional e as famílias mais ricas do país, junto com os grupos econômicos e investidores estrangeiros, farão todo o possível para não perder seus privilégios.

Por isso devemos impor nossas demandas à futura Convenção pela força da mobilização e organização. Não devemos confiar somente no “trabalho parlamentar” dos candidatos como chamarão a fazê-lo a Frente Ampla e o Partido Comunista (embora este último chame a “assediar a convenção”), porque a juventude já foi testemunha de como traíram o movimento estudantil através de seu chamado de confiança na institucionalidade.

Devemos retomar a organização nas assembléias territoriais e demais espaços, recuperar os sindicatos e exigir da burocracia sindical que organize assembléias para discutir a futura constituição e as mudanças que precisamos. Devemos avançar no sentido de preparar uma grande greve geral para impor as demandas do povo trabalhador à convenção constitucional, e assim caminhar para que seja a própria classe trabalhadora que governe o país através de um poder operário e popular.

Tradução: Lilian Enck